A partir deste final de semana, Santa Catarina entra em contagem regressiva rumo a outubro de 2026. Três meses pela frente. O calendário eleitoral já está posto: convenções homologatórias entre 20 de julho e 5 de agosto, dez dias para a Justiça Eleitoral apreciar os registros, e campanha eleitoral propriamente dita a partir de 15 de agosto. Cinquenta dias concentrados de disputa. Em Santa Catarina, Jorginho Mello, Gelson Merísio e João Rodrigues já têm datas marcadas para suas convenções. O jogo começa.
O que as pesquisas mostram por ora é uma eleição de turno único, com a reeleição do atual governador. Mas toda a campanha ainda está pela frente — e acidentes de percurso podem ocorrer tanto no plano estadual quanto no nacional, considerando a verticalização do processo e os candidatos à presidência vinculados a cada um dos três postulantes ao governo.
Polarização de volta
A pergunta que fica no ar é instigante: teremos novamente polarização? Em 2018 foi PT contra PSL. Agora, em 2026, o desenho se repete — lulismo contra bolsonarismo, desta vez na figura do primogênito Flávio Bolsonaro. Uma terceira peleja entre os mesmos campos, com novos protagonistas.
O Supremo interferiu
Vale lembrar o contexto. Em 2018, Lula estava preso, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro por nove magistrados em três instâncias. Colocou o poste Fernando Haddad, que enfrentou o azarão Jair Bolsonaro — e perdeu. Depois, o Supremo o descondenou por filigranas jurídicas, não por absolvição, e o devolveu à presidência da República. Agora quem está em detenção domiciliar é Bolsonaro — numa condenação que não tem nenhuma semelhança com aquela que efetivamente colocou Lula atrás das grades.
A onda de 2002
Para entender 2026, é preciso olhar para o passado. Em 2002, na sua quarta tentativa à presidência, Lula fez em Santa Catarina a maior vitória proporcional do país no primeiro turno — e a segunda no segundo turno. O estado inteiro embarcou na onda. Ninguém esperava.
Bolsonaro superou Lula
Em 2018, a onda foi bolsonarista — e superou até o fenômeno de 2002. No segundo turno contra Haddad, Bolsonaro fez quase 76% dos votos em Santa Catarina. Além de eleger o governador Carlos Moisés, a vice Daniela Reinehr, seis deputados estaduais e quatro federais.
2022 foi ainda maior
E em 2022 a onda cresceu ainda mais. Jorginho Mello eleito governador, Marilise Bim vice-governadora, Jorge Seif trazido por Bolsonaro para o Senado. Na eleição proporcional, onze deputados estaduais( quase o dobro do pleito anterior) e seis federais — 50% a mais do que em 2018. O bolsonarismo em Santa Catarina não arrefeceu. Avançou.
A incógnita de 2026
E agora? O bolsonarismo manterá a supremacia absoluta em Santa Catarina? Essa é a grande incógnita. Se a resposta for sim, o roteiro já está escrito: reeleição de Jorginho Mello, um ou provavelmente dois senadores eleitos e bancadas expressivas tanto na Câmara Federal( sete ou oito) quanto na Assembleia Legislativa(14 ou 15).
SC deu o recado
Santa Catarina tem um histórico claro: quando escolhe uma onda, vai fundo. Foi assim com Lula em 2002. Foi assim com Bolsonaro em 2018 e em 2022 — cada vez mais forte. O estado não é de meia medida. Resta saber se 2026 confirma a tendência ou escreve um capítulo diferente. Vamos observar.
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