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Ensaio sobre a Cegueira

Uma reflexão sobre a responsabilidade de enxergar a realidade

20/03/2026 às 17h25 Atualizada em 20/03/2026 às 18h20
Por: Emerson Luis
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Foto:Divulgação
Foto:Divulgação

José Saramago

É uma das obras mais influentes do escritor português.

Que explora a fragilidade da civilização, o egoísmo humano, a perda da dignidade.

Sugere que a humanidade está cega de solidariedade, empatia e ética.

Batismo

Eu incomodo as pessoas (ou elas me incomodam) desde 1990.

Quando eu era um rapaz imaturo e tímido, começando no rádio.

Minha única experiência era ter sido ouvinte de programas de esporte.

Aprendi que repórter tem de perguntar, questionar, arrancar a melhor resposta.

Sem imparcial e não fazer média com dirigentes ou torcedores.

Tretas

Com o tempo, mais seguro e confiante, passei a não ter medo de enfrentamentos.

Certa vez, no Aderbal, na sala da diretoria, tive um bate-boca homérico com um presidente do BEC e com a sua filha.

O motivo era o de sempre.

Salários atrasados, que geravam um ambiente pesado.

A crise fora de campo eclodia na tabela de classificação. 

Embates

No mesmo Deba e ainda em Itajaí e em Concórdia, ao vivo nas transmissões, tive enroscos com treinadores e jogadores.

Eles não gostaram das perguntas sobre o mesmo tema.

Boleiros, pressionados, tendem a defender os diretores, até o último instante.

Após uma partida, no programa "Fogo contra Fogo", fechei o tempo com um comentarista, que fugia pela tangente quando se tocava no tema espinhoso - existia uma aproximação pessoal dele com os diigentes.

Com certeza, fui ofendido em algum momento por torcedores.

Porém, foi algo banal, normal, relacionado com minha aparência, desregrada e cabeluda - nunca me preocupei com isso. 

Em 1994 no Aderbal com Biro Biro. Foto: Arquivo pessoal 

Stalker

Lá atrás e agora em um passado mais recente, mesmo nas animosidades entre torcedores e Imprensa, havia um rosto, uma voz, um endereço, você sabia exatamente com quem estava lhe dando, quem era o seu detrator.

Nunca concordávamos em quase nada, mas a luta era aberta, franca.  

Hoje, os inimigos são invisíveis, ardilosos, rasteiros, irresponsáveis e inconsequentes. 

Com refinada estupidez, visão áspera e escondidos atrás de um teclado, destilam ódio e desinformação nas redes sociais.

Aspiram e respiram o tóxico da raiva.

A principal meta, maquiavelicamente, é criar uma atmosfera pesada, denegrir a imagem e a reputação de profissionais.

Haters

São peritos em medir condutas morais. 

Se julgam árbitros do que é publicado.   

Abutres de plantão, parasitas, que não estão dispostos a ouvir algumas evidências, pois a verdade é uma faca afiada.

Figuras bitoladas e nocivas, com muitos adjetivos e poucos substantivos.

Que sofrem do vírus da hipocrisia.

Preferem que você seja um boneco manipulado, sem opinião, sem camisa, sem personalidade.

Parvos

Gente repulsiva, sem norte moral, inqualificável, que há tempos perdeu a compostura, o respeito e o discernimento. 

Que tem colada a etiqueta do descrédito. 

Que adora passador de pano e jornalista clubista.

Que alimenta (só pode) um desejo incontrolável de virar celebridade.

Que sonha com um busto em praça pública. 

Que não se conforma com a coadjuvância.

"Idiotas da objetividade", como lembrou Nelson Rodrigues. 

Nelson Rodrigues. Foto: Carlos Moskovics

Estádio

Para não dizer que não falei das flores, o Sesi, é sim, de Blumenau.

Não é do Blumenau.

É para todos - como argumentaram alguns torcedores, na sessão da Câmara. 

Só que hoje, agora, no momento, ele "pertence" ao Blumenau - essa é a realidade. 

Torcedores do Metrô na última terça-feira na Câmara. Foto: CMB

Poder

É legal, mas não é legítimo?

Tem legalidade, mas não tem legitimidade?

Tem política e negócios envolvidos, como alegam?

Cabe ao Metropolitano reparar essa "injustiça".

Dar os seus pulos, usar a influência de alguns ilustres torcedores, com trânsito na Câmara de Vereadores, na própria prefeitura, nas autarquias, na Assembleia Legislativa, no governo do Estado, no governo Federal, nas instâncias superiores e resolver esse impasse - o clube está mexendo seus pauzinhos. 

Vencer essa disputa, mostrar que tem mais força do que o rival nos bastidores.

Queda de braço

Se for para chegar a um acordo, ótimo.

Todos ganham. 

Se for para não pagar os R$ 15 mil por jogo, que o clube no primeiro momento considerou muito alto (e está tentando baixar), que não pague. 

Bata no peito, brigue pelo que é justo, e arque com as consequências - caso elas, de fato, se confirmem.

Veredito

Até os paralelepípedos sabem que vivemos uma epidemia de otários virtuais. 

Se cobrir é um circo, se murar, é um hospício. 

No fim, deve ser uma dura penitência cuidar da vida dos outros.

Cena de "Ensaio sobre a Cegueira", filme de Fernando Meirelles. Foto: Internet

 

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Emerson Luis
Sobre o blog/coluna
Jornalista com ampla experiência na cobertura esportiva, Emerson Luis assina uma coluna de opinião dedicada ao esporte no Vale do Itajaí. Com olhar crítico, linguagem direta e paixão pelo que faz, analisa os bastidores, os destaques e os desafios do cenário esportivo regional. Mais do que informar, busca provocar reflexões e valorizar os protagonistas do esporte local.
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