
O Juízo da Vara da Infância e Juventude da Capital arquivou nesta quinta-feira (14) o procedimento investigatório sobre o caso do cão comunitário Orelha, conhecido na Praia Brava, em Florianópolis, na Capital do estado, e que morreu em janeiro de 2026, em um caso que ganhou repercussão nacional.
A decisão homologa a manifestação apresentada pelas Promotorias de Justiça responsáveis pelo caso, que concluíram que os adolescentes investigados não estavam junto do animal no momento da suposta agressão.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina, uma nova análise das câmeras de monitoramento identificou diferenças de cerca de 30 minutos entre os horários registrados nos sistemas utilizados inicialmente na investigação, o que teria provocado erro na cronologia dos fatos.
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Conforme o MPSC, as câmeras do condomínio onde estava um dos adolescentes registravam horário adiantado em relação ao sistema público Bem-Te-Vi, utilizado para acompanhar o deslocamento do cão.
Com a correção da linha do tempo, o Ministério Público concluiu que o adolescente investigado e o cão Orelha estavam a aproximadamente 600 metros de distância um do outro no horário apontado inicialmente como o momento da suposta agressão.
A manifestação apresentada à Justiça possui 170 páginas e reúne a análise de quase dois mil arquivos digitais, incluindo vídeos, fotografias e dados extraídos de celulares apreendidos.
Outro ponto destacado na investigação foi o resultado da perícia veterinária realizada após a exumação do corpo do animal.
Segundo o laudo, não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com agressões. A perícia identificou sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica na região da mandíbula.
De acordo com o Ministério Público, as evidências técnicas e testemunhais apontam que a morte do cão, submetido à eutanásia, está relacionada ao quadro clínico preexistente e não a maus-tratos.
Orelha era um cão comunitário conhecido na Praia Brava. O caso ganhou repercussão nacional após denúncias de suposta agressão contra o animal no início deste ano.
Na manifestação encaminhada à Justiça, o Ministério Público também pediu apuração sobre eventual divulgação indevida de informações sigilosas e possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais.
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