
Desde que foi anunciado, em 23 de janeiro, como o novo diretor executivo do Metropolitano, Francisco Battistotti tem trabalhado nos bastidores.
Na mesma noite em que assumiu, solicitou um levantamento sobre as negociações de jogadores.
Quantos atletas estão emprestados ou foram vendidos recentemente?
Quais as cifras envolvidas?
Quanto o clube faturou?

Uma caixa preta, diga-se de passagem.
Um exemplo (são vários) é a notícia publicada no site oficial, em janeiro de 2018, sobre a ida do atacante Alemão para a segunda divisão do futebol japonês.
As informações básicas de sempre.

Prestações de contas, então, não existem (isso vale para o Blumenau também).
Publicamente falando.
Que me recorde, a venda de Maurinho para o Dínamo Minsk, da Bielorússia, em março de 2012, por 500 mil dólares (R$ 900 mil na cotação da época), foi a exceção.
Entrevista coletiva, convocada com urgência.
Muito mais para dar satisfação para uma comunidade que estava em lua de mel com o time, por conta do bom momento vivido no estadual.
Na semana de um confronto decisivo com o Figueirense.

Aquela equipe fez o torcedor sonhar.
Estava encaixadinha.
Sem Maurinho, com o Sesi lotado, o Metrô tomou 4 do Figueirense.
E dali, começou a desandar.

A direção tomou um balão dos gringos.
Acionou a FIFA.
Anos depois, quando recuperou o investimento, ninguém se manifestou.
O bolo foi dividido entre os empresário/diretores que haviam colocado dinheiro na frente para bancar as despesas, como salários.

Foi preciso vir alguém de fora (mais um), de Florianópolis, para mexer nas gavetas, criar perspectivas e alimentar expectativas sobre a formação de um elenco competitivo, com chances de voltar para a elite.
Espero não me frustrar.
Mas Battistotti é do ramo.
Comanda a Associação Nacional dos Clubes de Futebol.
Presidiu um representante de Série A.
Conhece muita gente no mundo da bola.
Tem pedigree.
Tem trânsito.
Tem influência.

E é justamente a odisseia do jovem Alexandre Alemão (revelado no Tupi de Gaspar, antes de chegar ao Metropolitano) que chamou sua atenção.
A começar pela transferência em 2020, em tese, de graça, para a Ressacada, depois de ter passado por Kyoto Sanga, Criciúma e Fluminense de Joinville.

Além da venda do Avaí para o Internacional, em dezembro de 2022 (R$ 400 mil por 70% do passe).

Sem contar o acordo do colorado com o Grupo Pachuca do México, em julho de 2023, que somou US$ 3,2 milhões (R$ 15,3 milhões na oportunidade).
Que o repassou por empréstimo para o Real Oviedo, da segunda divisão da Espanha.
Os gaúchos receberam cerca de R$ 10 milhões com a transferência (ainda ficaram com 30% de participação em um negócio futuro).

Tudo isso intrigou o CEO.
Que chegou à conclusão que o Metropolitano tem ativos para receber.
Solicitou, por telefone, no dia da eleição, os contratos de venda de Avaí e Internacional.
Os percentuais são de 4,5% dos direitos econômicos e 2,3% dos direitos de formação.

O empréstimo de Ruan Oliveira para o Corinthians em 2019 também lhe chamou a atenção.
O meia-atacante seria devolvido no final do ano passado.
Porém, sofreu nova ruptura de ligamento, justamente no dia 6 de dezembro, contra o Coritiba, na última rodada do Campeonato Brasileiro.
Prazo de recuperação: 8 meses.

A lei obriga que o clube mantenha o jogador machucado sob contrato (foi renovado por mais um ano).
Foi a quarta lesão de joelho sofrida por Ruan Oliveira - as outras três foram no esquerdo.

Seu contrato foi prorrogado desde então com o Timão.
O Metropolitano, de fato, só tem direito a 10%, como sempre afirmou a diretoria?
Quanto entrou na conta nesses 5 anos?
Com seu espírito inquieto, Battistotti começou a meter o dedo na ferida.

Ele também foi o principal articulador da reunião que ocorreu na sala da FIESC (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) no CEB (Centro Empresarial Blumenau) no bairro Vorstadt.
Conversei com três pessoas que estiveram no encontro.
Falaram muito pouco, despistaram sobre a possibilidade de jogar ainda este ano no Sesi.

Pelo que entendi, a FIESC não gostou da ideia.
Segue no aguardo da venda de todo o complexo esportivo para o município.
Todavia, não descartou a possibilidade.
Desde que tenha o aval do poder público.
A diretoria do Metropolitano (o BEC, por ora, fica à parte das tratativas) está na espera de uma reunião com o prefeito.
Até o momento, que eu saiba, não conseguiu.

Tentei arrancar alguma novidade de Battistotti na última terça-feira (6).
Só que o cartola não é muito de conversar por WhatsApp.
Me disse apenas que, de fato, os empresários estão procurando um encaixe na agenda do gestor municipal.
E me fez um convite:
"Temos uma reunião com a base. Vamos assistir um coletivo às 16h. Eu e o Evando. Se quiseres bater um papo, passa aqui".
Não consegui ir na Altona.

Evando, que Battistotti se refere, é o ex-atacante do Avaí.
Onde parou de jogar em 2012.
Virou treinador e auxiliar do time principal e comandou o Sub-23.
Tem tudo para ser o técnico.
Geninho, outro amigo pessoal do dirigente, vai ajudar na montagem do elenco.

Como se vê, existe movimentação.
Contudo, o êxito do projeto passa por jogar em Blumenau.
O Atlético tem sido um grande parceiro.
Mas jogar em Ibirama é brochante.
Se não der certo por aqui, a "Baixada" vai ser a "casa" da equipe pelo quinto ano seguido.

É uma tendência.
Pois o grande problema é o tempo.
Os clubes precisam indicar a sede das partidas até o próximo dia 29.
Mesma data para o envio de laudos técnicos (engenharia, vigilância sanitária, bombeiros e segurança).

O laudo da Federação tem de ser emitido após a vistoria, que começa em março.
Se houver pendências até 15 dias antes do primeiro jogo como mandante, o clube terá de indicar outro estádio devidamente aprovado, por no máximo dois jogos.
Para piorar, a mudança de CNPJ leva 60 dias para ficar pronta.

O Blumenau aguarda uma posição oficial.
Vai ajudar na reforma do campo.
Ao mesmo tempo se não jogar no Sesi (o contrato com o XV de Indaial terminou), não descarta desistir da Série B.
A posição é do investidor.
Que é blumenauense e não tem mais interesse em jogar fora.

Caso, em último caso, opte por outro município, vai ter de pagar, logo de cara, R$ 60 mil para a Federação.
Essa situação pode ser amenizada se houver a concordância dos demais integrantes - Atlético Catarinense de São José (que pode jogar em Araranguá), Carlos Renaux de Brusque, Camboriú, Caravaggio de Nova Veneza, Guarani de Palhoça, Juventus de Jaraguá do Sul, Santa Catarina de Rio do Sul e Tubarão.
A FCF, que tem interesse que os dois times joguem aqui, estaria trabalhando para convencer os clubes a concordar, com possíveis ajustes no campo.
Voltar a jogar no Sesi, até como visitante, é um ganho de qualidade.
Em todos os sentidos.

Até porque, se de fato tiver de substituir todo o gramado e implantar o sistema de irrigação, não há nenhuma condição.
Não fica pronto (o campeonato começa dia 26 de maio e termina em 25 de agosto).
A iluminação não precisaria ser trocada (a Série B não exige jogos à noite).

É uma corrida contra o tempo.
Onde um homem pode fazer a diferença: Mário Hildebrandt.

Quem sou eu para lhe dizer o que é certo ou errado, prefeito.
Fosse vossa excelência, começaria uma jogada individual ainda em fevereiro.
No segundo semestre, aplicaria um chapéu em dois adversários.
E próximo a outubro, finalizaria a estratégia com um golaço.

Um hat-trick para ficar de bem com seus torcedores (eleitores) e seus aliados.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter, produtor e editor do quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.


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