21°C 34°C
Blumenau, SC

Emerson Luis. Esporte: Somos

Emerson Luis. Esporte: Somos

10/11/2023 às 20h30 Atualizada em 10/11/2023 às 23h30
Por:
Compartilhe:
O maior título da história do clube. Foto: Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.
O maior título da história do clube. Foto: Foto: Lucas Merçon / Fluminense F.C.

Não lembro de ter ter chorado em algum momento na infância pelo Fluminense.

Como acompanhava os jogos ao lado do meu pai, seu comportamento, invariavelmente oscilava da irritação para o entusiasmo.

Tudo, evidentemente, passava pelo resultado.

Não havia meio-termo com seu Waldemar.

Meu coroa era daqueles de xingar técnico, jogadores e juiz.

Mas lamentar, ficar triste, verter lágrimas...jamais.

Meu pai e seu irmão Lica. Foto: Valmor Zilinski

Pena não ter nenhuma foto sua com a camisa tricolor.

Muito menos um registro ao seu lado.

Os flashes estão na memória.

Na década de 80, máquina fotográfica era para gente abastada.

O que não era o nosso caso.

"Altar" do tio Valmor em sua casa. Foto: Arquivo pessoal

As fotografias são do meu tio Valmor.

Que ratificam nosso DNA tricolor.

A hereditariedade foi quebrada pelo Denilson.

Era o mano mais velho.

O Flamengo de Zico explica o "acidente".

Denilson, Jeferson, Julio e eu no bairro Água Verde. Foto: Arquivo pessoal

Fui forjado desse jeito.

Além da herança clubista, a genética também me vacinou como um cara "insensível".

Pois me levo à sério demais.

Principalmente no ambiente de trabalho.

Porém, em momentos de lazer assumo minha verdadeira identidade:

Sou parceiro, intenso e por vezes emotivo.

Na semifinal contra o Olímpia até a galera da patota entrou no clima. Foto: Alex Agra

Prometi para mim mesmo agir com naturalidade, sem exagero ou lamentação, caso o Fluminense fosse campeão ou não.

No entanto, não me aguentei após o apito do colombiano Wilmar Rondán.

Chorei de felicidade ao ver meu tio Valmor em prantos.

Bem como seu filho Julio.

Júlio e o seu pai Lica. Foto: Arquivo pessoal

Não tenho dúvidas que a tia Marli, que não desceu para comemorar, também chorou, de forma copiosa.

Pelo marido.

Pelo filho.

Pelo presente.

A emoção do tio Lica e dos familiares no último sábado. Foto: Elton Pedroso

Estávamos lá no bairro Água Verde.

Todos abraçados, agarrados, extasiados...

Meus pequenos vibrando juntos.

Personificando o avô ausente (fisicamente).

Esposa corintiana também virou tricolor por um dia. Foto: Arquivo pessaol

De arrepiar.

Como mostra esse vídeo filmado pela Roberta.

alexandrejose.com/wp-content/uploads/2023/11/video-.mp4

Seu Chico na construção da casa com a camisa do Flusão. Foto: Arquivo pessoal

Não queria limitar esse contentamento em algo pessoal.

Por isso, ao longo da semana, fui atrás de fatos e fotos para ampliar essa vitória mágica.

Recebi um retorno tão bacana, com histórias ricas, e não menos emocionantes.

Como a da família Formento.

Que perdeu o patriarca esse ano.

Seu Chico sonhava com o título da Libertadores.

Momento épico no Maracanã com a conquista inédita da Libertadores. Foto: André Durão.

Foi honrado e dignamente representado pelo Jean e pelo Jenilson.

Lorenzo, Jenilson, Jean e Dionísio na Alameda com o quadro do sr. Chico. Foto: Arquivo pessoal

Pela esposa, dona Graça, que torcia pela felicidade do marido e dos filhos.

Além do irmão palmeirense Jeferson e demais parentes.

Tive o privilégio de conhecer Seu Chico e a família Formento. Foto: Jeferson Formento

Seu Chico ficou ainda mais sereno.

Em paz com seu coração verde, branco e grená.

Seu Chico ao lado do filho Jean. Foto: Arquivo pessoal

Giovani Vitória tem um relato parecido.

Giovani com a camisa tricolor. Foto: Arquivo pessoal

O jornalista perdeu o pai em 2018.

Dois anos antes, Seu Lírio conduziu a tocha olímpica pelas ruas de Blumenau.

Giovani e o pai Lírio Vitória. Foto: Arquivo pessoal

Nas suas redes sociais, antes da decisão, escreveu um texto (profético) em sua memória:

"O futebol não é guerra! O futebol é um jogo! Um jogo que une! Cria laços!

Laços como esse que criei com meu PAI!

Quis o destino que você conquistasse a Glória Eterna antes do nosso Flusão! Dois anos após você vivenciar um dos maiores momentos da tua vida!

Mas sei que hoje você vai estar presente lá no Maraca, a casa do nosso tricolor! Dando aquele empurrão para conquista desse tão esperado sonho!

Esse título será em tua homenagem!

MEU PAIZÃO!

SEREMOS!

Giovani Vitória e sua homenagem ao pai. Foto: Arquivo pessoal

E prosseguiu parafraseando Nelson Rodrigues:

"Quando o Fluminense precisa de número, acontece o suave milagre: os tricolores vivos, doentes e mortos aparecem. Os vivos saem de suas casas, os doentes de suas camas e os mortos de suas tumbas”.

Família de Luciano Carlos. Foto: Arquivo pessoal

Conheço Luciano Carlos desde a década de 90.

Todavia, não sabia que todos os seus irmãos eram tricolores.

Eles se reuniram na casa de um deles e fizeram uma grande festa.

Paixão entre os irmãos Diego, Thiago, Luciano e Cristiano. Foto: Arquivo pessoal

Melhor de tudo é saber que existe uma nova safra de torcedores surgindo.

Era necessário rejuvenescer.

Por livre e espontânea pressão (ou não).

Safra jovem de tricolores. Foto: Arquivo pessoal

Só que alguns sentimentos são naturais e extraordinários.

Como a vinda do Pedro.

Que nasceu na semana da final.

Exatamente no dia 30 de outubro (segunda-feira).

Allan Felpe Nunes e o filho Pedro que nasceu na semana da decisão. Foto: Arquivo pessoal

O pai, Allan, não perdeu tempo, e já vestiu o mantinho tricolor no filhote.

Juntos, na casa de parentes e amigos, no bairro Itoupavazinha, presenciaram a glória definitiva.

Em pé, Luciano e Fernando; Richard e Allan. Foto: Arquivo pessoal

Eu, por outro lado, admito que tive de fazer um trabalho, digamos, psicológico, para tentar convencer meus filhos a se tornarem Fluminense.

A Taysa nasceu em 2013.

Ela viu o principal rival ganhar quase tudo.

Se não houvesse uma lavagem cerebral eu teria um desgosto profundo.

O último grande feito foi o Brasileiro de 2012.

Na Alameda comemorando o título brasileiro de 2012. Foto: Arquivo pessoal

Foi uma grande seca.

Que acabou em 2022 com o campeonato carioca.

Veio o bi em 2023.

E por fim, a taça tão almejada.

Não tem mais volta.

Em casa com os filhotes na final do Campeonato Carioca. Foto: Arquivo pessoal

O amor da Tatá pelo Flusão é tanto que essa semana, por coincidência, ela teve de fazer uma atividade sobre um ídolo, uma referência.

E eu achando que era o cara!

Fui trocado pelo Cano.

Por uma ótima causa.

Cano vibra com a taça de campeão. Foto: Reprodução/Terra

O Tales, por sua vez, com seus 5 anos, teve seu caminho pavimentado na imposição mesmo.

Exagerada do pai, reconheço.

Não podia dar mole.

As crianças são facilmente influenciadas.

Especialmente pelos amiguinhos da creche e do futebol.

Tales na surpresa feita na escolinha no Dia dos Pais. Foto: Arquivo pessoal

Tato frequenta a escolinha do Planet Ball.

Seu professor é Ricardo Leonetti, ex-goleiro do Flu.

Com Ricardo Leonetti e Romerito em evento da FluTimbó. Foto: Arquivo pessoal

Outro que veio aos prantos com o triunfo diante do Boca.

Leonetti, emocionado após o fim da partida. Foto: Marilene Guenther

Amor que repassou ao filho Ricardinho.

Ricardinho com a prima Lívia na Alameda. Foto: Arquivo pessoal

Tivemos outros fatos marcantes.

Tricolores se reuniram em um soccer no bairro Fortaleza. Foto: Nathan Kuntz

Festa nas casas, nos apartamentos, nos bares, na Alameda...

Torcida tricolor na Alameda. Foto: Instagram guiaslan_oficial

E no próprio Maracanã.

Carlos Medeiros no Maracanã. Foto: Arquivo pessoal

Não há fortuna que pague o que Carlos Medeiros, carinhosamente chamado de Pipoca, e Juan sentiram no último dia 4.

Pai e filho.

Juntos.

Não consigo mensurar o tamanho da felicidade dos dois.

Carlos Medeiros com o filho Juan no Maracanã. Foto: Arquivo pessoal

Que Deus me permita, um dia, poder vivenciar um fato tão grandioso.

Isso sim é ser rico.

Eternamente.

O momento tão aguardado. Foto: Reprodução/Internet

Emerson Luis é jornalista. Completou sua graduação em 2009 no Ibes/Sociesc. Trabalha com comunicação desde 1990 quando começou na função de setorista na Rádio Unisul - atual CBN. Atualmente é comentarista do Programa Alexandre José, na Rádio Clube FM 89.1, nas segundas, quartas e quintas-feiras, às 7h40. Também atua como apresentador, repórter e produtor no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV RecordTV Blumenau. Além de boleiro na Patota 5ª Tentativa.  

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Blumenau, SC
25°
Parcialmente nublado

Mín. 21° Máx. 34°

26° Sensação
1.34km/h Vento
80% Umidade
9% (0mm) Chance de chuva
06h26 Nascer do sol
06h11 Pôr do sol
Dom 29° 20°
Seg 24° 20°
Ter 29° 21°
Qua 30° 20°
Qui 25° 18°
Atualizado às 09h01
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,16 +0,00%
Euro
R$ 5,94 +0,00%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 367,365,30 +0,44%
Ibovespa
188,052,02 pts 0.05%