
O Grupo ND está completando 35 anos.
Alguns personagens que fizeram parte dessa história estão sendo convidados a prestar depoimentos sobre um fato jornalístico marcante nessa trajetória.
Henrique Zanotto falou da neve no Morro do Cambirela em Palhoça em 2013.

Márcia Dutra destacou as chuvas e os ventos fortes provocados pelo Furacão Catarina em 2004.

E eu fui escolhido para relembrar a passagem da Tocha Olímpica por Gaspar e Blumenau em 2016.

Foi um momento marcante para as 70 pessoas que conduziram a chama por 200 metros.

Também serviu para que eu fizesse uma reflexão e uma comparação da força do esporte blumenauense no passado (não tão distante).

E do cenário atual.

O nosso histórico olímpico impressiona, é pesado.

Ana Moser foi a precursora ao ganhar a primeira medalha.
O bronze do vôlei em 1996, em Atlanta.

Antes, em 1984, também nos Estados Unidos, em Los Angeles, Marcelo Greuel foi o primeiro atleta de Blumenau a disputar os Jogos.
O ciclista ficou em 12º lugar na prova de 1 km contra o relógio.

A lista é grande.

As irmãs Ana e Eduarda Amorim.

E Fabiana Gripa, do handebol.

Rosane Budag, do tiro carabina de ar 10 metros (prima da Miss Brasil de 1975, Ingrid Budag).

Tiago Splitter, que teve a infelicidade de se machucar e não disputar os Jogos Olímpicos como atleta de basquete.

No entanto, o primeiro brasileiro a jogar na NBA esteve em Paris, como auxiliar técnico do croata Aleksandar Petrovic.

Jonathan Riekmann, nos 50 km da marcha atlética.

E Matheus Corrêa, nos 20 km da mesma modalidade.

Blumenauenses natos, da gema.
Nossa representatividade poderia ser muito maior se o futsal fizesse parte das Olimpíadas.

Agora se levarmos em consideração profissionais que vieram para cá cedo e aqui evoluíram como atletas, o leque é ainda maior.
Do handebol, por exemplo, vêm três exemplos:
Macarrão (Joaçaba SC).

Fausto (Caçador SC).

Rudolph Hackbarth (Indaial SC).

A marcha atlética conta com mais um trio.
Sérgio Galdino (Armazém SC).

Moacir Zimmermann (Foz do Iguaçu PR).

E o técnico João Sendeski (Galvão SC).

Não dá para esquecer de Suzana Nahirnei.
Que se tornou a primeira representante da cidade a participar de uma Paralimpíada.

Aos 30 anos, a paranaense de Candói (pequeno município da região central que faz limite com Guarapuava), vai disputar a prova de arremesso de peso (tem o terceiro melhor índice no mundo e o primeiro do Brasil) no próximo dia 4 de setembro às 7h.

Tem ainda muita gente com passagem rápida por Blumenau, que acabou disputando a maior competição do planeta.

Voltando ao trabalho de formação e continuidade na carreira, entendo que dificilmente teremos condições de repetir tamanha façanha.
Como afirmou Ana Moser, em entrevista recente, "eu fui uma privilegiada pelo acesso ao esporte. Não foi o sistema que me deu uma carreira esportiva, foi a sorte de ter nascido no lugar certo, na hora certa, em 14 de agosto de 1968, em Blumenau. Se eu tivesse nascido em outro lugar, não teria jogado vôlei".

O esporte estava no DNA da família.
Seu pai, Acari Moser, jogou no Grêmio Esportivo Olímpico.
Inclusive enfrentou Pelé, em agosto de 1961, em amistoso no Estádio da Baixada.

A ponteira estourou porque teve todas as condições de exercer seu trabalho de iniciação aqui (começou com 7 anos) e em São Paulo, a partir de 1984.
Com 16 anos foi convocada pela primeira vez para a seleção infanto-juvenil.
Uma grande equipe, em um grande centro.
Tudo conspirou à favor.

Muita coisa mudou.
A política está fortemente impregnada no esporte.

Quando é preciso rever as contas, enxugar um orçamento ou fazer cortes, sobra para o esporte.
Com repasse minguado, infraestrutura longe da ideal em alguns casos e apoio limitado dos patrocinadores privados (não confundir com parceiros) está cada vez mais difícil formar e motivar um atleta.

Naturalmente surgem o desânimo, o esgotamento, as desistências...

O esporte deixa de ser prioridade.

Acabou o tempo em que os Jogos Abertos eram a "Copa do Mundo" de um atleta.

Pedágios, pasteladas, feijoadas, macarronadas, risotos, rifas, vakinhas, bazar...

Não fossem as associações de pais, muitas crianças e adolescentes já teriam largado o esporte.

São eles que pegam junto e fazem a coisa acontecer.

Só que chega uma hora que não dá mais.

É preciso ser racional.



Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de repórter/setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor de esportes do Balanço Geral da NDTV Blumenau. Na mesma emissora filiada à TV Record, ainda exerce a função de comentarista, no programa Clube da Bola, exibido todos os sábados, das 13h30 às 15h. Também é boleiro na Patota 5ª Tentativa

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