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Sul entra no ritmo da sucessão

A agenda de João Rodrigues no Sul não se resumiu a uma simples visita política.

19/06/2026 às 18h21
Por: Redação
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A semana política catarinense convergiu integralmente para o Sul do estado. Não por acaso. A região se transformou, nos últimos dias, no principal palco da movimentação dos atores centrais da disputa ao governo em 2026. O roteiro não foi casual. Muito menos despretensioso.

Na terça e quarta-feira, o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, circulou por Criciúma, Araranguá e outros municípios da região Sul. Levou consigo uma mensagem cada vez menos velada nos bastidores: a de que está consolidado como o nome mapeado para compor dobradinha com o governador Jorginho Mello no projeto de reeleição. Ele renunciou à Prefeitura de Joinville para estar apto à disputa — mas somente as convenções vão oficializar as composições.

Adriano avança silenciosamente, apesar de estar submetido a fogo "amigo" vindo diretamente do PL. E avança porque reúne exatamente aquilo que interessa ao atual projeto governista: boa imagem administrativa, baixa rejeição, perfil técnico e capacidade de diálogo com o eleitor urbano e empresarial.

Colosso

Joinville, nunca é demais lembrar, é o maior colégio eleitoral de Santa Catarina. O eleitorado joinvilense foi decisivo, por exemplo, para as duas vitórias de Luiz Henrique da Silveira no começo do século.

PSD forte

Na quarta-feira, foi a vez de João Rodrigues desembarcar no Sul catarinense, região onde seu partido tem musculatura considerável. E não veio sozinho.

João circulou ao lado de Carlos Chiodini, nome já tratado como futuro vice da chapa, e também do senador Esperidião Amin. Com um detalhe politicamente relevante: Antídio Lunelli igualmente se incorporou à agenda. Todos vieram de Brasília.

Planalto Central

Tanto Chiodini quanto Antídio estiveram na capital federal em conversas com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi. Também participaram de encontros no Senado com o próprio Esperidião Amin.

Na prática, o movimento escancarou uma articulação cada vez mais orgânica entre MDB, Progressistas e o projeto liderado por João Rodrigues.

Roteiro estratégico

A agenda de João Rodrigues no Sul não se resumiu a uma simples visita política. Ainda na quarta-feira, o grupo esteve em Laguna. A programação segue até sábado, passando ainda por Imbituba, São Ludgero, Orleans, Tubarão e Braço do Norte.

Fincando o pé

Ou seja, João e seu grupo estão marcando presença intensiva numa das regiões eleitoralmente mais estratégicas de Santa Catarina.

Jorginho lá

Nesta quinta-feira chegou a vez de o governador Jorginho Mello transferir sua agenda para o Sul.

O chefe do Executivo desembarca em Criciúma para entregar obras rodoviárias e assinar novas ordens de serviço. Depois segue para Treviso, onde também formalizará novos investimentos.

Buona gente

A agenda se encerra à noite em Nova Veneza. E justamente ali ocorrerá um dos momentos politicamente mais emblemáticos da semana. Jorginho Mello e João Rodrigues estarão juntos no mesmo evento, recebendo o título de cidadão honorário da cidade.

Epicentro

Nova Veneza, que respira e transpira o sentimento italiano, reunirá praticamente todo o mundo político catarinense numa solenidade que ganha contornos muito além do caráter protocolar.

Novo cenário

Será o primeiro encontro público entre Jorginho e João depois da incorporação explícita de Antídio Lunelli ao grupo do ex-prefeito de Chapecó.

Antídio, vale lembrar, chegou inclusive a ser sondado para ocupar a condição de primeiro suplente da deputada federal Carol De Toni, mas resolveu mesmo reforçar as fileiras do projeto do PSD.

Dois campos

O cenário catarinense vai se consolidando, neste momento, em torno de dois grandes campos conservadores.

De um lado, Jorginho Mello, com a força da máquina estadual, os resultados administrativos e sua reconhecida habilidade política. Além de estar à frente de um governo sem escândalos, um contraste com o que acontece nacionalmente.

Esforço

Do outro, João Rodrigues estruturando uma frente oposicionista conservadora, buscando musculatura partidária e capilaridade regional.

Ambos percorrem o mesmo território político e disputam praticamente o mesmo eleitorado. A diferença, hoje, aparece nas pesquisas.

Primeiro turno

Os mais variados levantamentos seguem colocando Jorginho Mello acima da casa dos 50% das intenções de voto, normalmente oscilando entre 52% e 54%.

João Rodrigues, por sua vez, permanece estacionado há bastante tempo no teto dos 20%.

Canhotos reunidos

No extremo oposto, a esquerda está reunida em torno de Gelson Merisio, que começa a surgir como elemento importante do processo eleitoral.

O ex-conservador convertido ao socialismo entrou mais tarde no jogo, é verdade.

Crescimento

Merisio já começa a beliscar os dois dígitos nas pesquisas. A tendência observada nos bastidores é de que ele não fique abaixo dos 20 pontos percentuais ao longo da caminhada eleitoral, especialmente se houver repetição do fenômeno da verticalização nacional ocorrido em 2018 e em 2022.

Repeteco

Se esse cenário efetivamente prevalecer, Santa Catarina poderá novamente assistir à forte nacionalização do debate político.

Foi exatamente isso que ocorreu nos dois últimos pleitos estaduais.

Ilustre desconhecido

Em 2018, o candidato associado ao bolsonarismo, Carlos Moisés — absolutamente desconhecido — levou vantagem eleitoral, embora tenha ido ao segundo turno.

Chapa pura

Em 2022, novamente o candidato identificado com a direita bolsonarista saiu vencedor: Jorginho Mello, que também precisou disputar o segundo turno, naquela ocasião enfrentando Décio Lima, hoje novamente no jogo, agora como candidato ao Senado.

Na atualidade, é imperativo salientar, o cenário apresenta diferenças importantes. Jorginho Mello trabalha fortemente para liquidar a eleição já no primeiro turno. Há razões objetivas para isso.

Barbeiragens

Diferentemente de Carlos Moisés — que, além de ilustre desconhecido, chegou ao governo sem estrutura política consolidada, enfrentou o desgaste do episódio dos respiradores e costurou muito mal politicamente —, Jorginho reúne dois fatores decisivos: entregas administrativas e destreza política.

Ventos favoráveis

Por isso, neste momento, a projeção matemática do quadro chama atenção.

Se João Rodrigues permanecer na faixa dos 20%, Gelson Merisio consolidar outros 20% e Jorginho seguir acima dos 50%, o desenho aponta, hoje, para uma eleição resolvida em turno único.

Claro que estamos falando do momento. A campanha, de fato, ainda nem começou. Mas a fotografia atual da sucessão catarinense é exatamente esta.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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