
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (7), a Operação "Sentinela". A ação cumpre 21 mandados de busca e apreensão em Blumenau, Florianópolis e Itajaí, no Vale do Itajaí e Litoral catarinense.
A investigação, conduzida pela 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau, apura um esquema de corrupção estruturado envolvendo servidores públicos e empresários. O grupo é suspeito de fraudar licitações e superfaturar contratos nas áreas de:
Segurança patrimonial;
Limpeza urbana;
Serviços especializados.
De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), um dos pontos centrais da investigação recai sobre a dispensa de licitação para a contratação de vigilância armada nas escolas municipais de Blumenau.
A medida foi tomada em caráter emergencial logo após o ataque à Creche particular Cantinho Bom Pastor, ocorrido em 5 de abril de 2023. Segundo as provas colhidas, informações sigilosas de empresas concorrentes foram compartilhadas indevidamente. Isso permitiu que a empresa vencedora ajustasse sua proposta com um "desconto mínimo" estratégico, garantindo um contrato que ultrapassou os R$ 9 milhões.
"O nome da operação evidencia a contradição entre a finalidade do contrato — a proteção da coletividade — e as condutas ilícitas apuradas", informou o MPSC em nota.
As investigações apontam que o grupo atuava em diversas frentes para desviar recursos públicos e ocultar o rastro do dinheiro:
Manipulação de Editais: Havia ajuste prévio de preços e exclusão indevida de concorrentes para beneficiar empresas específicas.
Lavagem de Dinheiro: Os investigados utilizavam notas fiscais simuladas, depósitos fracionados e "laranjas" (pessoas e empresas interpostas), inclusive no setor de combustíveis.
Pagamento de Propina: O dinheiro era convertido em espécie e entregue fisicamente a agentes públicos e intermediários políticos.
Os mandados de busca e apreensão visam recolher documentos, equipamentos eletrônicos e mídias para consolidar as provas de materialidade e autoria. A operação conta com o apoio da Polícia Científica e da Secretaria da Fazenda Estadual.
Uma coletiva de imprensa está agendada para as 10h30 desta quinta-feira, em Blumenau, onde os promotores e a equipe do GAECO devem detalhar os desdobramentos da operação. O processo corre sob sigilo judicial.
O que diz a prefeitura
O AJ Notícias entrou em contato com a prefeitura de Blumenau que ainda não se manifestou sobre a operação.
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