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A fatura do conluio chegou e Lula não tem para onde correr

Lula percebeu que o silêncio seria interpretado como comprometimento com as ilegalidades praticadas por Alexandre de Moraes.

05/09/2026 às 11h16
Por: Redação
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Apesar de ameaçado pelo decano Gilmar Mendes, Lula da Silva tratou de descolar-se de Alexandre de Moraes, com o vídeo exibido na noite de quinta-feira, depois de mais de dois dias de silêncio comprometedor. A opinião pública brasileira já compreendeu que Lula saiu da prisão e chegou à presidência da República pelas mãos dos ministros do Supremo, especialmente de Alexandre de Moraes, que, como presidente do TSE, conduziu as eleições para favorecê-lo em detrimento de Jair Bolsonaro.

Medidas acolhidas

Nesses três anos e meio de terceiro mandato, praticamente 90% das medidas e provocações que o governo fez junto ao Supremo mereceram acolhida, diferentemente da postura do STF com o seu antecessor. Lula percebeu que o silêncio seria interpretado como comprometimento com as ilegalidades praticadas por Alexandre de Moraes. A associação seria imediata e automática.

A mesma estratégia do INSS

Lula usou da mesma estratégia que tem usado para o filho Lulinha, para o irmão Frei Chico e para o ex-chefe de gabinete Marcola, todos atolados até o gogó nas fraudes do INSS que usurparam recursos dos pobres velhinhos aposentados. Assim como disse que filho, irmão e chefe de gabinete, se cometeram ilicitudes, têm que pagar por elas, dedicou o mesmo tratamento a Alexandre de Moraes. Tipo: não está acima da lei e tem que responder pelos seus erros. Um roteiro conhecido, aplicado mais uma vez.

Datafolha e Quest: empate técnico

O Datafolha divulgado nesta quinta-feira à noite coloca Lula com dois pontos à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno. A Quest da véspera colocou um ponto. A rejeição de ambos está igualmente equilibrada. O que leva a concluir que essa eleição vai ser decidida pelo eleitorado pêndulo, aquele que habitualmente se abstêm, anula ou vota em branco. Qualquer oscilação, dado o equilíbrio nas pesquisas, pode determinar o resultado final.

Moraes pode render muito ainda

A situação envolvendo Alexandre de Moraes tem tudo para render nas próximas semanas. E qualquer quadro de anomalia significativo, a trinta dias das eleições, pode ser determinante para definir o resultado. A associação entre o Supremo e a campanha de Lula da Silva está estabelecida no imaginário do eleitorado. Descolar disso, a essa altura, é tarefa das mais desafiadoras.

Trinta dias, tiro curtíssimo

A partir desta sexta-feira, trinta dias para as eleições. Um tiro curtíssimo de campanha. Ainda no primeiro turno, ou mais provavelmente no segundo, reunindo Lula da Silva e Flávio Bolsonaro dentro da polarização que se faz presente nas eleições brasileiras desde 2018. O equilíbrio é total. A tensão também. E quem piscar primeiro pode perder.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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