
Uma investigação minuciosa, iniciada há cerca de dois anos, resultou na deflagração da Operação Ponto Final na manhã desta quarta-feira (6). Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), a ação mirou um sofisticado esquema de cartel, superfaturamento e corrupção em contratos de obras públicas no estado de Santa Catarina.
Ao todo, 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em 16 municípios catarinenses. O material colhido servirá para embasar a ação penal que será apresentada pela 14ª Promotoria de Justiça de Blumenau.
✅ Clique aqui para seguir o canal AJ Notícias no WhatsApp
Em entrevista, o Delegado da Polícia Civil, Diones Pavoni de Freitas, integrante do GAECO, detalhou como a organização criminosa conseguia ocultar os valores ilícitos e garantir o lucro das empresas envolvidas. Segundo ele, o esquema ia muito além da fraude em licitações, alcançando mecanismos complexos de lavagem de capitais.
"Foram identificadas práticas criminosas como a lavagem de capitais para que houvesse o escoamento desse dinheiro. Uma das formas de retorno do pagamento da propina se dava por meio de uma rede de postos de combustíveis, onde eram simulados abastecimentos e emitidas notas fiscais para 'esquentar' o dinheiro", revelou o delegado Freitas.
O delegado também destacou o papel central de agentes públicos de alto escalão na Prefeitura de Blumenau durante o período investigado (2020-2024).
"Esse agente público era o articulador principal. Ele sentava à mesa com os empreiteiros e definia quais obras cada empresa venceria e o valor que seria atribuído a cada contrato. Foram observados diversos aditivos contratuais, feitos através de expedientes fraudulentos, para obter o lastro financeiro necessário para abastecer o pagamento de propina aos agentes públicos", explicou Freitas.
A investigação aponta que a organização era dividida em três núcleos:
Núcleo Econômico: Composto por empresários do ramo da construção civil (pontes, pavimentação, etc).
Núcleo Público: Servidores que facilitavam as fraudes e direcionavam as licitações.
Núcleo Técnico: Engenheiros e fiscais responsáveis por medições fraudulentas e subdimensionamento de contratos.
O Ministério Público estima que, dos R$ 570 milhões movimentados nos contratos sob suspeita, o prejuízo direto aos cofres públicos chegue a R$ 117 milhões. Durante as buscas de hoje, os agentes apreenderam aproximadamente R$ 400 mil em espécie, além de dispositivos eletrônicos e documentos.
Apesar de não terem sido efetuadas prisões preventivas nesta fase, o Judiciário determinou o uso de tornozeleira eletrônica para dois investigados e a proibição de que as empresas envolvidas firmem novos contratos com o poder público (esferas municipal, estadual e federal).
O material apreendido passará agora por perícia técnica. "A sequência agora é aguardar a perícia de todo esse material — documentos e equipamentos. Assim que for extraído, será feito um relatório final pelo GAECO para a apresentação da ação penal", concluiu o Promotor Marcionei Mendes.
A Prefeitura de Blumenau manifestou-se em nota, afirmando que colabora integralmente com as autoridades e que preza pela total transparência e legalidade em seus processos administrativos.
Mín. 19° Máx. 32°