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Carnaval e Ruídos

Ainda assim, neste ano, a folia abriu espaço para um episódio que reverberou com força em Brasília e irradiou efeitos para os estados, inclusive Santa Catarina.

17/02/2026 às 09h06
Por: Redação
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O período de Carnaval costuma impor uma espécie de trégua ao noticiário político, tradicionalmente escasso de fatos relevantes. Ainda assim, neste ano, a folia abriu espaço para um episódio que reverberou com força em Brasília e irradiou efeitos para os estados, inclusive Santa Catarina.

A decisão do Supremo Tribunal Federal de afastar Dias Toffoli da relatoria do caso envolvendo o escândalo do Banco Master — medida formalmente apresentada como voluntária, mas interpretada no meio político como fruto de forte pressão — acabou funcionando como gatilho para um movimento inesperado: a manifestação pública dos presidentes de duas siglas centrais da federação partidária formada por PP e União Brasil.

Mais do que o mérito do episódio judicial, o que chamou atenção foi a dimensão política da reação e o potencial de desgaste institucional para a própria federação, em um momento em que as articulações eleitorais já começam a ganhar densidade.

Reação isolada

Os presidentes Ciro Nogueira e Antonio Rueda divulgaram nota em defesa de uma posição institucional que não havia sido previamente debatida com bancadas ou instâncias partidárias.

A iniciativa surpreendeu o Congresso e expôs fissuras internas, sobretudo pelo caráter unilateral da manifestação.

Rebelião interna

A reação não tardou. Senadores do PP, sob a liderança de Tereza Cristina, divulgaram posicionamento próprio rejeitando o teor da nota e enfatizando que não houve consulta prévia.

Entre os signatários, o catarinense Esperidião Amin, reforçando o desconforto também no plano regional.

Desgaste federativo

O episódio cria um ruído relevante para a federação partidária. A percepção de que dirigentes nacionais agiram por conta própria, sem alinhamento interno, fragiliza a coesão política e levanta dúvidas sobre a capacidade de coordenação em ano pré-eleitoral — um ativo fundamental nas negociações estaduais.

Reflexos em SC

Em Santa Catarina, onde as alianças ainda estão em fase de maturação, qualquer contaminação reputacional tende a pesar nas composições.

Partidos e lideranças costumam ser sensíveis a sinais de instabilidade nacional, sobretudo quando há risco de transferência de desgaste para os palanques locais.

Saídas possíveis

Nos bastidores, duas hipóteses ganham força: uma reacomodação interna, com eventual revisão de posições, ou migrações estratégicas durante a janela partidária.

Ambas revelam que o episódio, ainda que surgido em pleno Carnaval, pode produzir efeitos prolongados no tabuleiro político.

No fim das contas, a folia passou, mas o ruído ficou — e tende a ecoar nas negociações que moldarão as alianças dos próximos meses.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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