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CPF’s na mira de Jorginho

É uma chapa montada em torno de CPF’s e de um CNPJ muito bem posicionado.

14/05/2026 às 15h36
Por: Redação
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O governador Jorginho Mello segue executando, com método e frieza política, uma estratégia que já não pode mais ser considerada episódica ou circunstancial. Trata-se de um movimento contínuo de esvaziamento das estruturas partidárias do PP e do MDB catarinenses, mirando diretamente as lideranças que controlam as duas siglas no estado: Esperidião Amin e Carlos Chiodini.

Curiosamente — ou nem tanto — ambos estavam desenhados para integrar justamente a chapa majoritária liderada pelo próprio Jorginho em 2026. Amin concorreria à reeleição ao Senado ao lado de Carol De Toni, enquanto Chiodini aparecia como nome natural para a vice-governadoria.

Era um encaminhamento amadurecido dentro do núcleo político do governo. Até que houve uma mudança brusca de rota.

De cima

A intervenção de Jair Bolsonaro, exigindo a presença do filho Carlos Bolsonaro na chapa ao Senado, alterou completamente a engenharia eleitoral inicialmente concebida por Jorginho. Paralelamente, surgiu a movimentação do PSD em torno de Adriano Silva, com a possibilidade de lançá-lo ao governo estadual, o que acendeu o alerta no Centro Administrativo.

Ação certeira

O governador então reagiu rápido. Em vez de correr o risco de enfrentar Adriano Silva no futuro, tratou de atraí-lo para dentro do próprio projeto, oferecendo-lhe a vice. Com isso, a nova composição ficou desenhada: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado; Adriano Silva de vice; e Jorginho candidato à reeleição. O resultado, na outra ponta, é que Amin e Chiodini ficaram fora do jogo principal.

Progressistas

No PP, o movimento do governador é ainda mais evidente. O partido presidido em Santa Catarina por Esperidião Amin vai, gradativamente, se inclinando para Jorginho Mello por meio de lideranças históricas da própria legenda.

Investidura

A nomeação de Leodegar Tiscoski para a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços não foi um gesto administrativo. Foi um recado político. Leodegar havia sido desalojado do comando estadual do PP por decisão direta de Ciro Nogueira, presidente nacional da sigla, que entregou o partido a Amin. Agora, o ex-presidente reaparece fortalecido dentro do governo estadual.

Nicho progressista

A pasta era ocupada por Silvio Dreveck, que deixou o cargo para disputar novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa. Leodegar, Dreveck e Aldo Rosa formam hoje um núcleo de forte interlocução com o Palácio Barriga Verde. E mais: os três sempre foram próximos de Esperidião Amin. Só que, agora, o senador decidiu trilhar um caminho próprio.

Isolamento

Na prática, Amin começa a experimentar um isolamento interno no PP catarinense. Dos três deputados estaduais da sigla, apenas Altair Silva permanece integralmente alinhado ao senador. Altair, de Chapecó, está politicamente vinculado ao projeto de João Rodrigues. Já os outros dois parlamentares progressistas caminham em direção oposta.

Sulistas e governistas

Pepe Collaço, de Tubarão, candidato à reeleição, e Zé Milton, do Vale do Araranguá e pré-candidato à Câmara Federal, estão alinhados ao grupo de Leodegar, Dreveck e Aldo Rosa, todos favoráveis à recondução de Jorginho Mello.

E não são apenas parlamentares. A maioria dos prefeitos progressistas também dá sinais claros de aproximação com o atual governador.

Convenção

A grande dúvida política passa a ser outra: Esperidião Amin conseguirá levar a maioria do PP, em convenção, para apoiar João Rodrigues ao governo? Porque a decisão terá de passar pelo voto interno. E não há mais ambiente tão favorável ao senador como havia meses atrás no contexto nacional.

Tiro no pé

A hipótese de uma intervenção nacional para garantir o controle partidário ao grupo de Amin perdeu força. Principalmente diante do desgaste enfrentado por Ciro Nogueira em função das investigações relacionadas ao caso Master, que continuam avançando após as recentes operações da Polícia Federal.

Respingos

Ainda que Esperidião não tenha qualquer relação com eventual irregularidade e com a banda podre do PP, a simples vinculação política a Ciro, neste momento, produz desgaste. Em campanha majoritária, imagem e simbolismo pesam tanto quanto história, estrutura e a capacidade de vender esperança ao eleitorado. Ciro está enrolado até o gogó na master roubalheira deste país.

Verticalização

Há ainda um componente eleitoral decisivo: a verticalização da disputa. O ato político do último sábado deixou isso cristalino. Carlos Bolsonaro não será candidato isolado em Santa Catarina. Ele será impulsionado por uma engrenagem nacional bolsonarista: Flávio Bolsonaro na corrida presidencial, Jorginho Mello na disputa ao governo e Carol De Toni ao Senado.

Musculatura

É uma chapa montada em torno de CPF’s e de um CNPJ muito bem posicionado, com densidade ideológica, militância digital e forte identificação com o eleitorado conservador catarinense.

Desmontando estruturas

Nesse contexto, Jorginho parece ter feito uma escolha objetiva: menos dependência das estruturas partidárias tradicionais e mais aposta em lideranças individualizadas, conectadas diretamente ao eleitor. E, até aqui, vai conseguindo fragmentar adversários dentro das próprias siglas que, até pouco tempo atrás, pareciam destinadas a compor sua aliança natural.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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