A tão aguardada Quaest divulgada na noite de quarta-feira apresentou Flávio Bolsonaro com 46% e Lula com 44%. Dois pontos de vantagem, empate técnico pela margem de erro. Um resultado tão conveniente para a campanha petista que nem a velhinha de Taubaté engole sem levantar a sobrancelha.
Lembrando ainda que, na véspera do primeiro turno, a Quaest colocou Lula com a vantagem de um ponto. Além da imprecisão, que pode estar se registrando novamente, de qualquer maneira reconhece uma virada de três pontos, o que é significativo.
Nada mudou?
Desde o primeiro turno, Flávio recebeu o apoio de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury. Também reuniu Republicanos, Novo, Podemos, União Brasil, PP e a maioria dos diretórios estaduais do MDB.
Lula ficou com dez diretórios emedebistas e com os aliados de sempre. Mesmo assim, segundo a Quaest, o tabuleiro praticamente não se moveu. Todos os fatos políticos caminharam numa direção, mas a pesquisa permaneceu estacionada. Surreal.
Convertidos na Paulista
A grande imagem produzida pela esquerda foi a Avenida Paulista lotada. Foi uma mobilização expressiva, é verdade. Mas reuniu majoritariamente convertidos, militantes e organizações que já votam em Lula.
Comício cheio levanta o ânimo, rende fotografia e alimenta as redes. O que não faz, por si só, é conquistar o eleitor moderado que rejeitou o governo no primeiro turno.
A chama petista
A Quaest mantém Lula vivo, respirando e competitivo. Não prova manipulação, mas oferece exatamente a narrativa de que o PT precisava: a de uma eleição rigorosamente aberta, apesar da sucessão de apoios recebidos por Flávio e da ausência de qualquer fato político relevante em favor do presidente.
Pesquisa é retrato. Mas há retratos que parecem tirados com filtro demais.
A cilada do debate
Flávio também deu uma enquadrada em Lula. Anunciou que não compareceria ao debate da Band. Em questão de minutos, o presidente, que fugiu de todos os confrontos no primeiro turno, apareceu confirmando presença e tentando posar de valente.
No dia seguinte, Flávio revelou a armadilha: “É claro que eu vou. Só queria que você confirmasse”. Lula caiu feito um pato. Agora não tem mais como escapar sem passar recibo.
Frente a frente
Os dois estarão na Band neste domingo. O último debate está marcado para sexta-feira, dia 23, na Globo. Será finalmente o confronto direto que o eleitor não teve no primeiro turno.
Lula terá de responder pelo governo, pela economia, pela insegurança e pelo pacote de bondades lançado na undécima hora. Flávio terá de demonstrar preparo e provar que consegue transformar a vantagem eleitoral em autoridade presidencial.
Denúncia explosiva
Enquanto isso, uma reportagem de capa da Veja revelou áudios e documentos nos quais Daniel Vorcaro relata um suposto esquema para o Banco Master captar R$ 10 bilhões em fundos de pensão estatais. A contrapartida chegaria a R$ 1 bilhão em propina.
A publicação menciona repasses ao Instituto Lula, ao documentário sobre o presidente e articulações envolvendo pessoas ligadas ao ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto e ao ministro Alexandre Padilha. São acusações gravíssimas, que exigem investigação rigorosa. Não podem ser tratadas como sentença pronta, mas tampouco enterradas pelo silêncio conveniente.
O antissistema
Em meio a tudo isso, Lula tenta vestir a fantasia de candidato antissistema. É inacreditável. Ele ocupa a Presidência, o PT comandou o país durante quase duas décadas e sua candidatura está cercada pelas estruturas tradicionais do poder.
Lula não combate o sistema. Lula é o sistema em sua forma mais acabada.
A resistência
Todos os fatos políticos relevantes dessa largada do segundo turno favorecem Flávio. Os apoios cresceram, a direita ampliou sua estrutura e o adversário continua lançando promessas desesperadas para recuperar terreno.
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