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O retorno de Merisio

E já nesse primeiro movimento público, o ex-deputado tratou de imprimir o tom que pretende adotar na campanha.

20/04/2026 às 08h48
Por: Redação
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Depois de oito anos afastado da militância político-partidária eleitoral — período em que atuou apenas nos bastidores —, Gelson Merisio voltou à cena. E não foi de forma discreta. O reaparecimento ocorreu em Florianópolis, no evento da Frente de Esquerda que oficializou o quarteto da chapa majoritária para a disputa em Santa Catarina.

A composição vem encabeçada pelo próprio Merisio, tendo Ângela Albino como candidata a vice, além das candidaturas de Décio Lima e Afrânio Bopré ao Senado. E já nesse primeiro movimento público, o ex-deputado tratou de imprimir o tom que pretende adotar na campanha.

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Autocrítica

Fez uma autocrítica explícita: disse estar mais compreensivo, mais maduro, mais sereno e menos explosivo. Ao mesmo tempo, sinalizou com clareza que buscará um contraponto no discurso e no embate eleitoral com o governador Jorginho Mello, a quem reconhece como favorito.

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Memória

Mas não sem lembrar — com evidente intenção estratégica — que também era considerado favorito em 2018, quando acabou atropelado pela onda bolsonarista.

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Antecipação

Antes mesmo que adversários explorassem sua trajetória recente, Merisio se antecipou. Admitiu que apoiou Jair Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno de 2018, contextualizando a decisão dentro do ciclo político nacional daquele momento. Ainda assim, afirmou sentir-se à vontade para empunhar agora a bandeira do PT, da esquerda e de Lula da Silva em Santa Catarina.

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Desconforto

Mas o gesto político não veio sem ruídos. No vídeo em que lideranças de esquerda entoavam a tradicional marchinha ligada a Lula, Merisio aparentou desconforto. Tentou demonstrar naturalidade, mas o esforço não foi suficiente para ocultar certa inibição — algo perceptível em alguém que construiu sua trajetória como político de centro, com inclinações mais à direita, e que agora assume o protagonismo de uma chapa claramente posicionada à esquerda.

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Chamamento

O próprio Merisio revelou que, há cerca de dois meses, foi chamado por Lula para assumir a liderança do embate político em Santa Catarina. Encarou o convite como uma missão: reduzir a vantagem dos conservadores sobre os campos progressistas no estado. Segundo relatou, ouviu do próprio presidente que Santa Catarina foi a unidade da federação onde Lula teve, proporcionalmente, seu pior desempenho em 2022.

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Primeiro passo

O discurso, neste primeiro momento, foi deliberadamente contido. O candidato afirmou que não era hora de estender demais as falas, indicando que o aprofundamento do confronto político ficará para a fase seguinte. Ainda assim, deixou claro que, a partir de agora, o caminho está aberto para a disputa eleitoral.

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Cortando na carne

Há, porém, elementos relevantes que não foram mencionados publicamente, mas orbitam essa construção política. Entre eles, o papel dos irmãos Batista, acionistas da JBS. Merisio foi um dos articuladores da reaproximação dos empresários com Lula, após os episódios de delação que atingiram o então ex-presidente, hoje novamente no comando do Palácio do Planalto.

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Interlocução

Além disso, pesa nos bastidores a atuação do ex-deputado na interlocução que contribuiu para atenuar a situação dos irmãos no Supremo Tribunal Federal, valendo-se de sua rede de contatos na Suprema Corte.

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Fechados

No tabuleiro eleitoral, o contraste de estágios entre as candidaturas chama atenção. Enquanto Merisio surge já com chapa estruturada em sua primeira aparição pública, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, segue em pré-campanha há cerca de dois anos e meio sem fechar completamente sua composição.

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Quarteto de dois

Por ora, conta apenas com seu nome ao governo e o de Esperidião Amin ao Senado, ainda sem definição de vice e de um segundo nome para a disputa senatorial.

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Organizados

Do outro lado, a esquerda não apenas apresentou sua chapa completa, como também já anunciou os suplentes de ambos os candidatos ao Senado — um indicativo claro de organização e antecipação estratégica.

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Todo vapor

O calendário eleitoral impõe ritmo acelerado. A pré-campanha já está em curso. As convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. O prazo para registro das candidaturas vai de 6 a 15 de agosto. E a campanha oficial começa em 16 de agosto, com duração de 50 dias.

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Bola rolando

Ou seja: o jogo já começou. E, a partir de agora, cada movimento — sobretudo de quem ainda não consolidou sua posição no tabuleiro — passa a ter peso decisivo na definição dos rumos políticos de Santa Catarina.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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