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Operação Sentinela: Esquema criminoso teria lucrado sobre contrato de segurança feito após tragédia em creche de Blumenau

Investigação apura corrupção em contratos de segurança e limpeza entre 2021 e 2024.

07/05/2026 às 08h05 Atualizada em 07/05/2026 às 08h11
Por: Maurício Cattani
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Foto: MPSC/Divulgação
Foto: MPSC/Divulgação

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a Operação "Sentinela". A ação cumpre 21 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Florianópolis e Itajaí, no Vale do Itajaí e Litoral catarinense.

A investigação, conduzida pela 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau, apura um esquema de corrupção estruturado envolvendo servidores públicos e empresários. O grupo é suspeito de fraudar licitações e superfaturar contratos nas áreas de:

  • Segurança patrimonial;

  • Limpeza urbana;

  • Serviços especializados.

Fraude em contrato após tragédia em creche

De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), um dos pontos centrais da investigação recai sobre a dispensa de licitação para a contratação de vigilância armada nas escolas municipais de Blumenau.

A medida foi tomada em caráter emergencial logo após o ataque à Creche particular Cantinho Bom Pastor, ocorrido em 5 de abril de 2023. Segundo as provas colhidas, informações sigilosas de empresas concorrentes foram compartilhadas indevidamente. Isso permitiu que a empresa vencedora ajustasse sua proposta com um "desconto mínimo" estratégico, garantindo um contrato que ultrapassou os R$ 9 milhões.

"O nome da operação evidencia a contradição entre a finalidade do contrato — a proteção da coletividade — e as condutas ilícitas apuradas", informou o MPSC em nota.

Como funcionava o esquema

As investigações apontam que o grupo atuava em diversas frentes para desviar recursos públicos e ocultar o rastro do dinheiro:

Manipulação de Editais: Havia ajuste prévio de preços e exclusão indevida de concorrentes para beneficiar empresas específicas.

Lavagem de Dinheiro: Os investigados utilizavam notas fiscais simuladas, depósitos fracionados e "laranjas" (pessoas e empresas interpostas), inclusive no setor de combustíveis.

Pagamento de Propina: O dinheiro era convertido em espécie e entregue fisicamente a agentes públicos e intermediários políticos.

Próximos passos

Os mandados de busca e apreensão visam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e mídias para consolidar as provas de materialidade e autoria. A operação conta com o apoio da Polícia Científica e da Secretaria da Fazenda Estadual.

Uma coletiva de imprensa está agendada para as 10h30 desta quinta-feira, em Blumenau, onde os promotores e a equipe do GAECO devem detalhar os desdobramentos da operação. O processo corre sob sigilo judicial.

O que diz a prefeitura 

O AJ Notícias entrou em contato com a prefeitura de Blumenau que ainda não se manifestou sobre a operação. 

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