
O juiz Eduardo Passold Reis converteu em preventiva a prisão do homem de 41 anos que foi filmado no momento em que assassinou a facadas o vendedor de paçoca em frente a um supermercado de Blumenau em plena luz dia, no fim da tarde da última sexta-feira (3). A decisão foi tomada em audiência de custódia realizada no sábado (4).
No entendimento da Justiça, alguns pontos foram cruciais para afastar a hipótese de legítima defesa, que se ventilou depois do crime. As informações estão contidas no relatório de audiência de custódia que o Portal Alexandre José teve acesso.
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"Inviável dizer que o indiciado agiu em legítima defesa, ao menos neste momento embrionário das investigações, porque não há nenhum elemento concreto até o momento que pudesse corroborar tal versão.", afirmou o juiz.
Além disso, imagens das câmeras de segurança mostram que o agressor correu atrás da vítima, com a faca na mão, e seguiu desferindo golpes mesmo após o vendedor ter caído no chão. "O crime foi praticado de forma violenta e cruel, sendo a vítima atingida por ao menos quinze golpes de faca", disse o juiz.
Embora a defesa negue, até agora os indícios apontam que a faca era de fato do agressor, e não da vítima. "A arma branca utilizada para o cometimento do delito seria de posse do próprio agressor", diz outro trecho da decisão do juiz.
A motivação do crime, seria uma discussão por causa de uma paçoca oferecida à filha do assassino. "Mesmo que não fosse esta a razão do delito, não há como se ignorar que o motivo é abjeto e torpe, além de manifestamente desproporcional ao contexto narrado".
As investigações seguem em andamento pela Polícia Civil.
O advogado de defesa, Rodolfo Warmeling, afirma que aguarda a conclusão do inquérito policial. “A defesa vai recorrer da decisão da prisão. Faltam testemunhas para serem ouvidas, após a conclusão do inquérito nós teremos a denúncia oferecida pelo Ministério Público, e após esses fatos, vamos apresentar nossa defesa para restabelecer a liberdade de um pai que evidentemente tentou salvar a vida de sua filha”, explica.
Conforme informações obtidas junto do advogado a vítima, que vivia em situação de rua e também era um vendedor ambulante, já possuía mais de 20 boletins de ocorrências, entre eles por tráfico, furto, ameaça e posse de drogas.
Segundo relatos do autor do homicídio para o advogado, o vendedor colocou uma paçoca na boca da filha dizendo que ela queria comprar, momento em que ele disse não e tentou sair. Os dois acabaram se xingando, onde "o cara chutou o carrinho e entraram em vias de fato". Segundo ele, a faca era de propriedade do vendedor.
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