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Gaeco investiga esquema de propina em contratos de merenda escolar em Blumenau em nova operação nesta quinta

Investigação aponta que agentes públicos recebiam “pedágio” de 3% sobre pagamentos de empresa de alimentação; desvios somam R$ 3,6 milhões.

07/05/2026 às 08h22
Por: Maurício Cattani
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Foto: Gaeco/Divulgação
Foto: Gaeco/Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a Operação "Arbóreo". Trata-se da terceira frente de investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) revelada hoje, desta vez focada em fraudes na licitação e execução de contratos de fornecimento de refeições para a rede pública de ensino de Blumenau.

Estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Blumenau, Indaial e Araucária (PR).

A regra dos 3%

A investigação revelou um esquema estável entre agentes públicos de alto escalão (primeiro e segundo escalões municipais) e representantes de uma grande empresa do setor alimentício. Segundo o Gaeco, o repasse de vantagens indevidas era sistemático: os investigados aplicavam o percentual fixo de 3% de propina sobre cada empenho pago pela prefeitura à empresa.

Estima-se que, em 30 meses (entre junho de 2022 e dezembro de 2024), o montante da propina tenha ultrapassado R$ 3,6 milhões. O contrato em questão foi rescindido pela Prefeitura de Blumenau em janeiro de 2025.

Logística da propina: O padrão 'bate e volta'

O método para o recebimento do dinheiro era rigoroso. Os envolvidos monitoravam os pagamentos públicos em tempo real. Assim que a fatura era liquidada pela prefeitura, um operador realizava viagens rápidas — no estilo "bate e volta" — até a sede da empresa em Araucária (PR) para buscar o dinheiro em espécie.

A redistribuição do dinheiro entre os agentes públicos ocorria em locais variados para evitar suspeitas, como:

  • Estacionamento da Prefeitura;

  • Supermercados;

  • Residências dos investigados.

Crimes e Nome da Operação

As condutas são investigadas como corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e organização criminosa. O nome da operação, "Arbóreo", faz referência a um tipo de arroz (ingrediente principal de pratos como o risoto), em alusão ao nome da empresa investigada.

O material e os dispositivos eletrônicos apreendidos passarão por perícia da Polícia Científica de Santa Catarina. O processo segue em segredo de justiça.

O que diz a prefeitura

A prefeitura de Blumenau ainda não se manifestou. 

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