
Não sou praticante de nenhuma religião.
No entanto, respeito todas as manifestações, crenças e credos.
Não julgo.
Não atiro pedras em quem prega a palavra de Deus.

O que "condeno" são os exageros e o uso do nome Dele em vão.
E, principalmente, a hipocrisia que impera em igrejas, santuários, catedrais, paróquias, capelas, mesquitas, mosteiros, sinagogas, terreiros, conventos, congregações, basílicas, abadias, retiros, seminários, casas...em qualquer lugar.
A lavagem cerebral como um todo.

A propósito, notícia divulgada nesta sexta-feira (2), baseada em dados do Censo 2022, mostra que o Brasil tem mais templos religiosos que hospitais e escolas juntos.
São 580 mil estabelecimentos de adoração, de todos os tipos - 286 igrejas para cada 100 mil habitantes.
264 mil instituições de ensino - 130 para cada 100 mil habitantes.
E 248 mil unidades de saúde - 122 para cada 100 mil habitantes.

Na infância, por influência de minha mãe, passei a conhecer a palavra do Criador.
Por mais que minha trajetória espiritual seja uma espiral, creio piamente em algo onipresente, divino, poderoso e único.
Que está em todos os lugares.

Essa introdução sacra me leva à matéria que produzi esta semana para o Balanço Geral da NDTV Blumenau.
Sobre a participação da Escola de Futebol Guerreiros do Futuro na Copa Eco Turística.
Em Rancharia, no estado de São Paulo.

Com dois times.

O Sub-14, eliminado após três derrotas.

E o Sub-18.
Que se classificou em 2º lugar na 1ª fase.
Mas acabou caindo nas quartas-de-final, para o Projeto Montanha RJ.
Os resultados foram o que menos importaram.

Apesar das adversidades enfrentadas.
Como campos distantes do alojamento (de 16 a 51 kms).
Gramados ruins.
Banheiros e vestiários com limitações.
Falta de segurança.
Relatos que estão lá na página oficial do Guerreiros do Futuro no Instagram.

Mesmo em uma competição tradicional (14ª edição).
Que reuniu mais de 3 mil atletas.
150 equipes.
De 13 estados.
Mais representantes do Paraguai e Bolívia.

A iniciativa nasceu em 2018.
Idealizado por Gilmar Feltz.
Que além de treinador e coordenador da escolinha, é árbitro da Liga Desportiva Vale do Itajaí, de Indaial, e personal.

Atende 80 crianças e adolescentes.
De 3 a 17 anos.
O principal núcleo fica no Ewald, na Itoupavazinha.
Desde janeiro, ganhou um novo local para treinamento.
A associação da antiga Rigesa (comprada pela multinacional norte-americana WestRock), no bairro Passo Manso.

Seu braço direito é o filho Gustavo.
Acadêmico de educação física.
Assim como a filha Isabela.
A esposa, Mariléia, é formada na área.
Eles são o coração e a alma do projeto.

Gustavo conseguiu o que poucos moleques conseguem: se tornar um jogador de futebol profissional.
Como lateral/zagueiro/volante defendeu Guarani e Pedra Branca de Palhoça e Fernandópolis SP.

A família é cristã.
Não há nenhuma tentativa de induzir o aluno ou os pais a algum tipo de ideologia.
Um dos ensinamentos é a disciplina.
Respeito aos adversários e ao quarteto de arbitragem são regras.
Condutas que se destacaram em São Paulo.

Fora de campo, a educação no refeitório e o silêncio na concentração chamaram a atenção.
Além do trabalho espiritual.

No segundo dia, depois de passada a tensão da estreia, a comissão técnica realizou um culto.
Iniciado pelo pai.
Puxado pelo filho.
A ação foi tão positiva que o time do Elosport, de Capão Bonito SP, se uniu para louvar.

Foi um momento marcante para a Giselle Oberziner.
Que, preocupada com a segurança e bem estar do filho Davi Lucas, de 11 anos, se voluntariou para cuidar dele e dos uniformes.
A professora (e mais três pais que ajudaram em outras tarefas) pagou R$ 450 para viajar com a delegação.
A inscrição de cada atleta custou R$ 850.
Dava direito ao alojamento e três refeições diárias (foram cinco dias no evento).

A professora ficou impressionada com o que viu.
Especialmente nos bastidores.
Tanto é que me procurou.

Pediu gentilmente se eu poderia fazer uma reportagem para valorizar o trabalho executado pelo Gilmar e pelo Gustavo.
Nem exitei.
Acho que consegui transmitir um pouco do sentimento dos professores, jogadores e pais.
Foi uma experiência incrível para cada um deles.
Um valioso aprendizado.
É preciso lidar com as derrotas e dificuldades.
Essenciais para nosso crescimento.

De todos os exemplos, exalto o de Gustavo.
Que realizou o sonho de ser jogador.
Mas teve a infelicidade de ter a carreira abreviada.
Com apenas 21 anos.
Por conta de três graves lesões.

Mas ele não enxerga dessa forma.
Entende que foi uma decisão divina, pois precisava estar do lado de fora.
Ser o discípulo fiel do pai.
Para mostrar o caminho (e as provações) a esses meninos sonhadores.

Como duvidar de suas convicções?
Da sua inabalável fé?

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV Record TV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.


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