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Emerson Luis. Esporte: Desperdício

Emerson Luis. Esporte: Desperdício

06/09/2024 às 15h17 Atualizada em 06/09/2024 às 18h17
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Foto: Gustavo_Moreno/CBDA_Press
Foto: Gustavo_Moreno/CBDA_Press

Para se perder na vida é fácil.

Conheço pessoas inteligentes que fraquejaram, tomaram decisões erradas, jogaram fora uma carreira promissora.

Quando tentaram consertar o estrago, já era tarde.

Isso vale para todas as profissões, incluindo a de esportistas.

Time de basquete de Blumenau no Ginásio Galegão. Foto: Sidnei Batista

Têm atletas que cansaram de mendigar ajuda para disputar uma competição de ponta, fora do estado ou do país.

Que poderia colocá-los em outro patamar.

Não enxergaram mais perspectivas.

Jogaram a toalha.

Equipe de bolão 23 do Água Verde, campeão da Taça de Prata. Foto: ADC Água Verde

Outros se destacaram em eventos de grande porte, chegaram à seleção, passaram a ganhar um salário acima da média para seus padrões, digamos, habituais.

Muita coisa muda.

Você aparece mais na mídia.

Fica "famoso".

Time de vôlei durante partida da Superliga no Ginásio Sebastião Cruz. Foto: Bluvôlei

Começa a tirar foto.

Passa a ser paparicado.

Bajulado.

Testado.

Tentado.

Metropolitano e Blumenau na Série B em Ibirama. Foto: Richard Ferrari

Os convites jorram aos montes.

Os "amigos" brotam do nada.

Se não tiver cabeça ou se achar insubstituível, já era.

Pois a fama é uma serpente.

Integrantes da Patota 5ª Tentativa em sua estreia no Planet Ball. Foto: Guilherme Guenther

Foi o que aconteceu com um personagem talentoso e carismático e, até então, vencedor, que estava prestes a competir no seu auge como atleta.

Seleção Brasileira de Futsal na Copa América. Foto: CBFS

Já o entrevistei algumas vezes.

Quando soube da sua mudança de rota (festas e consequentemente queda de rendimento), fiquei de cara, triste.

Porque, até prova em contrário, se imagina que todo mundo têm sonhos, quer viver bem, ajudar a família.

Não estou apontando o dedo ou julgando sua opção.

É apenas um alerta.

Para qualquer um.

Espero que consiga se reencontrar consigo mesmo, se reerguer, voltar a performar em alto nível, colocar a cabeça no lugar.

E respeitar, valorizar quem sempre apostou no seu potencial.

Karatê do Brasil nas Olimpíadas de Paris. Foto: COB

Em qualquer ambiente ou circunstância, a pressão por resultados vai sempre existir.

A pressão é democrática.

Atinge quem busca sair do anonimato.

Ou quem conseguiu chegar ao estrelato.

O documentário de Simone Biles (de, por enquanto, apenas dois capítulos disponíveis na Netflix), retrata bem esse tipo de coerção.

A cobrança interna e externa.

Que expõe o atleta, o ser humano no limite de sua relação entre as emoções e o rendimento.

A necessidade de ter saúde mental.

Nas derrotas.

E até mesmo nas vitórias, mesmo com desempenhos excepcionais, como é o seu caso.

Biles foi considerada pelos norte-americanos como invencível, imbatível, invulnerável, perfeita.

O fato de ser negra aumentou a obsessão.

Assedio, que não duvido, Rebeca Andrade terá de encarar daqui em diante.

Pois no fim, tudo tem um preço.

Rebeca Andrade e a medalha de ouro no solo conquistada em Paris. Foto: Internet

PS. Até para não cometer nenhum equivoco ou injustiça, lembro que as fotos desta publicação (exceção das ginastas) são aleatórias, meramente ilustrativas.

Porque diante de um tema tão delicado, seria muito irresponsável de minha parte expor alguém.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa.     

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