
Principalmente para os pais de primeira viagem, a iniciação do filho na escola tende a ser um turbilhão de dúvidas. São inevitáveis preocupações do tipo: se a criança vai ficar bem naquele local com outras crianças, se as professoras vão dar conta, se o bebê vai comer direito, se vai chorar...
Tudo passa pela adaptação a essa nova fase – e embora seja um pouco assustador, o processo pode ser bem tranquilo se papais e mamães tiverem confiança na instituição de ensino.
“Essa fase de adaptação é muito importante para a aprendizagem das crianças. Claro que existem diferenças, conforme a idade do aluno e o tipo de rotina que essa criança tinha em casa até este momento escolar”, ressalta Iara Keller, pedagoga e proprietária da Escola Infantil Espaço Ser Criança.
“Por incrível que pareça, quanto menor a criança, mais fácil a adaptação para ela...geralmente os pais sofrem mais”, comenta. Isso porque, conforme explica Iara, um bebê de 4 ou 5 meses ainda está descobrindo o mundo, as pessoas a sua volta – e como tudo é uma novidade, o ambiente escolar entra nesse contexto de descobertas.
“Já uma criança de 2 a 3 anos tem uma dificuldade um pouco maior para se adaptar, porque já tem essa noção do mundo e uma convivência bastante próxima dos familiares”, completa a pedagoga.
Por isso, a participação da família durante a adaptação na escola tem um grande peso. A postura dos adultos tem relação direta com a forma como a criança vai lidar com a nova fase.
“A criança sente a fragilidade emocional dos pais. Acompanhar o processo de perto, mesmo que por alguns dias, durante algumas horas, deixa os pais mais confiantes na instituição, nas professoras que estão cuidando do seu filho. E isso faz muita diferença”, salienta Cátia Regina Miguel, professora do berçário da Espaço Ser Criança.
As dicas das profissionais são simples: em primeiro lugar, confiança! “Confiança gera segurança e uma criança que se sente segura tem muito mais autonomia e uma aprendizagem mais fácil”, lembra Cátia.


Para os pais que já passaram por esse processo, ouvir as orientações da escola e falar a mesma linguagem no que diz respeito a essa fase de adaptação torna tudo mais fácil.
A artesã e jornalista Roberta Koki já passou por esse momento há cinco anos, com a filha mais velha, e recentemente repetiu a dose com o filho caçula.
“A Taysa precisou ir para a escola muito cedo, com apenas três meses e meio de vida. Para mim e meu esposo foi bastante dolorido, tão pequenininha...mas pra ela tudo foi bem tranquilo. Chorou em alguns dias, claro, mas logo entendeu que aquele espaço era amigável e que ela seria bem tratada ali. E foram quatro anos maravilhosos!”, conta a mamãe.
“Como a gente já conhecia a escola e a metodologia, tivemos a certeza de que o nosso caçula, o Tales, também seria bem recebido. Com ele a adaptação foi diferente, mas mesmo assim, sem traumas. Como ele já era maiorzinho (com 8 meses), sentiu mais a nossa ausência, chorou um pouco mais. O coração dos papais ficava apertadinho, mas sempre nos mantivemos firmes e conversamos muito com ele para que ele sentisse que ali era um ambiente seguro e cheio de carinho. Em poucos dias ele já estava à vontade e hoje ele encara a escolinha como uma segunda casa”.
A pedagoga Iara lembra, ainda, que a empatia entre os pais e as professoras também é um facilitador do processo. “Essa conversa deve sempre ser franca e aberta. Aqui na Espaço Ser Criança damos a liberdade dos pais falarem suas impressões, suas necessidades e as dos seus filhos. Nossas professoras e colaboradoras da equipe de apoio são todas instruídas a ouvirem os pais e serem transparentes com eles. Acreditamos que uma relação de confiança se constrói assim”.
Um outro fator importante nesse momento de adaptação é que ele serve para que as educadoras conheçam os alunos, entendam o clima que se instaurou na turminha, quais as vontades e interesses das crianças para iniciar o projeto pedagógico que vai ser trabalhado durante o ano.
“Tudo elaborado com muita atenção, observação e responsabilidade”, destaca Iara. “Pra nós, cada criança é única. Por isso, abraços, amor, afeto e carinho também não faltam por aqui”, finaliza.
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