
Trinta anos após o lançamento de O Bruxo do Contestado, o romance do escritor blumenauense Godofredo de Oliveira Neto continua levando aos leitores uma das passagens mais marcantes e menos conhecidas da história do Brasil: a Guerra do Contestado. Publicada em 1996, a obra completa três décadas em 2026 e mantém viva a memória do conflito que ocorreu entre Santa Catarina e Paraná.
O livro foi inspirado na Guerra do Contestado, que aconteceu entre 1912 e 1916 na divisa dos dois estados. O episódio envolveu posseiros e pequenos proprietários de terras de um lado e, de outro, os governos de Santa Catarina, do Paraná e o Governo Federal, em uma disputa marcada por conflitos territoriais, sociais, econômicos e religiosos.
Nascido em Blumenau e integrante da Academia Brasileira de Letras, Godofredo de Oliveira Neto buscou inspiração em relatos ouvidos desde a infância. Entre eles estavam as histórias de familiares que viveram o período da Guerra do Contestado, como um tio conhecido como general Mesquita do Contestado.
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Na obra, o conflito se mistura às memórias dos personagens e a outros momentos marcantes da história brasileira, como a Segunda Guerra Mundial e os primeiros anos do regime militar instaurado em 1964.
A Guerra do Contestado começou após disputas por uma extensa área rica em madeira e erva-mate, reivindicada por Santa Catarina e Paraná. A construção da Estrada de Ferro São Paulo–Rio Grande provocou a desapropriação de terras e a expulsão de moradores, aumentando a tensão na região.
A morte do monge José Maria, na Batalha do Irani, em outubro de 1912, é considerada o estopim do conflito. Nos anos seguintes, milhares de soldados das forças estaduais e federais enfrentaram os sertanejos revoltados. O confronto terminou oficialmente em 1916, deixando milhares de mortos em combate, além de vítimas da fome e de epidemias.
Desde o lançamento, O Bruxo do Contestado recebeu reconhecimento da crítica, integrou listas de leitura de vestibulares e também foi adotado como material de estudo pela Academia Militar das Agulhas Negras.
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