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Renúncia e Risco

A renúncia tem um objetivo claro: evitar a impressão de que sua pré-candidatura perdeu fôlego antes mesmo de a campanha começar.

11/03/2026 às 09h44
Por: Redação
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A política catarinense terá um fato novo ainda neste mês com o anúncio da renúncia do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, que marcou para o próximo dia 21 o ato em que deixará o cargo para oficializar sua entrada na disputa pelo governo de Santa Catarina.

Trata-se, na prática, de um relançamento de uma candidatura que já havia sido apresentada no ano passado, mas que, até aqui, não conseguiu ganhar densidade política nem musculatura eleitoral. O projeto segue patinando — e isso explica a decisão de antecipar movimentos e tentar demonstrar vigor político em um momento de visível pressão. É uma forma de se manter com alguma esperança no jogo.

A renúncia tem um objetivo claro: evitar a impressão de que sua pré-candidatura perdeu fôlego antes mesmo de a campanha começar. O problema é que os obstáculos continuam surgindo no caminho.

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Fator Colombo

Um dos fatores mais recentes que tensionam o ambiente político é a movimentação do MDB em direção ao ex-governador Raimundo Colombo.

Mesmo ainda filiado ao PSD — o mesmo partido de João Rodrigues — Colombo passou a ser cortejado por lideranças emedebistas para encabeçar uma chapa ao governo estadual.

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Câmara Alta

Nesse desenho, Rodrigues seria deslocado para disputar o Senado, formando dobradinha com o senador Esperidião Amin, hoje ligado à federação União Progressista. A vaga de vice poderia sair do PSDB, com o nome do ex-senador Dalírio Beber entre os cogitados.

A simples circulação dessa hipótese já foi suficiente para acelerar decisões no entorno de Rodrigues.

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Relação distante

A eventual candidatura de Colombo tem um componente adicional: a ausência histórica de sintonia política entre ele e João Rodrigues.

Embora estejam formalmente na mesma legenda, nunca houve entre ambos entrosamento político consistente.

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Observando

Os perfis são distintos, as trajetórias diferentes e a convivência sempre foi marcada por distância. O comportamento de ambos também é bastante diferente.

Colombo, aliás, raramente aparece nas mobilizações partidárias lideradas por Rodrigues — um silêncio que, na política, costuma dizer muito.

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Obstáculos internos

Os problemas de Rodrigues não se limitam à movimentação externa. Dentro do próprio PSD existem resistências e cautelas.

Prefeitos influentes do partido mantêm posição discreta ou distante. Topázio Neto, que comanda a principal prefeitura pessedista, está alinhado com Jorginho Mello.

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Mergulho

Orvino de Ávila, prefeito de São José — quarto colégio eleitoral de Santa Catarina — também tem mantido postura discreta.

Os apoios mais efetivos a João Rodrigues, até aqui, vêm de Vagner Espíndola, o Vaguinho, prefeito de Criciúma, e de Juliana Pavan, prefeita de Balneário Camboriú.

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Incansável

Paralelamente, o governador Jorginho Mello vem realizando intenso movimento de aproximação com prefeitos de diferentes partidos, inclusive do próprio PSD, ampliando sua base municipalista e dificultando ainda mais o avanço do projeto adversário.

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Fantasma de 2022

Há também um elemento psicológico na decisão de Rodrigues. Em 2022, ele já ensaiou disputar o governo estadual. Chegou a cogitar renunciar à prefeitura e chegou a costurar um esboço de chapa que teria o então prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, como vice, e o empresário Luciano Hang como candidato ao Senado.

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Na praia

O projeto acabou naufragando antes de chegar ao mar aberto. Agora, Rodrigues não quer transmitir a imagem de um segundo recuo político, o que ajuda a explicar a decisão de levar adiante a renúncia e reafirmar publicamente a candidatura — nem que seja para disputar o Senado mais adiante.

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Cenário aberto

Caso Raimundo Colombo aceite o convite do MDB, o cenário eleitoral catarinense pode ganhar nova configuração. Teríamos, em tese, quatro candidaturas competitivas:

• Jorginho Mello, buscando a reeleição;
• João Rodrigues;
• Raimundo Colombo;
• Gelson Merisio, representando o campo da esquerda.

Seriam três nomes disputando o eleitorado conservador — fenômeno que sempre produz fragmentação e imprevisibilidade.

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Presenças observadas

O ato de renúncia em Chapecó servirá também como termômetro político.

Não apenas pelo anúncio da candidatura, mas principalmente por quem decidir aparecer no evento.

Evidentemente que Jorginho Mello e Gelson Merisio não estarão presentes. Mas haverá lideranças do MDB? Algum gesto público da federação União Progressista? Esperidião Amin comparecerá? E o próprio Raimundo Colombo dará o ar da graça?

Na política, ausências falam tanto quanto presenças.

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Outra renúncia

Enquanto Rodrigues acelera seu cronograma, outra saída já tem data marcada — até por força da legislação. O prefeito de Joinville, Adriano Silva, deixará o cargo em 2 de abril.

A prefeitura será assumida pela vice, Rejane Gambin. Adriano, do Novo, será o candidato a vice-governador na chapa de reeleição de Jorginho Mello.

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Prazo decisivo

Todas essas movimentações acontecem sob o calendário implacável da legislação eleitoral.

A chamada janela partidária e os ajustes de posicionamento político se estendem até 4 de abril. Depois disso, a política entra em outra fase, que culminará com as convenções partidárias até 5 de agosto.

Até lá, muita água ainda vai correr por baixo da ponte — e, em Santa Catarina, ela costuma correr rápido e turbulenta.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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