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João é pré-candidato

O ex-prefeito entra na corrida com dois desafios estruturais muito claros.

02/04/2026 às 09h22 Atualizada em 02/04/2026 às 09h31
Por: Redação
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João Rodrigues consumou, na noite de terça-feira, 31 de março, a renúncia ao cargo de prefeito de Chapecó — posto para o qual havia sido reeleito em outubro de 2024. O movimento, já esperado, formaliza sua entrada plena na disputa pelo governo do Estado, mas inaugura, ao mesmo tempo, uma travessia eleitoral de elevada complexidade.

O ex-prefeito entra na corrida com dois desafios estruturais muito claros. O primeiro deles é estabelecer uma polarização direta com o atual governador, Jorginho Mello. Trata-se não apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma tentativa de construção de confronto ideológico dentro do mesmo campo — o conservador.

A estratégia é evidente: tensionar o ambiente político à direita, criar contraste suficiente para forçar um segundo turno e, a partir daí, reconfigurar o jogo. Não é uma tarefa trivial. Jorginho Mello ostenta um favoritismo consistente e praticamente indiscutível neste momento, sustentado por máquina, visibilidade institucional, resultados administrativos e alinhamento com o bolsonarismo, inclusive com o apoio de Flávio Bolsonaro e o simbólico “22” na urna.



Fator Merisio

O segundo desafio de João Rodrigues é igualmente sensível: superar Gelson Merisio como alternativa competitiva na disputa estadual.

Se, de um lado, Rodrigues trabalha para assegurar, via convenções homologatórias, o apoio do MDB e da Federação Progressista ao seu projeto, de outro, Merisio avança com uma construção política robusta e já bastante consolidada.



Socialista

O ex-deputado, que entrou para a política via PFL, deve oficializar — se é que já não o fez — sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro, chegando com um ativo político relevante: a unidade praticamente absoluta da esquerda em torno de seu nome.



Unidade

Trata-se de um alinhamento que ocorre sem fissuras, mesmo diante de um histórico ideológico pretérito de Merisio vinculado a posições mais conservadoras. Não há espaço para dissenso interno.

Sua escolha foi chancelada diretamente por Lula da Silva, o que, na prática, elimina resistências e inibe qualquer contestação nas fileiras progressistas. Simples assim.



Guarda-chuva

O resultado é uma frente ampla que reúne desde o PT — federado com PCdoB e PV — até legendas como PSOL, PDT e Rede Sustentabilidade, além do próprio PSB e do Solidariedade.

Na prática, estamos falando de um bloco que se aproxima de uma dezena de partidos, operando de forma coesa. É uma realidade que não se pode desprezar.



Contraponto em SC

Mas não é apenas a engenharia partidária que sustenta a pré-candidatura de Gelson Merisio. Há um componente operacional de peso sendo desenhado a partir de Brasília.

O Palácio do Planalto tem interesse direto no desempenho eleitoral em Santa Catarina, especialmente após o resultado de 2022, quando Jair Bolsonaro impôs uma vantagem expressiva sobre Lula em SC — algo próximo de 70% a 30%.

O objetivo estratégico agora é reduzir essa diferença. Nos cálculos do PT nacional, um cenário de 60% a 40% já seria considerado aceitável, ainda que muito difícil de ser alcançado.



Ligações de Merisio

Há, contudo, outro fator relevante além da mobilização da máquina federal e da estrutura partidária. Entra em cena um ator de grande capacidade de influência: o grupo JBS.

Gelson Merisio mantém relação próxima com a empresa há pelo menos meia dúzia de anos, atuando no mínimo como conselheiro, com acesso direto aos irmãos Joesley e Wesley Batista.

Esse vínculo não é periférico — tende a se traduzir em suporte político e, sobretudo, em capacidade operacional de campanha, o bom e velho financiamento do processo eleitoral.



De volta ao passado

É justamente nesse ponto que o ambiente eleitoral ganha um elemento adicional de tensão e expectativa.

Voltou a circular, nos últimos dias, um vídeo de 8 de novembro de 2017, durante os trabalhos conjuntos da CPMI da JBS e da CPI do BNDES. À época, as comissões investigavam as vantagens e os benefícios obtidos pelo grupo JBS em operações de financiamento junto ao banco público.



João “Verdade”

Nas imagens, o então deputado federal João Rodrigues dirige ataques duros a Wesley Batista, tratando-o como bandido, delinquente e associando sua atuação a práticas de quadrilha.

O conteúdo, resgatado em pleno contexto pré-eleitoral, adiciona um componente político sensível à disputa, sugerindo que a campanha será sangrenta.



Indústria da carne

Nos bastidores, a leitura é clara: o episódio não apenas reativa memórias incômodas, como também pode influenciar diretamente o comportamento do grupo JBS na eleição.

As informações que circulam indicam a possibilidade de um incremento ainda maior no apoio à campanha de Gelson Merisio, num movimento que teria também um caráter de resposta política — ou, no mínimo, de reposicionamento estratégico diante do histórico de confrontos.



Terá capacidade?

O fato é que João Rodrigues entra na disputa dispondo de algum capital político, mas ingressa em um tabuleiro mais complexo do que aparentava à primeira vista.

Entre o favoritismo consolidado de Jorginho Mello e a estrutura crescente de Gelson Merisio, sua candidatura dependerá, essencialmente, da habilidade de construir contraste, atrair alianças consistentes e sustentar narrativa em um ambiente de alta competitividade e múltiplos vetores de influência.

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DitmaHá 7 dias ScJoão Rodrigues. Cabeçudo, teimoso dar o passo maior que a calça. O caminho era Deputado Federal e mais para frente, ir para o Governo do Estado. A inveja mata. Já o Gelson Meriseo, já comentei anteriormente o seu passado vai reaparecer e com certeza aprenderá a lição. A JBS todos conhecem, acha que o dinheiro compra tudo.
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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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