
Fatalidades
Tem muita gente jovem morrendo.
Na faixa de 40 - 50 anos.
Até com menos idade.
Principalmente de infarto e AVC.
Selva
Para muitos, a culpa é da vacina da Covid.
Para outros tantos, como eu, a causa é a insanidade diária.
A luta por espaço e aceitação.
A competitividade.
A sacanagem.
A mentira.
A inveja.
Gente do mal, infeliz, que quer furar o teu olho, te dar uma rasteira
Pressão
Algumas pessoas pressionadas produzem muito, outras não aguentam.
E nessa tensão, é necessário (diria até que obrigatório) ter uma saída.
Se você só trabalhar, vai pirar.
Vai adoecer.
Fuga
E os grupos de patotas, independentemente de modalidade esportiva ou segmento social, são essenciais para aliviar esse tiroteio.
Lógico, se você fizer uma atividade física, nem que seja por 15 - 20 minutos, sempre ajuda.
Porém, o mais importante exercício que se deve fazer é o mental.
Necessidade
Eu tenho um amigo que trabalha em banco (ou seja, com um 38 na cabeça).
No passado, sempre me dizia que contava as horas para participar do seu encontro semanal.
Achava aquilo um exagero.
Depois passei a entender perfeitamente o que ele sentia.
Em 2019, um outro amigo, que mexe com vendas (também com uma pistola apontada na têmpora), me convidou para fazer um teste em uma patota.
Eu estava há muito tempo parado, acomodado, pesado.
Com um segundo filho recém-chegado, minha mulher e eu, parafraseando Raul Seixas, éramos um "belo casal que paga as contas direito, bem comportado no leito.”
Regras
A turma era muito pra frente.
Gostava de um pós-jogo - como eu.
Mas era desorganizada antes da bola rolar.
Era difícil arrumar 10 cabeças para jogar - não existia multa.
Quando se formavam dois times, a pelada começava atrasada.
Quem participa de uma confraria sabe que comprometimento é fundamental.
5ª Tentativa
Isso irritava meu camarada.
Que já pensava em montar uma patota.
A desmotivação de outros participantes e a vinda da pandemia com suas paranóias, culminaram com o fim do grupo.
Vários ex-integrantes migraram para o novo projeto.
Tenho uma grande satisfação de ser um dos fundadores.
Conto os minutos para estar no Planet Ball às quintas-feiras.
Guerreiros
Sempre achei meio maluco quem joga futebol domingo, às oito da manhã - tem gente que joga até mais cedo.
Bastou produzir uma matéria para a NDTV Record com o Masteranos da Associação São Bernardo para jogar por terra minha visão distorcida.
Estive em um ambiente sadio, com pessoas do bem, que me acolheram e fizeram me sentir em casa.
Os “velhinhos” são amigos, parceiros, médicos e até terapeutas.
Não é exagero, não.
Depressão
Lá pude rever algumas figuras com quem joguei bola quando era moleque nos tempos da Cohab, no Fidélis.
Como o Álvaro Antônio Cordeiro, 64 anos.
Que há 14 anos tinha perdido, em um espaço de menos de um ano, do nada, o pai (caiu de um telhado e bateu a cabeça) e a mãe (que foi parar no hospital por causa de uma dor de cabeça e não voltou mais).
Foi uma porrada!
O ex-atacante do futebol amador (que largou a bola por 10 anos) tentou se suicidar, se revoltou com a vida.
Ainda convive com a dor, que jamais irá cicatrizar.
No entanto, largou os remédios de tarja preta e o divã.
E recuperou a vontade de viver.
Aneurisma cerebral
Assim como o Álvaro, eu bati um papo com o Márcio Pereira, 60 anos.
Ele também fez história no amador da região.
Nunca bebeu, nunca fumou, e em uma viagem a trabalho em São Bento do Sul, em outubro de 2019, teve a dilatação do vaso sanguíneo.
Passou 33 dias na UTI, em Mafra.
Ficou oito meses afastado.
O médico recomendou voltar a praticar esporte.
Retornou, não tem sequelas e continua jogando muito.
Parkinson
Conheci ainda a história do Haroldo Vieira, 64 anos.
1º sargento da Polícia Militar de São Paulo - também foi do exército.
Tem orgulho de comentar que fez parte da equipe que trabalhou na segurança do Papa João Paulo II, quando o chefe da igreja católica veio ao Brasil pela primeira vez, em 1980.
Saúde de ferro.
Até ser acometido, há cerca de cinco anos, pela doença que afeta o sistema nervoso central.
A fala e a memória não falham quando está em campo ou resenhando com os patoteiros.
Masteranos
O master/veteranos da São Bernardo são prova de que não dá para permanecer congelado no tempo.
Problemas todo mundo tem.
Uns mais, outros menos.
Por isso que a saúde mental é essencial para enfrentar os fantasmas do passado e encarar os estresses do momento.
Tendo parceiros e amigos ao seu lado, bem melhor, o fardo é muito mais leve.
Incorformismo
"Eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar.”
Raulzito/Ouro de Tolo.

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