
Em um mundo com gente cada vez mais insipiente e alienada, atitudes ousadas e sarcásticas nem sempre são bem digeridas pela maioria das pessoas "politicamente corretas".
Geralmente tem repercussão inversa.
Embora quem faça algo nesse sentido não esteja nem aí para o que os outros vão pensar.

O propósito é dar uma alfinetada.
Criar uma atmosfera de reação.
Sair do lugar comum.
Independentemente da mensagem, certa ou errada, vou sempre defender a ação.

Não suporto quem se omite ou foge de um debate.
Quem fica em cima do muro.
Quem é dissimulado.
Quem bate e assopra.
Quem dá o tapa e esconde a mão.
Fique longe dessa turma.
São muitos.

Duas manifestações de políticos/diretores/torcedores, mexeram, de alguma maneira, com os silenciosos bastidores do futebol profissional de Blumenau.
O alvo era o mesmo.
O primeiro disparo foi a ida de uma comitiva de Indaial até Balneário Camboriú.
Estiveram na sede da Federação Catarinense de Futebol, o prefeito André Moser (PL), o presidente da Fundação Municipal de Esportes, Ademir Packer, o gerente da mesma FME, Rodrigo Rosa, e o CEO do BEC, Lúcio Rodrigues.
Ao lado do presidente da FCF, Rubens Angelotti, e do diretor do departamento de Competições, Carlos Crispim, mandaram um recado para Blumenau, conforme mostra o vídeo abaixo.
Foi provavelmente um tiro no pé.
Pois o prefeito, pelo que soube, não curtiu muito a "indireta".
Do pouco que o conheço, não é dessa forma e velocidade que Mário Hildebrandt (Podemos) vai fazer sua parte.

Ainda mais depois que sete torcedores do BEC resolveram comprar a briga e apoiar a iniciativa de Indaial.
Com a colocação de um outdoor.
Bem na região central.
Na Alameda Duque de Caxias.
No terreno onde um dia existiu um estádio chamado Aderbal Ramos da Silva, a casa do BEC, demolida pelo "sistema", como entendem alguns bequianos.

Conversei com dois deles na última quarta-feira (6).
Rafael Bernardes e Bruno Beims da Silva.
Que confessaram que o intuito foi mesmo provocar as autoridades, empresários e dirigentes.
O conteúdo partiu da torcida.
De mais ninguém - seja a prefeitura de Indaial ou o Blumenau Esporte Clube.
Soube, aliás, que a diretoria do BEC não gostou do gesto.
Porque entendeu que o momento é de união e não de divisão.

No fim, Bruno e Rafael estão preocupados com 2024.
Temem que o time não dispute a Série B.
Afinal, jogar em Indaial não será mais possível.

O contrato termina em abril.
A relação com o XV de Outubro não anda boa.
Existem acertos pendentes.

Sem contar as exigências da Federação.
Que obriga um novo gramado.
Cobra melhores condições nos vestiários.
Pede uma nova arquibancada para a torcida visitante (o muro de proteção caiu).
Há uma casa dentro do estádio que também não pode ficar ali.
Por baixo, estamos falando de um investimento de R$ 250 mil.
Existe outro fato paralelo.
Um clube formador aqui de Blumenau, que comprou o CNPJ de uma equipe do litoral, está de olho no Estádio Ervin Blease para jogar a Série C.

Bruno e Rafael não esperam nada em troca (financeira) da prefeitura de Blumenau.
Sabem que a administração tem outras prioridades.
Mas ao mesmo tempo entendem que o município pode ser o animador do processo.
De todo modo, trago a seguir, a posição da prefeitura sobre o tema.
Que é a mesma desde o início.



A informação que recebi (extraoficial) é que a Fiesc não tem interesse em alugar o estádio e sim, vendê-lo em definitivo.
Também me disseram (outra conjectura) que o governador vai comprar o Complexo Esportivo Bernardo Werner, para a tão esperada municipalização, por R$ 30 milhões, em fevereiro de 2024.
Da mesma forma um dirigente me afirmou que caso o negócio se concretize, quem vai bancar a ampliação do campo, que não deve custar menos de R$ 200 mil (sendo otimista), será o poder público.
Não creio.
Os clubes não têm grana.

O valor não seria tão alto porque na segunda divisão, a FCF não exige irrigação no gramado - e muito menos iluminação.
Jogos, em tese, de Metropolitano e Blumenau, só de tarde ou de manhã.
Trabalhando com uma perspectiva positiva, daria tempo de deixar tudo pronto até 26 de maio.
O problema é que será preciso indicar um local até 29 de fevereiro.

Se não jogar aqui e em Indaial, o BEC logo de cara terá de pagar uma taxa de R$ 60 mil, por não ter um estádio em uma cidade que faz limite com Blumenau.
Ibirama é uma opção (na estreia da Série C deste ano, o time jogou lá e pagou R$ 5 mil de aluguel).
Balneário Camboriú ganha força como uma nova alternativa.

Isso vale também para o Metropolitano.
Que sonha com o Sesi.
Mas não descarta a sequência em Ibirama (apesar de ter algumas pendências para resolver com o Atlético).

Ano de eleição municipal.
Claramente o Estado tem interesse em ter seus representantes na maior cidade do Vale.
Acredito que uma hora o martelo vai ser batido.
Talvez, mais próximo do segundo semestre.
Vai ser um processo dolorido.

Ação e reação.
Tudo terá reflexo na tomada de decisões.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.

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