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Emerson Luis. Esporte: Fé

Emerson Luis. Esporte: Fé

02/02/2024 às 20h10 Atualizada em 02/02/2024 às 23h10
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Pai e filho orando em um campeonato de futebol de base. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro
Pai e filho orando em um campeonato de futebol de base. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Não sou praticante de nenhuma religião.

No entanto, respeito todas as manifestações, crenças e credos.

Não julgo.

Não atiro pedras em quem prega a palavra de Deus.

Representação de Deus em A Criação de Adão, de Michelangelo. Foto: Reprodução/Aventuras na história

O que "condeno" são os exageros e o uso do nome Dele em vão.

E, principalmente, a hipocrisia que impera em igrejas, santuários, catedrais, paróquias, capelas, mesquitas, mosteiros, sinagogas, terreiros, conventos, congregações, basílicas, abadias, retiros, seminários, casas...em qualquer lugar.

A lavagem cerebral como um todo.

A propósito, notícia divulgada nesta sexta-feira (2), baseada em dados do Censo 2022, mostra que o Brasil tem mais templos religiosos que hospitais e escolas juntos.

São 580 mil estabelecimentos de adoração, de todos os tipos - 286 igrejas para cada 100 mil habitantes.

264 mil instituições de ensino - 130 para cada 100 mil habitantes.

E 248 mil unidades de saúde - 122 para cada 100 mil habitantes.

Mosteiro de São Bento no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Internet

Na infância, por influência de minha mãe, passei a conhecer a palavra do Criador.

Por mais que minha trajetória espiritual seja uma espiral, creio piamente em algo onipresente, divino, poderoso e único.

Que está em todos os lugares.

Essa introdução sacra me leva à matéria que produzi esta semana para o Balanço Geral da NDTV Blumenau.

Sobre a participação da Escola de Futebol Guerreiros do Futuro na Copa Eco Turística.

Em Rancharia, no estado de São Paulo.

Delegação blumenauense em Rancharia SP. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Com dois times.

A maioria dos meninos do time Sub-14 viveu a primeira experiência. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

O Sub-14, eliminado após três derrotas.

Elenco Sub-18 feliz após uma vitória. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

E o Sub-18.

Que se classificou em 2º lugar na 1ª fase.

Mas acabou caindo nas quartas-de-final, para o Projeto Montanha RJ.

Os resultados foram o que menos importaram.

Jogadores e comissão técnica comemorando um gol em Rancharia SP. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Apesar das adversidades enfrentadas.

Como campos distantes do alojamento (de 16 a 51 kms).

Gramados ruins.

Banheiros e vestiários com limitações.

Falta de segurança.

Relatos que estão lá na página oficial do Guerreiros do Futuro no Instagram.

Vibração de uma vitória em São Paulo. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Mesmo em uma competição tradicional (14ª edição).

Que reuniu mais de 3 mil atletas.

150 equipes.

De 13 estados.

Mais representantes do Paraguai e Bolívia.

Projeto que nasceu em 2018 é comandado por Gilmar Feltz. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

A iniciativa nasceu em 2018.

Idealizado por Gilmar Feltz.

Que além de treinador e coordenador da escolinha, é árbitro da Liga Desportiva Vale do Itajaí, de Indaial, e personal.

Núcleo do bairro Itoupavazinha. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Atende 80 crianças e adolescentes.

De 3 a 17 anos.

O principal núcleo fica no Ewald, na Itoupavazinha.

Desde janeiro, ganhou um novo local para treinamento.

A associação da antiga Rigesa (comprada pela multinacional norte-americana WestRock), no bairro Passo Manso.

Treinos na associação da antiga Rigesa começaram em janeiro. Foto: Arquivo pessoal

Seu braço direito é o filho Gustavo.

Acadêmico de educação física.

Assim como a filha Isabela.

A esposa, Mariléia, é formada na área.

Eles são o coração e a alma do projeto.

Gustavo e Gilmar em Rancharia. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Gustavo conseguiu o que poucos moleques conseguem: se tornar um jogador de futebol profissional.

Como lateral/zagueiro/volante defendeu Guarani e Pedra Branca de Palhoça e Fernandópolis SP.

Gustavo com a camisa do Pedra Branca. Foto: Arquivo pessoal

A família é cristã.

Não há nenhuma tentativa de induzir o aluno ou os pais a algum tipo de ideologia.

Um dos ensinamentos é a disciplina.

Respeito aos adversários e ao quarteto de arbitragem são regras.

Condutas que se destacaram em São Paulo.

A vibração após a marcação de um gol na competição. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Fora de campo, a educação no refeitório e o silêncio na concentração chamaram a atenção.

Além do trabalho espiritual.

Meninos atentos ao culto proferido pela comissão técnica. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

No segundo dia, depois de passada a tensão da estreia, a comissão técnica realizou um culto.

Iniciado pelo pai.

Puxado pelo filho.

A ação foi tão positiva que o time do Elosport, de Capão Bonito SP, se uniu para louvar.

Gustavo, Gilmar e um pai voluntário, Jadison Fernandes, no culto realizado no alojamento. Foto: Arquivo pessoal

Foi um momento marcante para a Giselle Oberziner.

Que, preocupada com a segurança e bem estar do filho Davi Lucas, de 11 anos, se voluntariou para cuidar dele e dos uniformes.

A professora (e mais três pais que ajudaram em outras tarefas) pagou R$ 450 para viajar com a delegação.

A inscrição de cada atleta custou R$ 850.

Dava direito ao alojamento e três refeições diárias (foram cinco dias no evento).

Giselle e o filho Davi Lucas. Foto: Arquivo pessoal

A professora ficou impressionada com o que viu.

Especialmente nos bastidores.

Tanto é que me procurou.

Davi Lucas e um novo amigo do Paraguai. Foto: Arquivo pessoal

Pediu gentilmente se eu poderia fazer uma reportagem para valorizar o trabalho executado pelo Gilmar e pelo Gustavo.

Nem exitei.

Acho que consegui transmitir um pouco do sentimento dos professores, jogadores e pais.

Foi uma experiência incrível para cada um deles.

Um valioso aprendizado.

É preciso lidar com as derrotas e dificuldades.

Essenciais para nosso crescimento.

Gustavo em campo pela Série C Catarinense. Foto: Arquivo pessoal

De todos os exemplos, exalto o de Gustavo.

Que realizou o sonho de ser jogador.

Mas teve a infelicidade de ter a carreira abreviada.

Com apenas 21 anos.

Por conta de três graves lesões.

Gustavo durante a oração em Rancharia SP. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Mas ele não enxerga dessa forma.

Entende que foi uma decisão divina, pois precisava estar do lado de fora.

Ser o discípulo fiel do pai.

Para mostrar o caminho (e as provações) a esses meninos sonhadores.

Gilmar e Felipe, atleta do Sub-14, agradecendo a Deus pela classificação para a 2ª fase. Foto: Reprodução/Guerreiros do Futuro

Como duvidar de suas convicções?

Da sua inabalável fé?

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV Record TV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa. 

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