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Salto e Segurança

Dois protagonistas simbolizam bem este momento: os prefeitos de Joinville, Adriano Silva, e de Chapecó, João Rodrigues.

01/04/2026 às 08h58 Atualizada em 01/04/2026 às 09h36
Por: Redação
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A semana é decisiva para o tabuleiro eleitoral catarinense. Além de marcar a reta final das desincompatibilizações — cujo prazo expira no próximo sábado, dia 4, exatamente seis meses antes do pleito —, concentra movimentos que ajudam a definir o desenho das chapas majoritárias ao governo do Estado.

Dois protagonistas simbolizam bem este momento: os prefeitos de Joinville, Adriano Silva, e de Chapecó, João Rodrigues. Ambos deixam os cargos para disputar as eleições de outubro, mas em condições políticas profundamente distintas — quase antagônicas.

Nesta terça-feira, João Rodrigues formalizou sua saída da Prefeitura de Chapecó para concorrer ao governo do Estado pelo PSD. Na quinta-feira, será a vez de Adriano Silva deixar a Prefeitura de Joinville para integrar, como vice, a chapa de reeleição do governador Jorginho Mello.

Outros prefeitos de cidades de médio porte também devem renunciar, mirando cadeiras na Assembleia Legislativa, o que reforça o caráter estratégico desta semana no calendário político catarinense.



Cenários

A comparação entre Adriano e João expõe dois cenários opostos. Adriano Silva ingressa em uma chapa pronta, estruturada e politicamente assegurada. Será o candidato a vice do atual governador.

Já João Rodrigues se lança à frente de um projeto ainda em construção, sem garantias efetivas de sustentação partidária — apenas com um anunciado protocolo de intenções.



Chapa pronta

No caso de Adriano, não há margem para incertezas. A composição liderada por Jorginho Mello está definida e consolidada, inclusive com as candidaturas ao Senado: Carol De Toni e Carlos Bolsonaro, ambos pelo PL.

Trata-se de uma engenharia eleitoral coesa, com alinhamento partidário claro e sem fissuras aparentes. Adriano entra como peça complementar, agregando densidade administrativa e eleitoral a um projeto já estruturado.



Acordo frágil

João Rodrigues, por sua vez, trabalha — reitere-se — com um protocolo de intenções, ainda distante de uma aliança consolidada. Muito distante.

O desenho envolve PSD, MDB e União Progressista, com a vice devendo ser ocupada pelo MDB e o Senado reservado ao senador Esperidião Amin, candidato à reeleição.

O problema é que esse arranjo depende das convenções partidárias, que ocorrerão entre 15 de julho e 5 de agosto. Até lá, tudo permanece no campo das possibilidades — e das incertezas.



Partidos rachados

MDB e União Progressista vivem divisões internas profundas. Mais do que isso: a ala majoritária — especialmente entre detentores de mandato e lideranças com influência real — inclina-se a apoiar a reeleição de Jorginho Mello.

Ambos os partidos foram, é verdade, preteridos na composição majoritária do governador, apesar de promessas anteriores de espaços relevantes, como a vice e uma vaga ao Senado. Ainda assim, prevalece o pragmatismo, considerando-se a força administrativa e política do governador.



Pragmatismo

A lógica é simples e conhecida: estar próximo do governo facilita a montagem de chapas proporcionais competitivas, amplia o acesso a estruturas e melhora as condições eleitorais.



Caminho

Por isso, mesmo contrariados, MDB e União Progressista tendem a permanecer orbitando o Palácio.

O resultado prático é que João Rodrigues pode até conseguir o apoio formal das siglas — o CNPJ, o tempo de televisão, etc. —, mas dificilmente levará consigo a unidade partidária ou suas principais lideranças.



Salto no escuro

É aqui que reside o ponto central. João Rodrigues renuncia ao cargo sem a segurança de que terá, de fato, uma coligação robusta. Move-se com base em um acordo ainda não homologado e em partidos internamente fragmentados.

Trata-se, portanto, de um movimento de alto risco político — um verdadeiro salto no escuro.



Terceira força

Como se não bastasse o enfrentamento direto com o governador, João ainda terá pela frente uma candidatura que tende a ganhar densidade: a de Gelson Merisio, que agora se posiciona no campo da esquerda.



União

Ali, o cenário é o oposto do centro-direita: há unidade. Angela Albino(PDT) já está definida como vice, enquanto Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) devem concorrer ao Senado.

Merisio, que migra do Solidariedade para o PSB, passa a operar dentro de um campo politicamente coeso — algo que, neste momento, falta ao projeto de João Rodrigues.



Frigir dos ovos

A fotografia da semana é cristalina: enquanto Adriano Silva deixa o cargo para ocupar uma posição segura em uma engrenagem já montada, João Rodrigues abandona a prefeitura apostando em uma construção ainda incerta.

Em política, timing é tudo. E, neste caso, a diferença entre segurança e risco pode ser determinante no resultado de outubro.

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Prisco Paraíso
Sobre o blog/coluna
Com mais de quatro décadas de experiência no jornalismo político, Prisco já passou pelos principais veículos de comunicação de Santa Catarina. Atuou como repórter, colunista e comentarista em rádio, TV e jornais. Hoje, assina sua coluna também no AJ Notícias com análises precisas e bastidores da política catarinense.
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