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Emerson Luis. Esporte: Tiro no pé

Emerson Luis. Esporte: Tiro no pé

08/12/2023 às 20h37 Atualizada em 08/12/2023 às 23h37
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Outdoor colocado por torcedores do BEC na Alameda Duque de Caxias. Foto: Reprodução/NDTV
Outdoor colocado por torcedores do BEC na Alameda Duque de Caxias. Foto: Reprodução/NDTV

Em um mundo com gente cada vez mais insipiente e alienada, atitudes ousadas e sarcásticas nem sempre são bem digeridas pela maioria das pessoas "politicamente corretas".

Geralmente tem repercussão inversa.

Embora quem faça algo nesse sentido não esteja nem aí para o que os outros vão pensar.

O propósito é dar uma alfinetada.

Criar uma atmosfera de reação.

Sair do lugar comum.

Independentemente da mensagem, certa ou errada, vou sempre defender a ação.

Não suporto quem se omite ou foge de um debate.

Quem fica em cima do muro.

Quem é dissimulado.

Quem bate e assopra.

Quem dá o tapa e esconde a mão.

Fique longe dessa turma.

São muitos.

Duas manifestações de políticos/diretores/torcedores, mexeram, de alguma maneira, com os silenciosos bastidores do futebol profissional de Blumenau.

O alvo era o mesmo.

O primeiro disparo foi a ida de uma comitiva de Indaial até Balneário Camboriú.

Estiveram na sede da Federação Catarinense de Futebol, o prefeito André Moser (PL), o presidente da Fundação Municipal de Esportes, Ademir Packer, o gerente da mesma FME, Rodrigo Rosa, e o CEO do BEC, Lúcio Rodrigues.

Ao lado do presidente da FCF, Rubens Angelotti, e do diretor do departamento de Competições, Carlos Crispim, mandaram um recado para Blumenau, conforme mostra o vídeo abaixo.

Foi provavelmente um tiro no pé.

Pois o prefeito, pelo que soube, não curtiu muito a "indireta".

Do pouco que o conheço, não é dessa forma e velocidade que Mário Hildebrandt (Podemos) vai fazer sua parte.

Outdoor foi instalado na "Rua das Palmeiras" na região central. Foto: Reprodução/NDTV Blumenau

Ainda mais depois que sete torcedores do BEC resolveram comprar a briga e apoiar a iniciativa de Indaial.

Com a colocação de um outdoor.

Bem na região central.

Na Alameda Duque de Caxias.

No terreno onde um dia existiu um estádio chamado Aderbal Ramos da Silva, a casa do BEC, demolida pelo "sistema", como entendem alguns bequianos.

Imagem ficará exposta até o próximo dia 14. Foto: Reprodução/NDTV Blumenau

Conversei com dois deles na última quarta-feira (6).

Rafael Bernardes e Bruno Beims da Silva.

Que confessaram que o intuito foi mesmo provocar as autoridades, empresários e dirigentes.

O conteúdo partiu da torcida.

De mais ninguém - seja a prefeitura de Indaial ou o Blumenau Esporte Clube.

Soube, aliás, que a diretoria do BEC não gostou do gesto.

Porque entendeu que o momento é de união e não de divisão.

Bruno Beims da Silva e Rafael Bernardes. Foto: Reprodução/NDTV Blumenau

No fim, Bruno e Rafael estão preocupados com 2024.

Temem que o time não dispute a Série B.

Afinal, jogar em Indaial não será mais possível.

Estádio Ervin Blease foi a "casa" do BEC desde 2019. Foto: Richard Ferrari

O contrato termina em abril.

A relação com o XV de Outubro não anda boa.

Existem acertos pendentes.

BEC e Tubarão pela Série C deste ano em Indaial. Foto: Patrícia Amorim/CA Tubarão

Sem contar as exigências da Federação.

Que obriga um novo gramado.

Cobra melhores condições nos vestiários.

Pede uma nova arquibancada para a torcida visitante (o muro de proteção caiu).

Há uma casa dentro do estádio que também não pode ficar ali.

Por baixo, estamos falando de um investimento de R$ 250 mil.

Existe outro fato paralelo.

Um clube formador aqui de Blumenau, que comprou o CNPJ de uma equipe do litoral, está de olho no Estádio Ervin Blease para jogar a Série C.

Clube construiu uma arquibancada para a torcida visitante, mas a obra teve problemas. Foto: Divulgação/BEC

Bruno e Rafael não esperam nada em troca (financeira) da prefeitura de Blumenau.

Sabem que a administração tem outras prioridades.

Mas ao mesmo tempo entendem que o município pode ser o animador do processo.

De todo modo, trago a seguir, a posição da prefeitura sobre o tema.

Que é a mesma desde o início.

A informação que recebi (extraoficial) é que a Fiesc não tem interesse em alugar o estádio e sim, vendê-lo em definitivo.

Também me disseram (outra conjectura) que o governador vai comprar o Complexo Esportivo Bernardo Werner, para a tão esperada municipalização, por R$ 30 milhões, em fevereiro de 2024.

Da mesma forma um dirigente me afirmou que caso o negócio se concretize, quem vai bancar a ampliação do campo, que não deve custar menos de R$ 200 mil (sendo otimista), será o poder público.

Não creio.

Os clubes não têm grana.

Gramado do Sesi precisa de ampliação e ajustes. Foto: Emerson Luis

O valor não seria tão alto porque na segunda divisão, a FCF não exige irrigação no gramado - e muito menos iluminação.

Jogos, em tese, de Metropolitano e Blumenau, só de tarde ou de manhã.

Trabalhando com uma perspectiva positiva, daria tempo de deixar tudo pronto até 26 de maio.

O problema é que será preciso indicar um local até 29 de fevereiro.

Estádio do Sesi não recebe jogos oficiais desde 2019. Foto: Emerson Luis

Se não jogar aqui e em Indaial, o BEC logo de cara terá de pagar uma taxa de R$ 60 mil, por não ter um estádio em uma cidade que faz limite com Blumenau.

Ibirama é uma opção (na estreia da Série C deste ano, o time jogou lá e pagou R$ 5 mil de aluguel).

Balneário Camboriú ganha força como uma nova alternativa.

Visão da geral do estádio do Sesi. Foto: Emerson Luis

Isso vale também para o Metropolitano.

Que sonha com o Sesi.

Mas não descarta a sequência em Ibirama (apesar de ter algumas pendências para resolver com o Atlético).

Uma das raias da pista de atletismo teria de ser "sacrificada". Foto: Emerson Luis

Ano de eleição municipal.

Claramente o Estado tem interesse em ter seus representantes na maior cidade do Vale.

Acredito que uma hora o martelo vai ser batido.

Talvez, mais próximo do segundo semestre.

Vai ser um processo dolorido.

Ação e reação.

Tudo terá reflexo na tomada de decisões.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.  

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