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O tabuleiro começou cedo

Já no início de 2024, João Rodrigues passou a discursar claramente como pré-candidato.

28/01/2026 às 10h41 Atualizada em 28/01/2026 às 10h56
Por: Redação
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Jorginho Mello assumiu o governo do Estado em 1º de janeiro de 2023. Mal havia esquentado a cadeira e, já no segundo semestre daquele mesmo ano, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, começou a se insinuar como pré-candidato ao governo em 2026.

Àquela altura, João Rodrigues havia sido sondado pelo então presidente Jair Bolsonaro, entre março e abril, para se filiar ao PL e disputar o Senado na chapa liderada por Jorginho Mello. Mas o prefeito acreditou que Jorginho iria trocar os pés pelas mãos e quem tinha reais condições de disputar — e vencer — o governo em 2026 seria ele próprio.

Não foi o que se viu depois.

Patinando

Já no início de 2024, João Rodrigues passou a discursar claramente como pré-candidato. Em meio à campanha municipal, com a reeleição em Chapecó praticamente assegurada, percorreu diversos municípios do Estado pedindo votos para companheiros do PSD.

Desempenho

No chamado Grande Oeste — cerca de cem municípios, tendo Chapecó como principal polo — o resultado foi pífio para o partido. O PSD venceu apenas em Chapecó. Nos demais centros relevantes da região, como Xaxim, Xanxerê, Joaçaba, Concórdia, Caçador, São Miguel do Oeste e Campos Novos, não elegeu prefeitos.

Ainda assim, João Rodrigues seguiu se apresentando como o único adversário efetivo de Jorginho Mello. Mas a pré-candidatura não decolou. Faltou densidade política, alianças e respaldo estadual.

A esquerda sem rumo

Do outro lado do espectro, a esquerda demorou a se organizar. Décio Lima nunca confirmou uma terceira candidatura consecutiva ao governo, e nem o PT nem seus aliados dispunham de um nome competitivo até então.

Quem?

Somente a partir do segundo semestre de 2025 começou a circular, ainda timidamente, o nome de Adriano Silva.

Adriano entra no radar

Quando Adriano Silva apareceu em pesquisas com quase dois dígitos, acendeu-se o sinal amarelo. Prefeito reeleito de Joinville com quase 80% dos votos, no maior colégio eleitoral do Estado, Adriano carrega um histórico simbólico: Joinville já elegeu dois governadores — Pedro Ivo Campos e Luiz Henrique da Silveira, este último com dois mandatos.

Hoje, inclusive, a viúva de Luiz Henrique (Ivete) ocupa uma cadeira no Senado, como suplente de Jorginho Mello. Havia, portanto, viabilidade política real.

O movimento do PSD

Foi nesse contexto que Jorge Bornhausen e Júlio Garcia concluíram que João Rodrigues não iria a lugar algum. A pré-candidatura estava patinando, sem musculatura para sair do chão. Era preciso buscar uma alternativa.

Aposta

O plano foi direto: convidar Adriano Silva para ser o candidato ao governo, com o apoio do PSD. A João Rodrigues, restariam duas opções — vice na chapa ou uma candidatura ao Senado.

Jorginho reage rápido

A movimentação foi explícita. O presidente da Assembleia Legislativa foi pessoalmente à casa do pai de Adriano Silva, em Joinville, para formalizar o convite. O gesto acelerou a reação do governo.

Sem pestanejar, Jorginho Mello entrou em cena. O desfecho foi quase que imediato: Adriano Silva aceitou ser vice na chapa de Jorginho, já sinalizando que disputará o Senado em 2030. Na prática, Adriano assumiria o governo e se tornaria candidato natural à reeleição.

A escolha óbvia

Adriano avaliou o cenário e fez a conta política. Ser vice de um governador bem avaliado, administrativamente sólido, politicamente articulado, com apoio de Jair Bolsonaro e da maioria dos partidos de direita em Santa Catarina, oferecia perspectivas muito mais favoráveis do que liderar uma chapa isolada do PSD em 2026.

Foi uma decisão pragmática — e previsível.

O isolamento de João Rodrigues

O movimento expôs um problema central: o PSD não enxerga envergadura política em João Rodrigues. E os próprios gestos do prefeito ajudaram a consolidar essa percepção.

Quando o MDB estava fechado como vice de Jorginho, João atacou o partido. Agora, mesmo podendo ser aliado, descartou publicamente qualquer composição. Disse, sem rodeios, que quem votou em 80% das matérias do governo Lula (Carlos Chiodini) não entra na sua chapa — ignorando o fato de tratar-se do presidente estadual do MDB e vice-presidente nacional do partido.

Fechou portas. Todas.

Voo de galinha

Agora, Adriano Silva também “não presta” aos olhos de João Rodrigues, apenas porque se alinhou com Jorginho. O discurso passou a ser de ataque permanente.

O resultado é claro: trata-se de uma liderança que articula mal, constrói pouco e se isola rapidamente. Não apresenta tamanho para concorrer ao governo e nem conta com capacidade de costura para um voo mais audacioso.

No xadrez pré-eleitoral catarinense, enquanto alguns se movem com estratégia, outros seguem se comportando como uma espécie de biruta de aeroporto. Não bastasse isso, carece de embocadura intelectual e envergadura moral.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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