
Mais de 10 mil pessoas perderam a vida no Brasil por algum motivo em decorrência da mistura álcool x direção. Mais de uma morte por hora. Cerca de 6% dos brasileiros admitiu que dirige depois de ingerir bebida alcoólica. Os dados são de uma pesquisa publicada em 2021 pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, do Ministério da Saúde. No mesmo ano aumentou em 34% a quantidade de hospitalizações envolvendo as consequências de álcool x direção. Outubro é o mês da Oktoberfest não só em Blumenau, mas em diferentes cidades e estados, oportunidade de refletir acerca do consumo excessivo de álcool e a inserção das pessoas numa indústria cultural que introduz a bebida alcoólica de forma acessível e que traz consequências, principalmente pelo exagero no consumo.
Curiosamente, para quem pensa que tudo começou com Blumenau em 1984, uma das mais antigas versões da festa com nome Oktoberfest data de 1960 em Olinda, Pernambuco, com as mais diversas opções de cervejas.
A segunda Oktoberfest mais antiga que se conhece é de Itapiranga, na divisa entre o Rio Grande do Sul e a Argentina, conhecida inclusive como Berço Nacional da Oktoberfest. A primeira edição foi realizada em 1978.
Dentre as Oktoberfest mais curtinhas estão a Oktoberfest Fortaleza realizada em apenas um dia, a Oktoberfest Campos do Jordão, de 12 a 15 de outubro e a Oktoberfest de Maravilha, em Santa Catarina, realizada entre 13 a 15 de outubro.
Para quem pensa que a Oktoberfest de Blumenau é a maior em quantidade de dias engana-se. Tem Oktoberfest por aí que já começou no dia 28 de setembro e vai até o dia 22 de outubro. É a Oktoberfest de Domingos Martins, no Espírito Santo.
As três Oktoberfest mais famosas e que recebem a maior quantidade de visitantes é a de Blumenau, de Santa Cruz do Sul e de Igrejinha, ambas no Rio Grande do Sul.
O estado gaúcho ainda tem versões da Oktoberfest em Itapiranga, na divisa com a Argentina e que até recebeu o título de Berço Nacional da Oktoberfest. A primeira edição da festa foi em 1978 e continua até os dias atuais.
No estado de São Paulo tem a Oktoberfest da capital, que carrega o título de maior festa alemão do Sudeste, e que também tem um Biergarten. A de Sorocaba, e a de Campos do Jordão.
Tem Oktoberfest no Ceará, no Espírito Santo, no Paraná e no Rio Grande do Sul para onde veio grande parte dos imigrantes alemães que não ficaram em Santa Catarina. Em solo gaúcho tem Oktoberfest em Alpestre, Frederico Westphalen, Igrejinha, Maratá, Portão, Santa Cruz do Sul, Missões, Cerro Largo, Nova Petrópolis e a de São Lourenço do Sul.
Tem Oktoberfest em Curitiba, Ponta Grossa, Marechal Cândido Rondon, de Rolândia e de Pato Bragado, no Paraná. A Oktoberfest do Rio de Janeiro é realizada na Marina da Glória.
Independente da cidade ou estado em que se realize a Oktoberfest o status de festa etílica e o apelo para o consumo de bebidas alcoólicas é amplamente divulgado. Os canecos de chope gelado erguidos entre muitas mãos e sorrisos estampam as peças publicitárias que divulgam as festas e não raro os aspectos culturais são ofuscados pelo título de festa da cerveja.
Uma indústria cultural acaba se erguendo em torno da bebida alcoólica frequentemente associada ao riso, à alegria, ao bem-estar e a diversão para acumular valor.
Com a glamourização da cerveja e do chope essa indústria cultural introduz a bebida de modo acessível às pessoas de forma que, mesmo ao não beber, acabam sentindo as consequências quando alguém que bebeu vai dirigir.
Não existe lei proibindo de consumir bebida alcoólica, mas dirigir após o consumo pode ir desde infração administrativa de trânsito até o crime de trânsito, agravado quando há feridos graves e vítimas fatais.
Por trás da glamourização da bebida existe uma realidade que não pode ser mascarada pelos apelos das Oktoberfest Brasil afora.
Não são só motoristas que causam sinistros no trânsito, mas também pedestres, ciclistas e demais usuários do trânsito para os quais também têm consequências jurídicas. Basta que a bebida alcoólica altere os reflexos, comprometa a capacidade psicomotora e os envolva em acidentes na via pública.
As consequências do consumo de bebida alcoólica não são sentidas só na ida ou na volta da festa em torno dos pavilhões, mas a qualquer hora do dia sempre que um condutor assume o volante. Muitos dirigem com a ressaca que aumenta os riscos de acidentes; outros fazem a rota da cerveja e se deslocam pelas rodovias ainda sob efeito etílico.
As forças de segurança fazem uma espécie de força tarefa e reforço no policiamento para atuarem na fiscalização do trânsito, mas ainda assim não conseguirão evitar as infrações de alcoolemia e os transtornos caso essas infrações virem acidentes.
Trânsito é comportamento e comportamento antes de ser coletivo é individual. Merece reforço positivo, orientação e um apelo por segurança maior do que o apelo pelo consumo da bebida carro chefe das festas de outubro.
Afinal, não é só o consumo de cervejas e chopes que aumenta, mas também as ocorrências, as entradas em urgências e emergências dos hospitais, as autuações por alcoolemia, a acidentalidade e a dor das famílias.
Fica o convite à reflexão para a tomada de decisões seguras da próxima vez que for se deslocar na vida e na via.
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