
As discussões sobre mudanças no modelo de gestão do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) em Blumenau, iniciadas ainda em 2025, avançaram e passaram a ser detalhadas pela Prefeitura. Em nota oficial, o município esclareceu que a proposta de adoção de um modelo de gestão compartilhada tem como objetivo melhorar o atendimento à população, garantir sustentabilidade financeira e fortalecer a rede municipal de saúde.
Segundo a Secretaria de Saúde, atualmente, o SAMU de Blumenau opera com três equipes e enfrenta dificuldades recorrentes, especialmente relacionadas à manutenção das viaturas, reposição de insumos e organização das escalas de trabalho. Esses fatores impactam diretamente a disponibilidade das ambulâncias para atendimento de urgência. "O custo mensal do modelo vigente é de aproximadamente R$ 503,7 mil", informou a nota.
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Pelo formato de gestão compartilhada em estudo, a empresa contratada ficaria responsável pela frota, manutenção das ambulâncias, equipamentos, insumos, combustível e estrutura das bases operacionais. Já o município seguiria com a fiscalização do serviço prestado.
De acordo com estudos de mercado citados pela Prefeitura, o custo mensal desse modelo para manter a mesma estrutura ficaria entre R$ 350 mil e R$ 422 mil. A estimativa é de uma economia imediata de cerca de R$ 188 mil por mês, o que representa mais de R$ 2,2 milhões ao ano. Segundo a Administração Municipal, esses recursos seriam reinvestidos diretamente na área da saúde.
A Prefeitura também reforçou que nenhum servidor do SAMU será desligado. Todos os direitos trabalhistas estão garantidos, e os profissionais atualmente vinculados ao serviço serão realocados para a rede municipal de saúde e outros atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida deve ajudar a suprir carências existentes e reduzir a necessidade de novas contratações.
Outro ponto destacado é o crescimento populacional de Blumenau, que se aproxima de 400 mil habitantes. Esse cenário torna obrigatória a ampliação da capacidade de resposta do SAMU, com a implantação de uma quarta equipe. No modelo atual, essa expansão teria impacto significativo na folha de pagamento. Já na gestão compartilhada, a inclusão de uma nova equipe seria viabilizada com menor custo e maior eficiência operacional.
Ainda segundo a nota, a mudança permitiria a renovação da frota, redução do tempo de resposta, implantação de bases descentralizadas e maior agilidade no atendimento, sem prejuízos aos servidores e com ganhos diretos para a população. Ainda não há prazo de início do modelo compartilhado.
Segundo uma das servidoras, a terceirização não resolveria os problemas atuais e ainda poderia trazer riscos para o atendimento. Entre as preocupações estão maior rotatividade de trabalhadores, perda de qualidade e descontinuidade de protocolos já consolidados.
"O SAMU exige capacitação constante, experiência e agilidade. Terceirizar pode significar substituir equipes estáveis e treinadas por profissionais sem o mesmo preparo ou vínculo com o município", disse.
Em novembro do ano passado, a Comissão de Educação da Câmara Municipal de Blumenau discutiu o tema em reunião extraordinária. De acordo com a Prefeitura, a proposta de terceirização do SAMU não depende de aprovação do plenário da Câmara de Vereadores.
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