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Jogar a toalha

Ou seguir acreditando

10/07/2026 às 18h45 Atualizada em 10/07/2026 às 18h57
Por: Emerson Luis
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Fotos: Juh_photo/CA Metropolitano e Richard Ferrari/BEC
Fotos: Juh_photo/CA Metropolitano e Richard Ferrari/BEC

Frieza 

Comecei no rádio como setorista.

Função que não é mais exercida por aqui.

Pelo enfraquecimento da nossa mídia esportiva.

E também porque os times se fecharam em uma redoma.

Padrão Fifa

Entrevistas hoje em dia só em determinado horário, geralmente antes do treino.

De manhã ou de tarde - até porque só se trabalha em um período. 

No passado, a gente descobria muita coisa.

Porque havia interação. 

Hoje você não consegue furar essa bolha.  

Fontes

Busca-se, então, contato com pessoas de fora do clube, com quem tem uma certa aproximação com dirigentes ou jogadores.

Foi dessa forma que descobri, antes da publicação oficial do BEC (no começo da noite de quinta-feira), quem seria dispensado e quais as (possíveis) razões para o time ir do céu ao inferno em menos de 15 dias.

Treino desta sexta-feira no Garcia. Foto: Lucas Rodrigues/BEC

Insatisfação

Mesmo com o manjado papo furado no qual "o importante é fazer parte do grupo", todo mundo quer jogar.

Como também ninguém gosta quando o salário não cai na conta no dia combinado.

No Blumenau, o salário na carteira, vence dia 5.

Soube que ainda não foi pago - deve ser regularizado hoje.

E o direito de imagem, vence dia 22.  

Amotinados 

Depois de uma conversa pesada e de duras cobranças, seguido de uma caça às bruxas, descobriu-se (tardiamente) na quinta-feira (9), que Pedrinho, Brandão, Victor Hugo e Brown estavam contaminando o ambiente. 

Por conta desses dois temas - a reserva e o salário atrasado.

Ninguém do departamento de Futebol conseguiu enxergar a "conspiração" e alertar a diretoria?

Como o elenco se abalou com essas pirraças? 

Brown foi um dos dispensados. Foto: Richard Ferrari/BEC 

Mute 

Os envolvidos, que têm entre 21 e 25 anos, conseguiram combalir os bastidores de um time rodado, cheio de "macaco velho" e praticamente arruinar o projeto (acesso). 

Chega-se à conclusão que de fato, como tem dito com frequência nas transmissões da Blu Esportes, o Edmilson Luiz (Minhoca), que esse grupo não conversa, não se cobra, é passível demais - fora e dentro de campo.

Desmotivação

Dizem que a eliminação na Série D também contribuiu para essa "depressão".  

Havia uma expectativa alta de projeção, de acesso, de interesse de outros times, de melhores contratos.

E que a Série B não oferecia as mesmas possibilidades.     

Não serve de desculpas.

Pois foi o que restou, por ora, por culpa deles mesmos. 

E os adversários? 

Muitos disputam a segundona como se fosse a Copa do Mundo - basta olhar para os lados do Fidélis. 

Porque sabem que se destacando podem conseguir algo melhor.  

Sono

Nada justifica a apatia dos últimos dois jogos - contra o Fluminense e sobretudo diante do Juventus.  

A atuação de quarta-feira (8), então, foi pífia, patética. 

Típica de derrubar treinador.

Até porque soube que a relação de Carlos Correa com os atletas não é das melhores.

Quando um jogador se livra da bola, só dá tapa para os lados ou para trás, ou ainda faz lançamentos e cruzamentos inócuos, dá para desconfiar.

Recado

Não custa lembrar do recado do Marcão para alguns torcedores depois do jogo na Arena Joinville. 

“O problema está no banco”.

O capitão se referia aos quatro “agitadores” ou ao técnico?

2025

Sobre a performance de Carlos Correa, o clube entendeu (e também cobrou) que ele tem sua parcela de culpa.

Contudo, entende que não é o maior culpado - tem mais virtudes do que defeitos.

A diretoria bateu no peito e bancou o treinador.

Fez lembrar de Leandro Mehlich.

Quando era explícito (por mais que tentassem blindar) que havia animosidades.

Com a decisão, o BEC pode repetir o mesmo erro (ou acerto) de 2025.

2026

Qual foi o último grande jogo - especialmente no Sesi?

Há quase três meses - pelo menos na minha visão.

Na 2ª rodada (12 de abril), na vitória de 3 x 2 contra o Brasil de Pelotas, com um jogador a menos - Brandão foi expulso.

Até entendo querer liberar os laterais, mas não dá para enfrentar um adversário que está na zona do rebaixamento, em casa, com três zagueiros. 

Joga-se o tempo todo de uma forma e de repente, em um jogo decisivo, vital, muda o esquema?

Pior foi não produzir nada e voltar para o 2º tempo com a mesma formação. 

Carlos Correa. Foto: Lucas Rodrigues/BEC

Omissão

Correa tem seu percentual de erros na assustadora queda de rendimento - mesmo com os problemas internos.

O time está sem imaginação, é previsível, não tem jogada ensaiada, não empolga.

No entanto, nem toda a culpa é dele.

Os jogadores têm de querer mais, chamar a responsabilidade, voltar a jogar bola.

Precisam colocar o clube e a paixão da torcida acima de seus caprichos e interesses pessoais.

Atitude

Virtudes que sobraram ao Metropolitano na vitória sobre o Caravaggio.

O time está muito vivo e chega grande, com a confiança alta, para o difícil confronto com o Tubarão, domingo (12), às 15h, no sul do estado - o Peixe cresceu na reta final e vem de três vitórias seguidas.

Abandono

Quanto ao jogo de sábado (11), no Sesi, no mesmo horário, diante do Hercílio Luz, há uma desmotivação generalizada. 

Muitos torcedores compraram a ideia do time.

Jogaram a toalha.

Não acreditam mais no acesso.

Ninguém acha que a "sacudida" desta semana vá produzir algo diferente em campo.   

Carlos Correa consegue extrair mais alguma coisa dessa equipe? 

E os jogadores têm algo ainda a oferecer?   

Ariel Marques em ação contra o Cravaggio. Foto: juh_photo/CA Metropolitano 

Derrotismo

O desânimo da torcida é grande.

Tanto é que, por mais incoerente que possa parecer, o melhor cenário, é ser derrotado.

Deixar o Hercílio disparar na classificação. 

Para prejudicar o rival.

Muitos entendem que no clássico da próxima quarta-feira (15), o favorito, com sobras, pela debilidade atual do time, é o oponente.

Tem gente até temendo uma goleada.

Treino da semana na Altona. Foto: juh_photo/CA Metropolitano

 

 

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Emerson Luis
Sobre o blog/coluna
Jornalista com ampla experiência na cobertura esportiva, Emerson Luis assina uma coluna de opinião dedicada ao esporte no Vale do Itajaí. Com olhar crítico, linguagem direta e paixão pelo que faz, analisa os bastidores, os destaques e os desafios do cenário esportivo regional. Mais do que informar, busca provocar reflexões e valorizar os protagonistas do esporte local.
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