
“Depois dessa manifestação, o que a gente espera é que o caso do cão Orelha não seja tratado como mais um número ou um episódio isolado.”
O desabafo é da protetora animal Angela Santiago Philippi, uma das vozes que ecoaram na manhã deste domingo (1º), na Praça Victor Konder, no Centro de Blumenau, durante uma manifestação em defesa dos animais.
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Segundo Angela, o ato foi mais do que um pedido de justiça por um caso específico. Para ela, a mobilização expõe uma realidade cotidiana de abandono e violência que atinge animais comunitários em diferentes cidades do país.
“O Orelha representa muitos outros cães que vivem nas ruas, invisíveis, vulneráveis e sem proteção. A manifestação foi um grito coletivo para dizer que isso não pode continuar sendo normalizado”, afirmou.
Centenas de pessoas participaram do protesto em frente à Prefeitura de Blumenau. Moradores, protetores independentes e representantes de entidades ligadas à causa animal levaram faixas e cartazes cobrando responsabilização pelos maus-tratos sofridos pelo cão Orelha, em Florianópolis, além de políticas públicas mais eficazes de proteção animal.
O Instituto Bem Animal esteve presente com voluntários e material informativo, reforçando a defesa da vida, do respeito e da compaixão com os animais. Para os participantes, a presença nas ruas também foi uma forma de pressionar o poder público a olhar o tema com mais seriedade e continuidade, e não apenas diante de casos que ganham repercussão nacional.
Orelha era um cão comunitário de 10 anos, conhecido na Praia Brava, em Florianópolis. No dia 4 de janeiro, ele foi atacado, sofreu ferimentos graves e precisou ser submetido à eutanásia. O caso gerou comoção e protestos em diversas cidades do Brasil.
A Polícia Civil descartou o envolvimento de um dos adolescentes inicialmente apontados como suspeitos. Segundo os investigadores, o jovem não aparece em nenhuma das cerca de mil horas de imagens analisadas, nem há registros que confirmem a presença dele no local e no período do ataque.
Mesmo com o avanço das apurações, para protetores como Angela, o principal legado do caso precisa ir além da responsabilização individual.
“Que a justiça seja feita dentro do que a lei permite, sim, mas principalmente que a sociedade e o poder público passem a olhar com mais atenção, responsabilidade e compaixão para o que está acontecendo", concluiu.
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