
Blumenau era ainda uma cidade pacata e em rápido crescimento em 1966 quando desembarcou por nossas bandas um diretor de cinema disposto a fazer daquela idílica comunidade um pano de fundo para uma história de amor sem limites, desencanto, juventude jovem guarda e romance. Trouxe com ele dois atores com potencial, muitas ideias e acabou saindo daqui com o rótulo de difamador sem saber da contribuição que deixaria para a memória recente da cidade.
Causador de polêmicas, mas um precioso recorte histórico, “Férias no Sul” desperta toda a sorte em lembranças e sentimentos a quem viu o filme nos cinemas da cidade. Para alguns, a recordação de outros tempos de um município distante da correria atual; para outros era quase uma profanação, recordando da afronta que a trama passou aos puritanos blumenauenses daquela época.
E digo isto porque, para a sociedade tradicional que imperava na cidade naqueles idos, a produção era uma tremenda “propaganda negativa” que rotulava o blumenauense como um ser certinho, viciado em trabalho e cujas moças, de temperamento difícil e jeito casto, se atiravam a qualquer forasteiro do sudeste brasileiro. A película foi do sucesso à infâmia em um piscar de olhos, mas sempre lembrada de uma forma ou de outra pelos contemporâneos da obra.

O sonhador mato-grossense que falara no primeiro parágrafo era Reynaldo Paes de Barros, que escreveu e lidou com uma verba diminuta para rodar o filme. Na trama, um ainda jovem David Cardoso vive o estudante paulista Celso, que veio ao sul a convite de um amigo para passar as férias. Aqui, ele conhece duas mulheres: A blumenauense Helga (Dagmar Heidrich, atriz de Blumenau) e a paulistana Isa (Elisabeth Hartmann).
David e Elisabeth eram quase exceções no elenco do filme que era, a exemplo da própria Dagmar, composto por atores, atrizes e figurantes das cidades onde era rodado, sobretudo Blumenau, onde a maior parte da história se passou. Somam-se, na trama, outras cidades em que houveram passagens do filme, como Caxias do Sul e Gramado (RS) e na então minúscula praia de Balneário Camboriú, recém-emancipada de Camboriú (1962) e ainda longe dos tempos glamorosos atuais.

Fora a cópia disponibilizada por Anthar Cesar Hartmann no YouTube, outras cópias do filme se encontram em posse da TV Galega e no Arquivo da FURB TV. Também a lenda do jornalismo blumenauense Carlos Braga Muller conta em suas crônicas no blog do pesquisador (e meu mentor) Adalberto Day mais detalhes desconhecidos dos bastidores da produção que valem a leitura para aprofundar-se ainda mais naquele universo tão curioso do filme e da cidade.
Alias, quem quiser ver, o filme tá ai embaixo. Se tiver com tempo, dá um play e veja o filme na íntegra. História pura e uma sugestão de filme além do Netflix.

André Luiz Bonomini (o Boina), “filho do Progresso, Reino do Garcia”. Jornalista graduado pela Unisociesc, atua desde 2013 no mundo da notícia. Amante confesso do rádio, da música (de verdade), do automobilismo e da boa roda de amigos num dia qualquer. Apaixonado também por história, eterno louco em busca de mais um sorriso no dia a dia e poeta “de fim de semana”, teve passagens no rádio pela 98FM (Massaranduba), Radio Clube de Blumenau, PG2 (Timbó) e atua como programador musical da União FM (96.5), de Blumenau. Boina também é “escritor de fim de semana”, blogueiro e colunista. Atua no jornal A Cidade (Timbó) com coluna própria e como entrevistador. Quase todos os dias, traz A BOINA uma visão diferente do cotidiano em vários assuntos, com opinião, história e reflexões para todos os lados e gostos, além de apresentar gente muito boa na escrita em crônicas e opiniões dos colegas de jornalismo e afins.
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