
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou um procedimento preparatório para investigar a conduta do delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, durante as investigações da morte do cão comunitário Orelha. A decisão, confirmada nesta terça-feira (10), ocorre após o órgão receber diversas representações contra o chefe da instituição.
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A 40ª Promotoria de Justiça da Capital busca apurar se houve excessos ou ilegalidades nas manifestações públicas do delegado-geral sobre o caso, que tramitava sob sigilo.
O MPSC foca em três frentes principais para avaliar a conduta de Ulisses Gabriel:
Violação de Sigilo Funcional: Investiga se houve vazamento de informações ou quebra do sigilo de dados do inquérito policial.
Improbidade Administrativa: Apura se o delegado utilizou a estrutura e a publicidade oficial para promoção pessoal, agindo como protagonista das iniciativas públicas em perfis pessoais de redes sociais.
A investigação sobre a conduta do chefe da polícia surge em paralelo a críticas do Ministério Público sobre a condução do "Caso Orelha". Na última segunda-feira (9), o MPSC apontou lacunas na investigação, deu prazo de 20 dias para que depoimentos fossem refeitos e solicitou à Justiça a exumação do corpo do animal para uma perícia direta, como noticiou o AJ Notícias.
Em nota, ao AJ Notícias, Ulisses Gabriel afirmou que ainda não foi notificado oficialmente, mas disse estar "absolutamente tranquilo". Ele defende que as informações compartilhadas em coletivas de imprensa eram de conhecimento público e que nunca identificou os investigados.
Não fui notificado sobre a instauração do procedimento preparatório. Mas pelo que entendi a instauração decorre de supostas falas na coletiva da imprensa do dia 27/01.
Estou absolutamente tranquilo e confio na atuação do Ministério Público. Não tenho como responder por abuso de autoridade, muito menos por violação de sigilo funcional, pois não sou e nunca fui responsável pela investigação. E as informações que recebi e declarei em coletiva não eram sigilosas, mas de conhecimento público. Todas as entrevistas nunca citaram nomes ou apresentaram fotos ou vídeos que identificam os investigados, sendo que que o inquérito policial que apurou a possível coação no curso do processo era público.
Estou à disposição do Ministério Público para esclarecer o que for perguntado.
Saliento que há informações de representações no MP em contexto apresentadas por movimentos políticos e motivações escusas ideológicas contra a PC e SC.
Respeitosamente.
Ulisses Gabriel
Delegado-Geral da Polícia Civil
O cão Orelha era um animal comunitário querido por moradores da Praia Brava, em Florianópolis. Ele foi agredido no dia 4 de janeiro e morreu no dia seguinte devido a um traumatismo craniano causado por um objeto contundente. O inquérito da Polícia Civil indiciou um adolescente pelas agressões e três adultos por coação de testemunhas.
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