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Emerson Luis. Esporte: Legado

Emerson Luis. Esporte: Legado

24/11/2023 às 20h38 Atualizada em 24/11/2023 às 23h38
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Estádio Heriberto Hulse em Criciúma. Foto: Reprodução/Internet
Estádio Heriberto Hulse em Criciúma. Foto: Reprodução/Internet

Depois do Complexo Esportivo do Sesi e do Aderbal Ramos da Silva, o Heriberto Hulse é o estádio onde mais trabalhei como repórter.

Seja no rádio (principalmente) ou na televisão.

Fiz a final da Copa do Brasil em 1991 contra o Grêmio (0 x 0).

Que confirmou o título do Criciúma.

Sob a batuta de Luiz Felipe Scolari.

Itá e Sarandi com o troféu de campeão da Copa do Brasil. Foto: Reprodução/Internet

Também estive no Olímpico no empate em 1 x 1.

Onde o gol marcado pelo zagueiro Vilmar em Porto Alegre fez a diferença na partida de volta.

Gol marcado por Vilmar no Estádio Olímpico. Foto: Reprodução/Internet

Ainda acompanhei os quatro jogos entre Criciúma e São Paulo pela Taça Libertadores de 1992.

Na primeira fase, em casa, vitória de 3 x 0.

Na volta, no Morumbi, a única derrota da primeira fase, 4 x 0.

Na melhor exibição técnica e tática que eu assisti, ao vivo, na minha vida.

Criciúma e São Paulo na Libertadores de 1992. Foto: Reprodução/Internet

O Tigre ficou na frente do São Paulo.

Bolívar e San José, ambos da Bolívia, foram eliminados.

No mata-mata, o time catarinense despachou o Sporting Cristal do Peru.

2 x 1 em Lima.

3 x 2 em Criciúma.

Muller chuta a gol no jogo de ida das quartas de final no Morumbi. Foto: Reprodução/Internet

Já o São Paulo passou pelo Nacional do Uruguai.

1 x 0 em Montevidéu.

2 x 0 na capital paulista.

Raí e Telê Santana com a taça de campeão. Foto: Reprodução/Internet

A equipe treinada por Levir Culpi teve o azar de cruzar com o timaço comandado por Telê Santana, que se tornaria o campeão.

Perdeu em São Paulo por 1 x 0.

Empatou em Criciúma em 1 x 1.

Terminou em um honroso 5ª lugar.

São só dois valiosos cases de sucesso.

Naquela época, a grandeza do Criciúma já me espantava.

Com uma infraestrutura que melhorou muito de lá para cá.

Com as modificações no estádio, naturalmente.

E com a construção do CT Antenor Angeloni.

Estádio Heriberto Hulse fica na região central de Criciúma. Foto: Reprodução/Internet

Um terreno com 10 hectares (quase 3 mil metros quadrados de área construída) doado pela prefeitura em 1995, no bairro Cristo Redentor.

Trata-se de uma zona industrial, a poucos quilômetros do acesso pela SC-445, que liga Içara a Criciúma.

CT do Tigre é referência nacional. Foto: Reprodução/Internet

Em 2010, o projeto de captação de recursos foi aprovado.

A primeira parte das obras começou em 2013 para receber até 80 atletas.

Em 2015, o elenco principal já treinava no local.

A inauguração oficial foi em maio de 2018.

Inauguração do CT em maio de 2018. Foto: Everton Goulart/Criciúma Esporte Clube

A explicação para o nome do Centro de Treinamentos ser concedido ao empresário de 87 anos, natural de Turvo, é simples. 

Foi ele que, de 2010 a 2015, recuperou um patrimônio em deterioração, liderou a captação de recursos do CT, saneou as contas, pagou dívidas estratosféricas e capitalizou a instituição para um novo modelo de gestão.

Antenor Angeloni foi justamente homenageado. Foto: Everton Goulart/Criciúma Esporte Clube.

Recuperou a dignidade e a credibilidade do clube.

Torcida não esquece o que o empresário fez pelo clube. Foto: Reprodução/Internet

São seis campos com medidas oficiais.

Visão dos seis campos do CT do Criciúma — Foto: Everton Goulart/Criciúma Esporte Clube

E até um miniestádio (1400 lugares) para os jogos da base.

CT recebe jogos da base e treinos do time adulto. Foto: Diogo de Souza/ND

A construção do CT só potencializou essa força.

A molecada ganhou tudo nesta temporada.

Campeão Sub-15 (sobre o Avaí).

Último título da base foi conquistado esta semana na Ressacada. Foto: Reprodução/FCF

Campeão Sub-17 (bateu a Chapecoense).

Grupo Sub-17 comemora título no Heriberto Hulse. Foto: Fernando Ribeiro/FCF

Campeão Sub-20 (venceu o Avaí).

Criciúma bateu o Avaí nos pênaltis. Fotos: Deivid dos Anjos/FCF

Sem contar o título estadual da Série A profissional.

Elenco campeão catarinense ao bater o Brusque na final. Foto: Reprodução/Internet

Um grupo liderado por Eder.

Nascido em Lauro Müller.

Eder vibra com gol em 2005. Foto: Reprodução/Internet

O cara que morou nas arquibancadas do Heriberto Hulse.

Rodou o mundo.

"Virou italiano".

Jogou a Eurocopa.

Quando voltou ao Brasil, defendeu o São Paulo.

Ia se aposentar.

Eder comemora um gol no Heriberto Hulse este ano. Foto: Reprodução/Internet

Mas retornou ao Criciúma.

Aos 37 anos, como forma de gratidão.

E foi decisivo.

Marcou 9 gols na Série B.

Recolocou o time na elite.

Uma carreira impecável!


BEC no Estádio Aderbal Ramos da Silva. Foto: Reprodução/Valdir Campos

Não trago esses dados para fazer qualquer tipo de comparação com Blumenau.

Até porque não existe a mínima condição.

Porém, a foto (acima) que recebi essa semana do Valdir Campos, com a escalação do BEC de 1991, trouxe boas lembranças.

Aquele timaço da Copa do Brasil e até da Libertadores "rebolou" no velho Deba.

Guardada as devidas proporções e momentos, serve de reflexão.

Sobre a derrocada de um clube e o crescimento de outro.

As consequências positivas (de um futebol vencedor) e negativas (de um futebol perdedor).

Jogo do Metropolitano no estadual de 2012 no estádio do Sesi. Foto: Reprodução/Internet

De cada 10 pessoas na cidade, uma ainda pergunta sobre os representantes daqui.

O atual cenário só aumenta a simpatia por equipes cariocas, paulistas e gaúchas, em sua maioria.

Temos torcidas organizadas.

Que realizam encontros e eventos com frequência.

Se reúnem em bares, associações, sedes próprias.

Viajam para assistir os jogos em outros estados (ano que vem isso acaba).

Sem contar a presença aqui dos consulados.

Tudo absolutamente normal.

Pela história, tradição, o amor geralmente herdado dos pais.

Lucas, Luciana e Elaine da diretoria do Consulado do Palmeiras. Foto: Consulado Blumenau

Agora, o que chama a atenção é ter em Blumenau um consulado do Criciúma.

Fundado em outubro de 2022.

Tem cerca de 35 torcedores da região.

Muitos estiveram no jogo do acesso contra o Botafogo SP.

Integrantes do Consulado Blumenau e torcedores no "esquenta" para o jogo do acesso. Foto: Reprodução/Marcelo Machado

Tem até gente que nasceu aqui e morou por um tempo no sul do estado - e pagou promessa.

Com o escudo do Tigre tatuado no braço.

Reverência do torcedor Sidney Siewert. Foto: Arquivo pessoal

Para efeito de curiosidade, existem outros 24 consulados em Santa Catarina.

Araranguá, Balneário Gaivota, Braço do Norte, Cocal do Sul, Florianópolis, Forquilhinha, Içara, Itajaí, Jaguaruna, Lauro Müller, Maracajá, Meleiro, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Orleans, Pescaria Brava, Rio Fortuna, São Ludgero, Siderópolis, Sombrio, Treviso, Treze de Maio, Turvo e Urussanga.

Dois estão em fase de aprovação: Pomerode e Lages.

Membros do Consulado Blumenau no Heriberto Hulse. Foto: Reprodução/Marcelo Machado

No Brasil tem o consulado de Brasília - outros dois serão nomeados no próximo dia 2 de dezembro: Curitiba e Rio Claro SP.

E mais sete no exterior (Paraguai, Inglaterra e Estados Unidos).

Marcelo Machado é o cônsul.

É natural de Criciúma.

Mas, mora em Blumenau há quase 25 anos.

Já torceu pelo BEC.

Com a extinção do time original, passou a torcer pelo Metrô.

Viajou bastante.

Ano passado, inclusive, na segundona, acompanhou a eliminação para o Atlético São José, dentro de Ibirama.

Em 2008, ganhou até camisa do goleiro João Paulo.

Camisa que ganhou de João Paulo em 2008. Foto: Arquivo pessoal

A filha Cecília é apaixonada pelo Criciúma.

Assistiu com o pai, a partida contra o ABC RN.

Marcelo e a filha Cecília no Heriberto Hulse. Foto: Arquivo pessoal

Ela fez um pedido para Eder.

O atacante não viu o cartaz no último dia 7.

Contudo, a foto chegou até à família do jogador.

E a menina de 12 anos pode ganhar a camisa do ídolo.

Com a idade que tem e a ligação sentimental com o tricolor, não há mais volta.

Imagina se ganhar o "manto".

Cecília e sua paixão pelo Criciúma. Foto: Arquivo pessoal

Talvez tenha gente que considere um gesto pequeno.

Vejo como enorme!

Sobretudo porque essa ação e reação poderiam ser protagonizadas em Blumenau.

Nossos filhos precisam de referência.

De vencedores.

Integrantes em um jogo no Estádio Couto Pereira. Foto: Consulado Blumenau

E o Criciúma Esporte Clube é o maior exemplo de que para se ter sucesso é preciso ter organização e planejamento (um mecenas como Antenor Angeloni também ajuda muito).

Vejamos a trajetória de Claudio Tencati.

Chegou em 5 de outubro de 2021.

Levou o time da Série C para a Série B.

Da Série B para a Série A.

Foi campeão da segunda divisão catarinense.

Campeão estadual da primeira divisão após 10 anos.

A emoção da torcida após a confirmação do acesso. Foto: Reprodução/Internet

115 jogos.

53 vitórias.

36 empates.

26 derrotas.

56% de aproveitamento.

Passou por períodos de oscilação.

Muitos dirigentes já o teriam mandado passar no RH.

Claudio Tencati comemora aceso na coletiva de Imprensa. Foto: Reprodução/Internet

18 mil sócios.

Em um município com 231.088 habitantes.

Uma praça esportiva que ficou pequena (19.225 lugares).

Que precisa ser ampliada (30 mil).

Até a construção de uma arena foi cogitada (e vetada).

Projeto de ampliação contempla um novo anel superior. Arte: Divulgação/Criciúma Esporte Clube

A Comissão de Patrimônio apontou que o custo de um novo estádio chegaria a R$ 500 milhões.

A ampliação custaria entre R$ 70 milhões e R$ 90 milhões.

Proposta prevê a colocação de 30 mil cadeiras. Arte: Divulgação/Criciúma Esporte Clube

Por ora, a prioridade, aprovada pelo Conselho Deliberativo, é a modernização do estádio.

A direção espera implantar a partir de dezembro as melhorias (construção de novos bares e banheiros, reforma no gramado e nova iluminação em LED).


Estádio Heriberto Hulse. Foto: NDTV Criciúma/Divulgação ND

Mais conforto para quem sempre foi fiel e comprou a ideia.

Fidelidade e profissionalismo na tomada de decisões.

Jogo Criciúma e Vasco na Série B de 2022. Foto: Reprodução/Internet

Nada está acontecendo por acaso.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.  

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