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“Não fui contaminado pelo vírus do Poder”: relembre a trajetória do ex-prefeito de Blumenau, Victor Sasse

Com uma carreira marcada pelo compromisso com a educação e responsabilidade fiscal, Sasse conta ao AJ Notícias os desafios e conquistas à frente da Prefeitura de Blumenau.

04/09/2025 às 18h50 Atualizada em 05/09/2025 às 11h12
Por: Franciele Back
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Foto: Arquivo Pessoal/Victor Sasse
Foto: Arquivo Pessoal/Victor Sasse

Aos 175 anos, a história política de Blumenau não é apenas lembrada, mas também escrita todos os dias. O ex-prefeito da cidade, Victor Fernando Sasse, por exemplo, construiu uma trajetória marcada pela seriedade na gestão pública e pelo compromisso com a educação e a ética no serviço público.

Professor de formação e vocação, atuou em instituições como a FURB e a Univali, sempre ensinando para turmas de adultos, o que, segundo ele, ampliou sua sensibilidade às diferentes visões e realidades sociais. Antes de assumir o cargo de prefeito, Sasse já havia se destacado na vida pública como vereador, secretário estadual, presidente de partido e como vice-prefeito ao lado de Vilson Kleinubing, com quem formou uma chapa vitoriosa nas eleições municipais.

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Durante sua gestão, Sasse se destacou por iniciativas estruturais importantes, com ênfase no saneamento básico, especialmente na ampliação do sistema de abastecimento de água, considerada por ele a maior obra de seu mandato.

Mesmo com uma trajetória consolidada na política, Sasse afirma não ter sido seduzido pelo poder e destaca que sua formação sempre foi mais voltada à gestão técnica e administrativa. 

Confira a entrevista completa

O senhor é professor de formação, certo? Como foi essa atuação até a aposentadoria?

Gratificante!  Ser Professor é exercer a mais nobre das profissões. É através do ensino que doamos não só os nossos conhecimentos, mas também testemunhamos a nossa formação ética e moral. Fui professor por vocação.

Sempre lecionei para alunos adultos, muitos até mais idosos do que eu, o que me permitiu conviver com opiniões, conhecimentos e convicções diferentes. Este é, em verdade, o mosaico que molda o processo ensino-aprendizado.

Lecionei na FURB e Univali as disciplinas Projetos, Política e Programação Econômica, atuando por três anos no Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra.

Como você decidiu que seria candidato a vice-prefeito de Blumenau? Como foi aquela eleição na época? Difícil?

Eu não decidi ser candidato a Vice-Prefeito. Na eleição de 1982 obtive a maior votação individual para Prefeito, não sendo eleito em decorrência da sublegenda partidária. Esta votação me colocou em evidência no meio político de Blumenau.

Como fui convidado para integrar o Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, não pensava em voltar à política Partidária em Blumenau.

Quando Vilson Kleinubing foi sondado para ser candidato a Prefeito em Blumenau, ele condicionou aceitar o desafio desde que eu fosse seu candidato à vice. Eu resisti a proposta por um bom tempo, porém a pressão aumentou de tal forma fazendo com que eu concordasse em participar mais uma vez na campanha eleitoral em Blumenau.

A campanha eleitoral foi difícil sim!

O Vilson passou a ser o forasteiro, mesmo tendo obtido expressiva votação em Blumenau na eleição para Governador três anos antes. O candidato da situação era o Renato Viana, líder inconteste, admirado pelo eleitor Blumenauense que já o elegera Prefeito em anos anteriores.

Depois da prefeitura você não quis mais continuar na política? Porque?

Mesmo tendo exercido cargos e funções de natureza política, como Vereador, Presidente de Partido, Secretário do Governo de Santa Catarina e Prefeito de Blumenau, não fui contaminado pelo vírus do Poder.

A minha formação sempre foi mais administrativa do que política. Tendo exercido atividades profissionais, entre elas: Assessor Contábil - na Contadoria Geral do Estado, Assessor Técnico do Poder Executivo Estadual, Diretor de Finanças da CELESC, Diretor Geral do Conjunto Educacional Pedro II em Blumenau e Administrador Regional da CELESC no Vale do Itajaí.

Na FURB, onde lecionei por vários anos, desenvolvi igualmente outras funções além de professor, tais como: Diretor do Instituto de Planejamento, Chefe do Gabinete da Reitoria e, por fim, Diretor Geral da FURB TV.

Durante sua gestão na prefeitura de Blumenau, quais foram os maiores desafios enfrentados pela administração municipal e como o senhor os superou?

Os desafios que um prefeito enfrenta são grandes. O prefeito é considerado pelos cidadãos quase como um pai de família. Dele se espera o melhor possível para o bem-estar de todos.

É preciso gostar de Gente para ser um bom governante!

O maior desafio ocorreu antes de assumirmos o governo em Blumenau. O caixa da Prefeitura estava a zero! O décimo terceiro salário não havia sido pago e não havia perspectiva de pagamento. O Sindicato anunciou greve para o dia 02 de Janeiro.

A partir de 20 de dezembro de 1988 exerci, com a Secretária da Fazenda, Sra. Ilona Brueckheimer, o controle das finanças municipais.

Antes de assumirmos o governo, em 21 de dezembro de 1988, fizemos um empréstimo junto ao BESC, no valor de Cz$ 400.000.000,00, em nome de Vilson Kleinubing, sendo avalistas Ingo Hering, Artur Fouquet Junior e Victor Fernando Sasse, com a finalidade de pagamento do décimo terceiro para os servidores da Prefeitura, Câmara de Vereadores e Autarquias. Assinei mais de três mil cheques para o pagamento do décimo terceiro, numa prática totalmente ilegal, mas a única maneira para iniciarmos o governo sem greve.

Dois dias após a posse, mulheres do bairro da Velha Grande vieram lavar roupas no chafariz da Prefeitura, numa demonstração evidente de protesto pelo precário abastecimento de água à população em quase todo Município.

O lixo era recolhido até com caminhões caçamba. Era o caos!

O déficit da Prefeitura foi, em 31 de dezembro de 1988, de Cz$ 2.910.316.391,90.

Assumi a Secretaria da Fazenda e consegui equilibrar as contas no período de cinco meses, quando demos início, propriamente, ao plano de governo.

Qual projeto ou obra o senhor considera como o maior legado deixado à cidade de Blumenau?

A maior obra deixada pelo governo Kleinubing/Sasse, foi, sem dúvida, o abastecimento de água por beneficiar praticamente toda a população Blumenauense, culminando com a construção da estação de tratamento de água no bairro Progresso.

         Como o senhor avalia a relação entre a Prefeitura e a população durante seu mandato? Houve escuta ativa e participação popular?

No período em que exerci o cargo de Prefeito, tive estreito relacionamento com o cidadão Blumenauense, prestigiando as Associações de Moradores, recebendo as terças-feiras à tarde, em audiências públicas as reclamações e reivindicações dos eleitores, mantendo também um programa de Rádio, denominado Fala Prefeito, de periodicidade semanal, onde prestava contas dos principais atos da Prefeitura.

No campo econômico, quais políticas públicas foram implementadas para impulsionar o desenvolvimento e a geração de empregos na cidade?

No campo econômico a principal atuação foi o saneamento das finanças municipais e controle fiscal, permitindo alcançar um superávit, ao finalizar o mandato, no valor de Cr$ 2.276.530.349,00.

Em Blumenau constatamos a existência de pleno emprego, ocorrendo migração de mão de obra de outros Estados, principalmente do Paraná.

O fator relevante da administração municipal foi o de implantar uma infraestrutura capaz de suportar o crescimento econômico. Uma das atividades neste particular foi o incremento do turismo, com destaque para a Oktoberfest, que chegou a registrar um público superior a um milhão de frequentadores em 1992.

Outro aspecto de grande repercussão econômica foi o decisivo apoio dado em 1992, na implantação do Blusoft, entidade voltada para o treinamento e atualização de recursos humanos, fator decisivo para Blumenau se transformar no segundo maior Polo Tecnológico de Santa Catarina.

O senhor tem muito conhecimento na área da educação, quais foram as principais medidas adotadas em relação à esse tema durante seu mandato em Blumenau?

A menina dos olhos, durante o meu mandato, foi, sem dúvida, a Educação!

Uma das medidas marcantes foi implantar a eleição direta para o exercício do cargo de Diretor de Escolas e Pré-Escolas, a exemplo, do modelo já adotado na FURB e sem necessidade de lista tríplice.

O modelo adotado em Blumenau, pioneiro no Estado, afastou a interferência política na educação.

A adoção de um plano para a educação permitiu a implantação do Conselho Municipal, dando autonomia para o setor.

A remuneração do magistério alcançou o maior valor praticado em Santa Catarina, quer municipal, quer estadual.

O valor constitucional que estabelece a aplicação, no mínimo, de 25%¨das receitas para a educação, sempre foi suplantado, permitindo ainda, um repasse para a FURB que foi o mais elevado em todas as administrações municipais.

O que o senhor aprendeu pessoalmente com a experiência de ter sido prefeito?

O principal aprendizado foi saber que governar uma cidade como Blumenau requer muita renúncia, e a prática de princípios éticos e morais.

É comum ouvir dizer que o poder corrompe. Pratiquei um mandato valorizando pessoas, exigindo respeito, responsabilidade e sobre tudo honestidade.

Procurei ser justo, nunca fazendo promessas que sabia não poder cumprir.

Sinto-me gratificado por ter tido a oportunidade de governar por três anos esta cidade que é modelo e orgulho para nós Blumenauenses, como para todo o Brasil.

Na sua opinião, quais são os maiores desafios que Blumenau enfrentará nos próximos anos, e como a gestão pública deve se preparar para enfrentá-los?

São vários desafios que Blumenau já enfrenta!

Precisamos encarar o controle do meio ambiente como dever e como prioridade para nossa própria sobrevivência. Neste sentido, há necessidade de redimensionarmos o gabarito das construções em Blumenau, impedindo a continuidade de edifícios com dimensões que inviabilizam a mobilidade e afrontam o meio ambiente, como ventilação e insolação.

Outro desafio é o controle, urgente, de aterros que ocorrem indiscriminadamente, agravando seriamente a segurança material e pessoal com enxurradas e inundações.

Aperfeiçoar o transporte público a fim de viabilizar o deslocamento de pessoas, reduzindo o elevado índice de transporte individual.

Priorizar o turismo regional, consolidando nossa Blumenau como cidade polo no Vale do Itajaí, notadamente com a construção do Centro de Convenções.

Implantar a Guarda Municipal visando alcançar melhores níveis de segurança pessoal e patrimonial.

Criar novos parques municipais em bairros de elevada densidade populacional, e também construir um Mercado Público.

Nosso objetivo deve ser o de manter Blumenau como a melhor Cidade para se viver!

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PauloHá 3 meses Blumenau SCEste sim foi um verdadeiro gestor público, dissociado da canalhice que permeia política partidária. Quem dera tivéssemos imperando na área pública homens honestos e espelhados na conduta deste Senhor.
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