A política catarinense atravessou um fim de semana e um feriado de Tiradentes de intensa movimentação pré-eleitoral, com partidos testando musculatura, ajustando narrativas e, sobretudo, tentando ocupar espaços num tabuleiro ainda longe de qualquer definição consolidada. Como os próprios políticos dizem nos bastidores, muita coisa ainda vai acontecer até as convenções homologatórias.
PL, PSD e a federação União Progressista protagonizaram atos, encontros e articulações. No outro campo, a frente de esquerda avançou de forma cirúrgica ao consolidar sua chapa majoritária, liderada pelo PSB, reunindo PT, PDT, PSOL, PCdoB, Rede Sustentabilidade e Partido Verde. Mais do que nomes, há ali um componente essencial: unidade.
E, em meio a esse cenário, surgiu também um novo elemento na disputa ao Senado: o advogado lageano Jeferson Rocha, lançado durante o período como mais um postulante à Câmara Alta, ampliando um quadro que já se desenha competitivo e pulverizado, lembrando que a disputa pelo Senado deve ser a mais eletrizante deste pleito.
Enquanto isso, os demais campos políticos seguem com dinâmicas distintas — algumas organizadas, outras nem tanto.
Mobilização
O Partido Liberal mantém ritmo forte. A sigla demonstra coesão, ambição eleitoral e metas claras: reeleger o governador Jorginho Mello, ampliar bancadas e chegar competitivo ao Senado.
O PSD também se movimenta, mas ainda enfrenta dificuldades para consolidar alianças robustas, especialmente no entorno da pré-candidatura de João Rodrigues. Até agora, o ex-prefeito de Chapecó conta com Esperidião Amin em sua pretensa chapa.
União coesa
Na União Brasil, o cenário é claro: alinhamento praticamente integral com João Rodrigues. Não há ruídos relevantes. Trata-se de um dos poucos ambientes com disciplina interna neste momento. Até porque também não dispõe de muitos quadros com mandato.
PP dividido
O Progressistas vive uma divisão típica entre base e cúpula. Prefeitos e lideranças — em sua maioria — estão com Jorginho Mello. Já a decisão formal pode vir de cima.
Se lideranças nacionais como Ciro Nogueira e Antonio Rueda optarem por entregar o tempo de televisão a João Rodrigues, isso será resolvido institucionalmente. Mas não necessariamente politicamente. O CNPJ pode ir para Rodrigues, mas muitos CPFs estarão com o governador.
MDB rachado
E aqui está o ponto de maior tensão atualmente: o MDB segue mergulhado — e dividido.
Na bancada federal, o empate é cristalino: Carlos Chiodini e Rafael Pezenti com João Rodrigues; Valdir Cobalchini e Ivete da Silveira com Jorginho Mello.
Rachaduras
Na Assembleia Legislativa, o cenário se repete. De um lado, Jerry Comper, Fernando Krelling e Antídio Lunelli alinhados ao governador — este último, inclusive, convidado para ser primeiro suplente de Caroline De Toni, favorita ao Senado.
Do outro lado, Mauro de Nadal, Tiago Zilli e Volnei Weber orbitam João Rodrigues.
Entre prefeitos, mais de 60% estão com Jorginho Mello — dado que, por si só, já desmonta qualquer pretensão de neutralidade orgânica.
Silêncio
Diante desse quadro, a postura do comando estadual, liderado por Carlos Chiodini, é compreensível sob o ponto de vista institucional: evitar um racha formal.
Mas, politicamente, o MDB simplesmente desapareceu. Não participou dos principais atos, não sinalizou posição e não ocupou espaço.
E, na política, ausência é uma escolha — geralmente, uma escolha cara.
Incógnita
Se há hoje uma variável realmente imprevisível no cenário catarinense, ela atende pelo nome de MDB.
Um partido que já foi protagonista absoluto no estado, que construiu ciclos de poder e hegemonia, agora hesita diante de uma decisão elementar: de que lado ficará.
Com prazo final das convenções em 5 de agosto, o tempo corre. E, para o MDB, talvez mais rápido do que para qualquer outro.