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Emerson Luis. Esporte: Craque!

Emerson Luis. Esporte: Craque!

19/01/2024 às 20h53 Atualizada em 19/01/2024 às 23h53
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O blumenauense Paulinho em ação no futebol japonês. Foto: Arquivo pessoal
O blumenauense Paulinho em ação no futebol japonês. Foto: Arquivo pessoal

Atletas costumam dizer que a aposentadoria é uma das piores sensações que existem.

Depende.

Principalmente da maneira como a carreira foi construída.

Como a de Paulo Roberto Gonzaga.

Despedida oficial foi no dia 25 de dezembro em sua conta no Instagram. Foto: Arquivo pessoal

Que decidiu, no último dia 2 de dezembro, aos 34 anos de idade, se ausentar dos gramados.

Com a camisa do Matsumoto Yamaga.

Clube que mais jogou (2016/2017/2018/2019/2022/2023) e se identificou no Japão.

Tochigi foi a primeira equipe de Paulinho no continente asiático. Foto: Arquivo pessoal

Paulinho defendeu outros cinco times:

Tochigi (2010/2011/2012/2013).

Kawasaki Frontale (2014).

JEF United (2015).

Shonan Bellmare (2016).

Fagiano Okayama (2020/2021).

Em 2014 com a camisa do Kawasaki Frontale. Foto: Arquivo pessoal

Foram 353 jogos (o objetivo era chegar nos 400).

O terceiro brasileiro que mais atuou por lá.

Uma trajetória de sucesso.

Consolidada.

Pauliinho defendeu seis clubes japoneses. Foto: Arquivo pessoal

No próximo dia 26, o blumenauense vai estar de aniversário.

Ele poderia, assim como tantos boleiros, seguir "mentindo e enganando".

No mínimo, por mais uma temporada.

Afinal, sempre foi um profissional que se cuidou - apesar das quatro lesões gravíssimas que contraiu.

Nos tempos do Metropolitano no aquecimento em Pomerode. Foto: Reprodução/Santa

A primeira, bem cedo.

Aos 15 anos.

Em 2005.

Na estreia do Metropolitano na Série A.

Contra o Tubarão, no Sesi.

Rompeu os ligamentos do joelho - ficou um ano de molho.

Em campo contra o Tubarão em 2005. Foto: Jandir Nascimento

No exterior teve duas quebras ósseas.

E ainda estourou o tendão.

Na casa da família no bairro Progresso se recuperando da contusão em 2005. Foto: Patrick Rodrigues

Mas Beto, como é conhecido entre os mais chegados, não quis mentir para si mesmo.

O menino criado na rua Guarapari, no Progresso, possui berço, raízes, princípios...

Foi abençoado por ter uma família simples e batalhadora.

Paulinho com a irmã Heloisa e os pais Ivone e Gonzaga. Foto: Arquivo pessoal

O pai, Gonzaga, trabalhou como operador de máquinas na Artex.

Gonzaga, pai do Paulinho. Foto: Arquivo pessoal

A mãe, Ivone, como secretária da Escola Celso Ramos.

Ivone, mãe do Paulinho. Foto: Arquivo pessoal

A decisão foi tomada em conjunto.

Com serenidade.

Com a sensação de dever cumprido.

Família sempre foi o grande pilar do jogador. Foto: Arquivo pessoal

Em paz com a sua consciência.

E com a sua rica biografia.

Ao lado da lenda japonesa, Shunsuke Nakamura. Foto: Arquivo pessoal

Todo moleque sonha em jogar na Europa.

Paulinho também alimentava esse desejo.

No entanto, quis o destino que sua vida passasse por uma metamorfose, no outro lado do planeta.

Paulinho sempre deixou tudo dentro de campo. Foto: Arquivo pessoal

Ninguém joga 13 anos e meio em um país com uma cultura complemente diferente da nossa, se destaca e vira ídolo, à toa.

Entre Sandro Glatz, Ricardo Lobo e um dirigente do Tochigi. Foto: Arquivo pessoal

Outra coisa: nem todo mundo consegue manter uma relação de 19 anos com os mesmos empresários (Sandro Glatz Wienhage e Alexandre Kuniy).

Isso chama-se caráter, transparência, lealdade.

O começo do sonho na Artex. Foto: Arquivo pessoal

Paulinho teve de ralar muito.

Desde os 8 anos.

Durante torneio na Associação Hering. Foto: Arquivo pessoal

Na Copa Hering, em 1998, ganhou a primeira medalha.

De artilheiro.

A primeira medalha ainda é guardada com muito carinho. Foto: Arquivo pessoal

Além do primeiro troféu.

De 4º lugar.

Primeiro troféu da galeria. Foto: Arquivo pessoal

Seu primeiro professor foi Júlio Pitz.

Time da Artex comandado por Júlio Pitz. Foto: Arquivo pessoal

Seguido de Silvio Galassini e Ademar Molon.

Com Galassini (no primeiro plano) e Ademar Molon em um torneio de base. Foto: Arquivo pessoal

Itamar Schülle lhe deu a chance de fazer parte do elenco principal.

No banco de reservas, no Sesi, com Itamar Schülle como treinador, em jogo do Catarinense de 2005. Foto: Arquivo pessoal

César Paulista, por sua vez, conhecia seu potencial na base.

Na base do Metropolitano sendo comandado por Ademar Molon e Rauli Amorim. Foto: Arquivo pessoal

Foi quem lhe colocou para jogar como titular.

Comemorando gol com Diego Viana. Foto: Reprodução/Santa

Por cerca de três anos, também jogou futsal na Apama, com Reginaldo de Souza.

Paulinho foi vice-campeão infantil em 2003 com a Apama Futsal. Foto: Arquivo pessoal

Paulinho teve uma experiência marcante no Atlético Paranaense (Athletico).

Com 13 anos de idade foi jogar a Copa Votorantim.

Ao menos essa era a intenção.

Junto com o atacante Marco Aurélio.

Ganhando bagagem em jogos na Associação Artex. Foto: Arquivo pessoal

O pai não queria que ele viajasse para Curitiba.

Entendia que o filho estava no caminho certo, amadurecendo, em casa, seguro, protegido...

Seu Gonzaga chegou a oferecer seu 13º salário para que o jovem ficasse em Blumenau.

Mas o garoto, decidido (que abriu mão de passar as férias na praia com os primos), enxergava a oportunidade como única.

Competição de ponta.

Por um clube grande.

Visibilidade.

Participar de torneios é uma rotina na vida dos meninos. Foto: Arquivo pessoal

A dupla viajou dia 26 de dezembro.

Se apresentou para treinar direto, sem testes, com o elenco Sub-14 do Furacão.

Porém, na capital paranaense, a ficha caiu.

O adolescente enxergou o quão difícil é a vida de um moleque em busca do sonho de ser jogador de futebol.

Artex chegou a fazer uma parceria com a Hering para disputar uma competição. Foto: Arquivo pessoal

A saudade bateu forte.

Chorava todos os dias com o pai e a mãe ao telefone.

Não aguentou a barra.

Pediu socorro.

Prontamente atendido.

No dia 31, o paizão e os tios Marcos e Celso pegaram a estrada para "resgatá-lo" no CT do Caju.

Com a taça de campeão brasileiro Sub-20 no tricolor gaúcho. Foto: Arquivo pessoal

Foi um grande aprendizado.

No Grêmio, onde se tornou campeão brasileiro Sub-20, como capitão, se adaptou rapidamente.

Ficou em Porto Alegre por três anos.

Subiu e fez toda a pré-temporada.

Por uma cláusula contratual não ficou.

Com a camisa do Vasco, no Maracanã. Foto: Arquivo pessoal

Rodrigo Caetano, ex-dirigente tricolor, o levou para o Vasco.

Apesar do pouco aproveitamento, foi campeão da Série B do Campeonato Brasileiro e ajudou o time, em 2009, sob o comando de Dorival Júnior, a voltar para a elite.

Localização de Tochigi no Japão. Foto: Reprodução/Internet

Em junho de 2010 partiu para Tochigi para jogar a J2 League.

Os pais e a namorada foram visitá-lo em 2011 e 2012.

Em 2013, Cristina Voitena foi em definitivo.

Abriu mão do sonho de ser dentista para ficar ao lado do parceiro.

Sua presença teve enorme influência em seu desempenho.

Paulinho e Cristina no Japão. Foto: Arquivo pessoal

Os dois estudaram no Padre José Maurício.

Se conheciam de vista.

O flerte, no entanto, começou nos tempos do Vasco.

Por mensagens no Orkut.

O casal em momento solo. Foto: Arquivo pessoal

Namoraram.

Casaram.

Tiveram dois filhos.

Helena, de 8 anos.

E Samuel, de 6.

Ambos nasceram em Tóquio.

Paulinho e Cristina com Helena e Samuel. Foto: Arquivo pessoal

Paulinho não cansa de dizer que sem o suporte da família não chegaria a lugar algum.

A começar pelo pai que considera seu melhor amigo.

O grande incentivador.

Pai e filho em um momento marcante. Foto: Arquivo pessoal

Bem como a mãe e a irmã - que mora no Mato Grosso do Sul.

Além, claro, da esposa, que perdeu dezenas de noites de sono, por conta de um problema estomacal da filha nos seus dois primeiros anos de vida.

"Minha mulher foi uma guerreira!"

Helena, saudável, comemorando seu aniversário. Foto: Arquivo pessoal

Em 2014, seu primeiro gesto (material) de retribuição e gratidão foi dar um apartamento para os pais.

Paulinho soube investir e poupar o dinheiro que ganhou.

Nos tempos de JEF United. Foto/Reprodução: Kuniy & W Sports

Em sociedade com os ex-companheiros de Metrô, Fernando Voltolini e Fernando Schmude, inaugurou em dezembro e janeiro, duas franquias de lavanderia.

Com Fernando Schmude e Fernando Voltolini na inauguração da loja. Foto: Arquivo pessoal

Por ora, o ex-volante/meio-campo (agora, olheiro do Matsumoto Yamaga) vai despachar do apartamento que tem no litoral.

Paulinho segue ligado ao Matsumoto, agora fora de campo. Foto: Arquivo pessoal

O desejo da família é morar em uma casa.

O terreno já foi comprado.

Em Blumenau.

Família reunida durante o Natal. Foto: Arquivo pessoal

Onde tudo começou.

Onde a humildade e a fibra da família Gonzaga permanecem enraizadas.

O sonho do menino virou realidade. Foto: Arquivo pessoal

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV Record TV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa. 

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