Neste final de semana e no início da próxima, teremos as convenções dos três principais candidatos de oposição à presidência da República. Começa no sábado com Flávio Bolsonaro, do PL. Na sequência, domingo, Ronaldo Caiado, do PSD. Fechando com Romeu Zema, do Novo, na segunda-feira. Lula da Silva, o candidato da situação pelo PT, será homologado no próximo sábado, dia 1º. A partir daí, liberada a fase de registro das candidaturas pela Justiça Eleitoral, a campanha começa propriamente no dia 16 de agosto.
Primeiro turno? Nem pensar
É pouco provável imaginar que a eleição será liquidada no primeiro turno. Nas últimas pesquisas, numa média dos institutos, Lula da Silva bate no teto dos 40% de intenção de voto. Não tem votos suficientes para encerrar no primeiro turno. E sua rejeição é maior do que a aceitação da recandidatura. O mesmo vale para Flávio Bolsonaro, que oscila entre 30% e 35% dependendo do instituto, com rejeição que em alguns casos supera até a do próprio inquilino do Palácio do Planalto. O segundo turno é inapelavelmente líquido e certo.
Polarização de 2018
Desde 2018, quando Lula da Silva estava preso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, condenado por nove magistrados em três instâncias, está estabelecida essa queda de braço entre lulismo e bolsonarismo. Naquela ocasião, Jair Bolsonaro derrotou Fernando Haddad. Depois, em 2022, acabou superado por Lula, num processo em que o petista não foi absolvido nem descondenado, mas libertado pelo Supremo Tribunal Federal e colocado na presidência da República. Agora quem está preso, injusta e inexplicavelmente, é Jair Bolsonaro. O filho primogênito vai representá-lo nas urnas.
Vaga em aberto
Até duas semanas atrás, não descartava nenhuma alternativa fora dessa polarização. Hoje, mesmo não considerando provável, admito a possibilidade da vaga oposicionista no segundo turno ser ocupada por Romeu Zema ou por Ronaldo Caiado, tamanha tem sido a desorganização da campanha liberal. Valdemar da Costa Neto, presidente do partido, diz uma coisa. O senador Rogério Marinho, coordenador geral, diz outra. Uma desarticulação absoluta e completa.
Flávio mais perdido que cego em tiroteio
O próprio candidato está mais perdido do que cego em tiroteio. Primeiro levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, sem provas, repetindo o roteiro do pai em 2022. Logo em seguida, com a manifestação do TSE, hoje presidido por Nunes Marques, indicado ao Supremo pelo próprio Jair Bolsonaro, recuou e disse que confia nas urnas. Declarações equivocadas, encaminhamentos confusos, bagunça geral. Não bastasse a desarticulação que preocupa, a cada momento surge uma nova situação que o vincula com Daniel Vorcaro e o Banco Master. Portanto, revela-se vulnerável.
54% ainda não decidiram
A última pesquisa Quaest colocou as intenções de voto de Lula e Flávio somadas em torno de 70%, mas sobre eleitores que já se definiram. E quantos são esses? Apenas 46% do eleitorado. Ou seja, 54%, mais da metade, ainda não sabe em quem votar. E outro detalhe relevante: mais da metade do eleitorado nunca ouviu falar em Zema nem em Caiado. A eleição está aberta.
Segundo turno é certo
Lula seguramente estará no segundo turno. Quem vai enfrentá-lo, só as próximas dez semanas vão dizer. Embora favorito, Flávio anda dando muita confiança ao azar.
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