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O tabuleiro do Sul e o abalo no projeto de João Rodrigues

João Rodrigues é conhecido pelo estilo truculento.

25/06/2026 às 18h30 Atualizada em 25/06/2026 às 18h48
Por: Redação
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Continua repercutindo intensamente nos meios políticos a passagem dos dois principais pré-candidatos ao governo de Santa Catarina pela região Sul do estado na semana passada: o governador Jorginho Mello e o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues.

João permaneceu praticamente quatro dias no Sul. Jorginho, dois. Tempo suficiente para provocar um verdadeiro alvoroço político na região e gerar forte desconforto dentro do PSD, justamente no momento em que o partido tenta convencer o distinto público de que o projeto eleitoral de João Rodrigues tem alguma viabilidade.

O problema é que, embora o PSD tenha candidatura própria encaminhada, existe também uma engenharia política em construção envolvendo MDB e a Federação União Progressista — fruto da aliança nacional entre Progressistas e União Brasil.

E foi justamente no Sul que começaram a surgir sinais de fissura nesse desenho.

Na veia

O episódio de maior repercussão ocorreu em Criciúma e teve como protagonista o prefeito Vagner Espíndola, o Vaguinho, filiado ao PSD e, portanto, correligionário de João Rodrigues.

Vale rememorar o contexto.

Quiprocó

Vaguinho foi escolhido candidato já em pleno período pré-eleitoral, ainda em 2024. Era o segundo nome apresentado pelo grupo político liderado por Clésio Salvaro, numa campanha extremamente pesada e conflagrada.

Mudança

Naquele momento, Ricardo Guidi rompeu com o PSD, ingressou no PL e recebeu apoio direto do governador Jorginho Mello.

A disputa municipal ganhou contornos dramáticos quando o então prefeito Clésio Salvaro chegou a ser preso durante a campanha.

Sem titubear

Mesmo diante daquele cenário explosivo, Vaguinho manteve sua candidatura.

E, paradoxalmente, a prisão de Salvaro acabou produzindo uma reviravolta eleitoral. O movimento gerou reação negativa contra Ricardo Guidi e acabou impulsionando Vaguinho, que ultrapassou o adversário e venceu a eleição.

Marcante

Posteriormente, Clésio Salvaro foi libertado, mas o ambiente político já havia sido profundamente marcado por uma campanha duríssima.

Sem volta

Jorginho Mello mobilizou toda a estrutura possível para tentar derrotar o PSD em Criciúma. Levou inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro para a campanha. Bolsonaro pernoitou na cidade.

Força eleitoral

Ainda assim, Vaguinho Espíndola, sustentado politicamente pelo peso eleitoral de Clésio Salvaro — liderança de enorme influência em Criciúma e em toda a região Sul —, acabou levando a melhor.

Rota de colisão

Mas bastaram poucos meses de administração para que a relação entre criador e criatura entrasse em rota de colisão.

Salvaro quis continuar comandando politicamente a prefeitura. Vaguinho não aceitou assumir esse papel secundário.

Desfecho

O resultado foi inevitável: estremecimento, críticas públicas do ex-prefeito ao sucessor e uma clara sinalização de rompimento político.

O déjà-vu

O cenário lembra um episódio já vivido por Clésio Salvaro no passado.

Impedido pela Justiça Eleitoral de disputar a prefeitura, ele elegeu seu vice, Márcio Búrigo, prefeito de Criciúma. Depois, os dois também romperam politicamente.

Mais adiante, Salvaro retornou à disputa municipal e derrotou Búrigo quando este tentava a reeleição. Agora, o filme parece ganhar um novo roteiro.

Alesc

Clésio Salvaro é candidato a deputado estadual e deverá fazer uma votação expressiva.

Mas o fato político relevante é outro: ele pode não contar com o apoio decisivo da máquina municipal de Criciúma.

Bomba

Foi nesse contexto que surgiu a declaração que sacudiu os bastidores políticos catarinenses.

Durante a inauguração do terceiro trecho do contorno viário de Criciúma, Vaguinho afirmou que ninguém irá ouvi-lo falar mal do governador Jorginho Mello durante a campanha eleitoral.

A frase

Mais do que isso, o alcaide criciumense disse que a única coisa que teria a dizer ao governador seria: “muito obrigado”.

A manifestação caiu como uma bomba dentro do PSD.

A grande dúvida agora é saber quais serão os desdobramentos políticos dessa posição.

Truculência

João Rodrigues é conhecido pelo estilo truculento. Exigiu a expulsão de Topázio Neto e Paulinho Bornhausen, que não se submeteram aos seus intentos.

E Vaguinho?

Adotará neutralidade? Cruzará os braços na disputa estadual? Não trabalhará nem para Jorginho nem para João Rodrigues? Ou caminhará efetivamente para integrar o projeto de reeleição do governador?

Constrangimento

O detalhe político é ainda mais delicado porque João Rodrigues estava no Sul exatamente quando a declaração foi feita.

E a situação ganhou contornos ainda mais evidentes em um evento noturno.

Tanto João Rodrigues quanto Jorginho Mello receberam o título de cidadão honorário de Nova Veneza, concedido pela Câmara de Vereadores. Depois, ambos participaram da abertura da tradicional Festa da Gastronomia do município.

Fora dessa

Nos bastidores e nos corredores do evento, um detalhe chamou atenção.

Quem circulou politicamente ao lado de Jorginho Mello foi justamente Vaguinho Espíndola, ignorando olimpicamente João Rodrigues.

Desgaste

O episódio ampliou ainda mais a percepção de desgaste interno no PSD do Sul do estado.

E não foi o único problema enfrentado por João Rodrigues na região.

No dia anterior, o pré-candidato do PSD já havia demonstrado irritação com manifestações vindas de Imbituba.

Pessedistas com Jorginho

A vice-prefeita do município e o presidente do PSD local, além de outros dois vereadores do partido, declararam apoio a Jorginho Mello.

João, ao seu melhor estilo, disse que, se pretendem permanecer no PSD, precisam reavaliar suas posições.

Araranguá

Para fechar o giro político pelo Sul, Jorginho Mello ainda arrancou outra manifestação extremamente simbólica em Araranguá.

Durante agenda administrativa e inaugurações no município, o prefeito César Antônio Cesa, do MDB, fez uma declaração de forte impacto político ao governador.

Nas urnas

Disse textualmente o emedebista:

“Deus lhe pague, porque o povo de Araranguá vai lhe pagar nas urnas.”

A fala repercute diretamente dentro do MDB, partido que trabalha na construção da aliança, com a participação de Antídio Lunelli ao Senado, e Carlos Chiodini — presidente estadual da legenda e nome cotado para compor como vice de João Rodrigues.

Tripé

Ao final da passagem dos pré-candidatos pela região Sul, uma pergunta inevitavelmente começou a circular nos bastidores políticos catarinenses:

Das três maiores prefeituras do Sul do estado, os três prefeitos estariam politicamente alinhados com Jorginho Mello?

Naturalidade

Em Tubarão, a situação é natural. Estêner Soratto é aliado e correligionário do governador.

Mas e Criciúma? E Araranguá?

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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