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Lula transforma visita institucional em palanque

O petista desembarcou em Itajaí para o batismo de uma fragata da Marinha.

28/06/2026 às 11h11
Por: Redação
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A terceira visita do presidente Lula a Santa Catarina teve muito mais cheiro de campanha do que de agenda institucional.

O petista desembarcou em Itajaí para o batismo de uma fragata da Marinha. Evento protocolar. Cerimônia militar. Mas não demorou para transformar o cais em palanque. Criticou Trump. Atacou adversários. Mirou Jorginho Mello. E chegou ao ponto de citar Adolf Hitler para falar sobre cotas raciais em Santa Catarina.

Numa cerimônia da Marinha, o presidente escolheu falar em Hitler. Diz tudo sobre o nível do debate que o PT está disposto a travar em terras catarinenses.

O discurso foi intenso. A substância, nenhuma. Nenhum anúncio concreto para o estado. Nenhuma obra, nenhum investimento, nenhum compromisso que o catarinense possa cobrar depois. Quem esperava agenda de governo saiu de mãos vazias. Quem esperava espetáculo eleitoral foi bem servido.

Contradição

No discurso, Lula defendeu o fortalecimento da soberania nacional e das Forças Armadas. Na prática, seu governo cortou bilhões do orçamento militar. Tirou recursos destinados à proteção das fronteiras. A fragata batizada em Itajaí é fruto de contratos anteriores.

Que prioridade é essa? Discurso eleitoreiro. Oba-oba. Não passa disso.

Eleição

O verdadeiro objetivo da visita parece ter sido outro: 2026.

Ao lado de Lula desfilaram lideranças petistas. Fotos de mãos dadas. Mais parecia que a campanha já tinha começado. O batismo foi só o pretexto.

Ausência

A decisão de Jorginho Mello de não participar da agenda presidencial também produz efeitos.

Do lado bolsonarista, o gesto é lido como coerência. Consolidação de identidade. Alinhamento político com o PL nacional. Funciona para o eleitor que Jorginho quer manter.

Do outro lado, o argumento já está pronto: o governador abre mão de reivindicar obras e investimentos para Santa Catarina. Não dá para só fazer política com a família Bolsonaro e institucionalmente ignorar Brasília. Um governador tem obrigação de reivindicar junto à União — independentemente de quem ocupa o Planalto. Esse flanco vai ser explorado na campanha. E não é de todo injusto.

Estratégia

Os dois lados jogam para públicos diferentes. E sabem exatamente o que fazem.

Lula tenta plantar bandeira em terreno hostil. Quer ampliar votação num estado que o rejeita com consistência. Jorginho quer consolidar o eleitorado de direita e manter o alinhamento com Bolsonaro.

São estratégias opostas. O que está em disputa é a fatia do eleitor catarinense que ainda não decidiu. Esse eleitor vai definir 2026.

Largada

No fim das contas, a fragata ficou em segundo plano.

O principal lançamento em Itajaí não foi o de um navio. Foi o da pré-campanha de 2026 — ao menos do lado petista.

Santa Catarina virou alvo. Os catarinenses fariam bem em prestar atenção nas próximas incursões presidenciais.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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