
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) concluiu que os adolescentes investigados no caso do cão comunitário Orelha não estavam junto do animal no período da suposta agressão, na Praia Brava, em Florianópolis, na Capital do estado.
A conclusão consta em uma manifestação protocolada pela 10ª Promotoria de Justiça da Capital, com apoio de um grupo de trabalho criado pela Procuradoria-Geral de Justiça, que pediu o arquivamento do procedimento investigatório.
Segundo o MPSC, uma nova análise das câmeras de segurança identificou que os horários registrados nos sistemas de monitoramento estavam diferentes, o que teria provocado um erro na cronologia usada inicialmente pela investigação.
✅ Clique aqui para seguir o canal AJ Notícias no WhatsApp
De acordo com o Ministério Público, as câmeras do condomínio onde estava um dos adolescentes registravam horário cerca de 30 minutos adiantado em relação ao sistema público Bem-Te-Vi, utilizado para acompanhar o deslocamento do cão.
Com a correção da linha do tempo, foi constatado que o adolescente investigado e o cão estavam a aproximadamente 600 metros de distância um do outro no horário apontado como o momento da suposta agressão.
Ainda conforme a análise, imagens mostraram que o animal mantinha capacidade normal de locomoção cerca de uma hora após o período inicialmente atribuído ao suposto ataque.
Outro ponto destacado pelo MPSC foi o resultado da perícia veterinária realizada após a exumação do corpo do cão.
Segundo o laudo, não foram encontradas fraturas ou lesões compatíveis com agressões recentes. A perícia identificou sinais de osteomielite, uma infecção óssea grave e crônica na região da mandíbula, possivelmente relacionada a doença periodontal avançada.
O Ministério Público afirmou que as provas técnicas e testemunhais indicam que a morte do cão, submetido à eutanásia, está associada ao quadro clínico preexistente e não a maus-tratos.
Orelha era um cão comunitário conhecido na Praia Brava. O caso ganhou repercussão nacional após denúncias de suposta agressão contra o animal no início de janeiro deste ano.
Na manifestação encaminhada à Justiça, o Ministério Público também pediu apuração sobre eventual divulgação indevida de informações sigilosas e sobre possível monetização de conteúdos falsos relacionados ao caso nas redes sociais.
Mín. 9° Máx. 23°