
Eleições
Este já seria, independentemente do resultado das urnas, o tema da semana.
O empurrão que faltava para contextualizá-lo veio de uma publicação do jornalista Carlos Tonet.
Sobre os votos dos blumenauenses.
Que deixaram de eleger, na sua visão, no mínimo, um deputado federal e um deputado estadual.
Automaticamente nenhum representante do esporte foi escolhido.
A cidade tinha pelo menos três candidatos com condições de brigar por uma ou outra cadeira.

Egídio Beckhauser
Nesse sentido, o maior peso era o de ex-secretário de Esporte (SME).
Que também é técnico de futsal e futebol nas horas vagas.
Um cara influente e com muto trânsito nos bastidores.
Mesmo assim, o republicano, natural de Armazém, fez 13.738 votos para a Câmara dos Deputados - 8.804 votos em Blumenau.
Ito de Souza
O blumenauense, filiado ao Podemos, obteve 4.997 votos na cidade - 6.750 no estado.
Por conta do seu forte envolvimento com o futebol amador, deve ter tirado alguns votos do companheiro de Câmara de Vereadores - e vice-versa.
Há, no entanto, contradições bem mais sigficativas.
Pois arrumamos votos para gente de tudo o quanto é canto em Santa Catarina.
Alemão
A performance do empresário nascido em Chapecó, que veio para a região do Vale do Itajaí na década de 70,também não foi a esperada.
O ex-vereador fundou em 2012 a Aefa - Associação das Escolinhas de Esportes da Alumetal.
São 14 núcleos de futebol, vôlei, basquete e xadrez espalhados em oito bairros de Blumenau, além de Gaspar, Pomerode e Itapema.
Um trabalho social muito legal.
Também não bastou.
Em busca de um lugar na Assembléia Legislativa pelo União Brasil, somou 4.276 votos - 5.089 no total.
Parceria
Cabe um parêntese sobre a campanha de Egídio.
Antes do pleito, fui algumas vezes na Vila Esportiva (Sesi) acompanhar os Jogos da Primavera.
Conversei com o pessoal da SME, com alguns treinadores e até com um profissional da Fesporte.
Todos falavam em uma dobradinha.
"Quem vota no Egidio para federal, vota no Fernando (Krelling) para estadual. Assim, ficaremos muito mais fortalecidos"
Esse era o discurso.
Fernado Krelling
Com 70.506 votos, o ex-presidente da Fundação de Esportes, Lazer e Eventos de Joinville (Felej), vai para seu terceiro mandato na AL - em Blumenau recebeu 248 votos.
Lógico que o emedebista tem muita força em Joinville - fez 40.035 votos.
Contudo, pelo visto, muitos não cumpriram o suposto acordo.
Reflexos
A disputa interna atrapalhou bastante - bem como e sobretudo, a votação maciça nos "forasteiros".
Não custa lembrar que simplesmente a vice-prefeita Maria Regina Soar, do mesmo partido de Egídio Beckhauser, acabou fazendo 7.653 votos em Blumenau.
Cristiane Loureiro é outra, que de uma forma ou de outra, rivalizou com Ito de Souza.
A vereadora fez 6.241 votos contra os 4.997 votos do presidente da Câmara.
No caso do Alemão, os adversários "furtaram" quase 1.800 votos.
O maior impacto foi causado por Vicente Caropreso.
Médico nascido em Blumenau, mas que construiu toda a sua carreia política em Jaraguá do Sul.
Fez 976 votos - 79.663 no total e se reelegeu.
Gean Loureiro, ex-prefeito de Florianópolis, levou para a capital 207 votos.
Lavada 1
Juntos, Egídio, Ito e Alemão computaram em Blumenau 18.077 votos - 25.577 na totalidade.
Só Ana Campagnolo do PL arrancou daqui 24.068 votos.
Foi a campeã de preferência para estadual - mais até do que os eleitos Odair Tramontin (Novo) 23.298, Jean Volpato (PT) 21.618, Napoleão Berrnardes (PSD) 12.874 e Marcos da Rosa (PL) 9.220.
Também superou Mário Hildebrandt (PL) 17.956, Ivan Naatz (PL) 12.151, Bruno Cunha (Cidadania) 6.319, Jean Kuhlmann (Republicanos) 5.582, Alexandre José (Podemos) 4.646, Alba (PRD) 1.629, Dr. Natel 1.469, Rafael Gomes (PRD) 833, Josi Menestrina (MDB) 711, Marlize Martinez (PP) 474, Coronel Jefferson Schmidt (PSDB) 439, Alexandre Caminha (PDT) 379 e Rafael Lima (PT) 184.
Lavada 2
Júlia Zanatta também foi a mais votada por aqui para federal: 34.565 votos.
Mais do que a reeleita Ana Paula Lima (PT) com 28.939.
E muito superior a João Paulo Kleinubing (PL) 21.683, Ismael dos Santos (PL) 8.286, Dra. Lisiane Anzanello (União Brasil) 953, Rose da Itoupavazinha (Progressistas) 774, Inácio Sperber (PSOL) 530, Nandja Xokleng (PSOL) 218, Michelle Schwanke (PRD) 120 e Decio Moser (PRD) 100.
Efeito colateral
Perder para alguém de Blumenau é até compreensível.
O que deve causar indignação são os milhares de votos transferidos para candidatos de praticamente todas as regiões, principalmente do sul e do oeste.
Não é nada contra ninguém ou contra o partido.
Os exemplos à seguir servem como base da diversidade de opinião, convicção, simpatia e interesse.
Assembléia Legislativa
Guilherme Colombo (PL), marido de Júlia Zanatta, recebeu dos blumenauenses 4.685 votos - se elegeu deputado com 76.041 votos, a maior votação da história para um primeiro mandato.
A deputada Luciane Carminati (PT) de Chapecó 2057.
André Moser (Republicanos) ex-prefeito de Indaial 2.093.
Liba (PSD) ex-prefeito de Navegantes 1.507.
Camasão (PSOL) vereador de Florianópolis 891.
Câmara dos Deputados
Com domicílio eleitoral em Pomerode, Gilson Marques (Novo) conquistou 21.503 votos em Blumenau - com 117.197 votos segue na bancada.
Jair Renan Valle Bolsonaro (PL), carioca de 28 anos, desde 2024 vereador de Balneário Camboriú 7.327 - se elegeu com 131.555 votos.
A vereadora de Criciúma, Giovanna Mondardo (PCdoB), 3.127 - com 114.792 votos é outra que vai para Brasília.
Exagero
414 candidatos a deputado estadual
231 candidatos a deputado federal.
30 partidos.
5,7 milhões de eleitores.
É muita gente pra ser persuadida (ou dissuadida).
Livre arbítrio
No fim, não dá para execrar quem prometeu e deixou de votar em determinado candidato.
Que trocou seu voto em cima da hora.
Afinal, o ganho pessoal sempre foi colocado acima do bem-estar coletivo.
Palavra, lealdade e princípios são virtudes inegociáveis.
Quase raras hoje em dia.
Retrocesso
Falando especificamente do esporte.
Perdem os atletas, técnicos, professores, dirigentes...
Perde Blumenau.
De novo.

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