A direção nacional do PT priorizou uma estratégia clara: deslocar Lula da Silva, neste final de agosto e início de setembro, aos estados do Sul do país, onde a família Bolsonaro tem tradição de abrir grandes vantagens. Santa Catarina em primeiro lugar, Paraná logo atrás, e o Rio Grande do Sul com vantagem menor, mas consistente. O Nordeste fica para o final da campanha, onde os três maiores colégios eleitorais, Bahia, Pernambuco e Ceará, tradicionalmente asseguram grandes vitórias à esquerda.
SC espera o desembarque
Aqui em Santa Catarina, a expectativa é de que o desembarque de Lula possa acontecer a qualquer momento. A última vez que esteve no estado na condição de presidente foi em julho, em Itajaí, depois de mais de um ano sem marcar presença em território catarinense. Nos últimos 45 dias, Flávio Bolsonaro esteve aqui em duas oportunidades e Ronaldo Caiado em pelo menos três, ambos acompanhados respectivamente por Jorginho Mello e João Rodrigues. Lula precisa responder.
O impulso que Merísio precisa
A estratégia está muito clara. Gelson Merísio, que conviveu toda sua trajetória política com lideranças de centro-direita e esteve filiado a partidos conservadores, tem a expectativa de que Lula lhe transfira os votos da esquerda. O suficiente para criar um quadro de polarização contra Jorginho Mello, repetindo o que ocorreu em 2022, quando Décio Lima chegou à grande final. No segundo turno foi praticamente 70 a 30, mas o PT carimbou o passaporte. E essa polarização pode se repetir em 2026.
A meta dos 35%
O PT acredita que Lula, que fez 30,5% dos votos no segundo turno e 29% no primeiro aqui em Santa Catarina contra Bolsonaro, poderia chegar pelo menos a 35%. E aí seria a retribuição de Merísio, transferindo votos mais ao centro para a recandidatura do atual presidente. Uma troca calculada, uma via de mão dupla onde cada um puxa o outro para cima.
João Rodrigues afunda enquanto Merísio sobe
E João Rodrigues nisso tudo? Nas pesquisas ainda aparece à frente, mas tudo leva a crer que Merísio o suplantará nessa reta final da campanha. A tendência é de desidratação progressiva, assim como Ronaldo Caiado está definhando na disputa presidencial. Uma candidatura que não saiu do chão em três anos e que corre o risco de terminar como uma das grandes frustrações eleitorais de Santa Catarina.
A esnobada que saiu cara
E tudo começou com uma esnobada. Em março de 2023, ainda lambendo as feridas da derrota eleitoral, Jair Bolsonaro convidou João Rodrigues para uma conversa em Brasília, quando propôs sua filiação ao PL. Seria um dos candidatos ao Senado, ao lado de Esperidião Amin, que buscaria a reeleição. A chapa estava estabelecida. João disse que não. Que continuaria no PSD. Que a administração de Jorginho Mello iria dar com as burras na água e que ele se elegeria governador. Resultado: está aí patinando, com uma candidatura que não ganha tração.
Bolsonaro respondeu na mesma moeda
E no intervalo, Jair Bolsonaro empurrou goela abaixo o filho Carlos ao Senado, justamente na vaga que estava reservada a João Rodrigues. Uma resposta clara e direta à esnobada de 2023. João pode ter o mesmo fim que tiveram recentemente Napoleão Bernardes, de Blumenau, e Gean Loureiro, de Florianópolis. O primeiro renunciou ao mandato para ser candidato ao Senado em 2018, acabou vice de Mauro Mariani, que sequer chegou ao segundo turno. Gean Loureiro, reeleito prefeito(2020), ainda no primeiro turno, renunciou para concorrer ao governo em 2022, ficou em quarto lugar e hoje disputa uma vaga à Assembleia. Napoleão busca à reeleição. Histórias que ensinam que em política, o açodamento tem memória longa e preço alto.
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