
Vira e mexe alguém aparece nas redes sociais pedindo ajuda para participar de um determinado evento.
A "vakinha" online é uma das ferramentas mais utilizadas.
Por integrantes de várias modalidades.

Nunca, no entanto, imaginei, que algum praticante de tênis, ao menos aqui no estado, recorreria a esse expediente.
Como Carlos Eduardo Lino.
Que precisa fazer esse tipo de ação para seguir alimentando seu sonho.

Guardadas as suas devidas proporções, a trajetória do blumenauense tem aspectos que lembram Break Point.

Além de traços que remetem à King Richard, pai das irmãs Serena e Venus Williams.
Série e filme imperdíveis.
Sobretudo para quem é do ramo ou atua com jornalismo esportivo.

Isso acontece porque Cadu Lino não nasceu em berço de ouro.
É de família simples, honesta e batalhadora.
Que mora desde 1995 na Cohab, no bairro Fidélis.

O pai, Luís Eduardo Lino, sempre foi boleiro, rebatedor e auxiliar de treinador de tênis no Clube de Caça e Tiro Blumenauense.

Chegou a disputar torneios sociais.
Porém, sua prioridade sempre foi ser professor.

Foi ele quem deu de presente para o filho a primeira raquete.
Quando o menino tinha apenas 2 anos de idade.

Ensinou os macetes básicos.
Até que decidiu colocá-lo na escolinha do Guarani.
Com 5 anos, quando passou a ser treinado por João Paulo Imianoski.

Com 9 anos, ganhou sua primeira medalha.
A primeira de muitas.

Cadu ficou no Guarani até abril de 2023.

Desde então, passou a trabalhar com o head coach (treinador principal) Paulo Passold.

Na academia que fica no bairro Bela Vista, em Gaspar.
Que tem como meta aprimorar e preparar o atleta para grandes desafios.
Que vão ficando cada vez mais difíceis.

Por conta dos resultados expressivos, Cadu Lino é, no momento, o tenista nº 1 da FCT (Federação Catarinense de Tênis) na categoria profissional.
O ranking é de janeiro.
Varia bastante.
Mesmo assim, é um feito, já que o menino tem apenas 14 anos - vai completar 15, em 25 de março.

No ranking da CBT (Confederação Brasileira de Tênis) é nº 79.
Ranking que é liderado pelo paranaense de Marechal Cândido Rondon, Thiago Wild, 24 anos - 77º melhor tenista do mundo.

No ranking da Cosat (Confederação Sul-Americana de Tênis), ocupa o 31º lugar na categoria 16 anos.

O adolescente foi vencendo torneios, de simples e de duplas, acumulando pontos, e chegou nesse patamar.

Ele já jogou quatro torneios profissionais (a partir dos 14 anos é permitido participar).
Foi semifinalista duas vezes.
Finalista em outro.
E campeão, ano passado, no Tabajara (onde foi convidado recentemente a treinar), na Copa Encerramento de Classes (que reúne todas as categorias).

Cadu tem tudo para seguir crescendo.
O problema é que precisa de dinheiro para encarar adversários cascudos.

Ano passado, a família promoveu uma rifa (já tinha feito antes uma hamburgada).
Para a disputa de três torneios da Confederação Sul-Americana de Tênis, na categoria 16 anos.
Foi de 30 de setembro a 21 de outubro.
Em Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile) e Cochabamba (Bolívia).
A meta era arrecadar R$ 25 mil.
Conseguiu R$ 12 mil.
O restante foi bancado pelos patrocinadores e apoiadores.

Com a companhia e o incentivo da mãe, conseguiu avançar para as quartas de final de simples e de duplas.
Teve evolução técnica e subiu no ranking (era até então o nº 230 da Cosat).

A luta agora é conseguir recursos em uma nova empreitada.
Por isso, a realização da Vakinha.
Viagens para Lima (Peru), Assunção (Paraguai), Caxias do Sul (RS) e São Paulo (SP).
O pai vai estar ao seu lado (e isso vai ajudar demais no seu desempenho)
De 3 de fevereiro a 10 de março.
Custo: R$ 35 mil.
Soma até o momento: R$ 7.134,00.

O link para ajudá-lo está aqui.

As despesas reduziram um pouco (cerca de R$ 5 mil) porque dois países foram vetados.
Quito, pela organização, por causa da onda de violência de gangues criminosas que o Equador vem enfrentando (dessa forma, Lima vai sediar duas etapas).
E Cali, na Colômbia, por corte de gastos mesmo.
São partidas essenciais para a sua evolução.
Os mais importantes torneios juvenis da América Latina.

É por isso que o atleta da SME (Secretaria Municipal do Esporte), além de treinar pesado todos os dias, também vem trabalhando seu lado emocional.
Há dois anos tem tido consultas com uma psicóloga.
As interações no divã têm lhe ajudado a perder a timidez.
A suportar a pressão.

Que nos remete à Break Point.
Especialmente a segunda temporada (melhor do que a primeira).
Que destaca a parte mental.
O foco.
As distrações.
A facilidade que o atleta tem em se desligar, ser derrotado, por exemplo, em um jogo dado como fácil ou já sacramentado.

É uma tarefa delicada por todas as circunstâncias apresentadas, especialmente a extra quadra.
Uma barreira que só vai ser quebrada viajando, interagindo, jogando, errando, acertando, ganhando maturidade e confiança.

Oxalá Cadu Lino consiga muito em breve se concentrar apenas em jogar tênis, estudar e namorar.



Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV Record TV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.


Mín. 13° Máx. 20°