
Depois do Complexo Esportivo do Sesi e do Aderbal Ramos da Silva, o Heriberto Hulse é o estádio onde mais trabalhei como repórter.
Seja no rádio (principalmente) ou na televisão.
Fiz a final da Copa do Brasil em 1991 contra o Grêmio (0 x 0).
Que confirmou o título do Criciúma.
Sob a batuta de Luiz Felipe Scolari.

Também estive no Olímpico no empate em 1 x 1.
Onde o gol marcado pelo zagueiro Vilmar em Porto Alegre fez a diferença na partida de volta.

Ainda acompanhei os quatro jogos entre Criciúma e São Paulo pela Taça Libertadores de 1992.
Na primeira fase, em casa, vitória de 3 x 0.
Na volta, no Morumbi, a única derrota da primeira fase, 4 x 0.
Na melhor exibição técnica e tática que eu assisti, ao vivo, na minha vida.

O Tigre ficou na frente do São Paulo.
Bolívar e San José, ambos da Bolívia, foram eliminados.
No mata-mata, o time catarinense despachou o Sporting Cristal do Peru.
2 x 1 em Lima.
3 x 2 em Criciúma.

Já o São Paulo passou pelo Nacional do Uruguai.
1 x 0 em Montevidéu.
2 x 0 na capital paulista.

A equipe treinada por Levir Culpi teve o azar de cruzar com o timaço comandado por Telê Santana, que se tornaria o campeão.
Perdeu em São Paulo por 1 x 0.
Empatou em Criciúma em 1 x 1.
Terminou em um honroso 5ª lugar.
São só dois valiosos cases de sucesso.

Naquela época, a grandeza do Criciúma já me espantava.
Com uma infraestrutura que melhorou muito de lá para cá.
Com as modificações no estádio, naturalmente.
E com a construção do CT Antenor Angeloni.

Um terreno com 10 hectares (quase 3 mil metros quadrados de área construída) doado pela prefeitura em 1995, no bairro Cristo Redentor.
Trata-se de uma zona industrial, a poucos quilômetros do acesso pela SC-445, que liga Içara a Criciúma.

Em 2010, o projeto de captação de recursos foi aprovado.
A primeira parte das obras começou em 2013 para receber até 80 atletas.
Em 2015, o elenco principal já treinava no local.
A inauguração oficial foi em maio de 2018.

A explicação para o nome do Centro de Treinamentos ser concedido ao empresário de 87 anos, natural de Turvo, é simples.
Foi ele que, de 2010 a 2015, recuperou um patrimônio em deterioração, liderou a captação de recursos do CT, saneou as contas, pagou dívidas estratosféricas e capitalizou a instituição para um novo modelo de gestão.

Recuperou a dignidade e a credibilidade do clube.

São seis campos com medidas oficiais.

E até um miniestádio (1400 lugares) para os jogos da base.

A construção do CT só potencializou essa força.
A molecada ganhou tudo nesta temporada.
Campeão Sub-15 (sobre o Avaí).

Campeão Sub-17 (bateu a Chapecoense).

Campeão Sub-20 (venceu o Avaí).

Sem contar o título estadual da Série A profissional.

Um grupo liderado por Eder.
Nascido em Lauro Müller.

O cara que morou nas arquibancadas do Heriberto Hulse.
Rodou o mundo.
"Virou italiano".
Jogou a Eurocopa.
Quando voltou ao Brasil, defendeu o São Paulo.
Ia se aposentar.

Mas retornou ao Criciúma.
Aos 37 anos, como forma de gratidão.
E foi decisivo.
Marcou 9 gols na Série B.
Recolocou o time na elite.
Uma carreira impecável!

Não trago esses dados para fazer qualquer tipo de comparação com Blumenau.
Até porque não existe a mínima condição.
Porém, a foto (acima) que recebi essa semana do Valdir Campos, com a escalação do BEC de 1991, trouxe boas lembranças.
Aquele timaço da Copa do Brasil e até da Libertadores "rebolou" no velho Deba.
Guardada as devidas proporções e momentos, serve de reflexão.
Sobre a derrocada de um clube e o crescimento de outro.
As consequências positivas (de um futebol vencedor) e negativas (de um futebol perdedor).

De cada 10 pessoas na cidade, uma ainda pergunta sobre os representantes daqui.
O atual cenário só aumenta a simpatia por equipes cariocas, paulistas e gaúchas, em sua maioria.
Temos torcidas organizadas.
Que realizam encontros e eventos com frequência.
Se reúnem em bares, associações, sedes próprias.
Viajam para assistir os jogos em outros estados (ano que vem isso acaba).

Sem contar a presença aqui dos consulados.
Tudo absolutamente normal.
Pela história, tradição, o amor geralmente herdado dos pais.

Agora, o que chama a atenção é ter em Blumenau um consulado do Criciúma.
Fundado em outubro de 2022.
Tem cerca de 35 torcedores da região.
Muitos estiveram no jogo do acesso contra o Botafogo SP.

Tem até gente que nasceu aqui e morou por um tempo no sul do estado - e pagou promessa.
Com o escudo do Tigre tatuado no braço.

Para efeito de curiosidade, existem outros 24 consulados em Santa Catarina.
Araranguá, Balneário Gaivota, Braço do Norte, Cocal do Sul, Florianópolis, Forquilhinha, Içara, Itajaí, Jaguaruna, Lauro Müller, Maracajá, Meleiro, Morro da Fumaça, Nova Veneza, Orleans, Pescaria Brava, Rio Fortuna, São Ludgero, Siderópolis, Sombrio, Treviso, Treze de Maio, Turvo e Urussanga.
Dois estão em fase de aprovação: Pomerode e Lages.

No Brasil tem o consulado de Brasília - outros dois serão nomeados no próximo dia 2 de dezembro: Curitiba e Rio Claro SP.
E mais sete no exterior (Paraguai, Inglaterra e Estados Unidos).

Marcelo Machado é o cônsul.
É natural de Criciúma.
Mas, mora em Blumenau há quase 25 anos.
Já torceu pelo BEC.
Com a extinção do time original, passou a torcer pelo Metrô.
Viajou bastante.
Ano passado, inclusive, na segundona, acompanhou a eliminação para o Atlético São José, dentro de Ibirama.
Em 2008, ganhou até camisa do goleiro João Paulo.

A filha Cecília é apaixonada pelo Criciúma.
Assistiu com o pai, a partida contra o ABC RN.

Ela fez um pedido para Eder.
O atacante não viu o cartaz no último dia 7.
Contudo, a foto chegou até à família do jogador.
E a menina de 12 anos pode ganhar a camisa do ídolo.
Com a idade que tem e a ligação sentimental com o tricolor, não há mais volta.
Imagina se ganhar o "manto".

Talvez tenha gente que considere um gesto pequeno.
Vejo como enorme!
Sobretudo porque essa ação e reação poderiam ser protagonizadas em Blumenau.
Nossos filhos precisam de referência.
De vencedores.

E o Criciúma Esporte Clube é o maior exemplo de que para se ter sucesso é preciso ter organização e planejamento (um mecenas como Antenor Angeloni também ajuda muito).
Vejamos a trajetória de Claudio Tencati.
Chegou em 5 de outubro de 2021.
Levou o time da Série C para a Série B.
Da Série B para a Série A.
Foi campeão da segunda divisão catarinense.
Campeão estadual da primeira divisão após 10 anos.

115 jogos.
53 vitórias.
36 empates.
26 derrotas.
56% de aproveitamento.
Passou por períodos de oscilação.
Muitos dirigentes já o teriam mandado passar no RH.

18 mil sócios.
Em um município com 231.088 habitantes.
Uma praça esportiva que ficou pequena (19.225 lugares).
Que precisa ser ampliada (30 mil).
Até a construção de uma arena foi cogitada (e vetada).

A Comissão de Patrimônio apontou que o custo de um novo estádio chegaria a R$ 500 milhões.
A ampliação custaria entre R$ 70 milhões e R$ 90 milhões.

Por ora, a prioridade, aprovada pelo Conselho Deliberativo, é a modernização do estádio.
A direção espera implantar a partir de dezembro as melhorias (construção de novos bares e banheiros, reforma no gramado e nova iluminação em LED).

Mais conforto para quem sempre foi fiel e comprou a ideia.
Fidelidade e profissionalismo na tomada de decisões.

Nada está acontecendo por acaso.

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.

Mín. 19° Máx. 34°