Gelson Merísio é o principal candidato da esquerda ao governo do estado, acomodado no PSB Socialista, mas já está de olho em outra eleição. Ele tem plena consciência de que o eleitorado catarinense é potencialmente conservador e que o teto das candidaturas progressistas gira em torno de 30%. Seria o teto. Foi exatamente a performance de Lula da Silva no segundo turno contra Jair Bolsonaro aqui no estado. Que chegue a 35%, mas número insuficiente para, mesmo chegando à grande final, ganhar a eleição. Isso está claramente estabelecido e basta observar as últimas eleições no território catarinense.
A memória de 2018
Ainda mais ele, que já foi candidato ao governo em 2018, portanto há oito anos, pelo PSD, como candidato de centro-direita, e só foi derrotado no segundo turno pela onda bolsonarista que elegeu o ilustre desconhecido Carlos Moisés da Silva. Desconhecido até para o próprio Bolsonaro. Merísio sabe melhor do que ninguém o que significa enfrentar uma maré conservadora em Santa Catarina.
Formulador político de longa data
Gelson Merísio é um grande formulador político, com atilada capacidade de articulação. Natural de Xanxerê, reside em Florianópolis há praticamente 30 anos. Tem residência fixa na Capital e circula pela cidade com frequência. Até porque não tem segundo domicílio.
Terreno fértil para a esquerda
E em Florianópolis, os partidos de esquerda costumam apresentar boa performance eleitoral. Basta observar a última eleição municipal, em 2024, quando Topázio Silveira Neto foi reeleito no primeiro turno com quase 60% dos votos. Quem chegou em segundo, com 25%? Marquito Abreu, deputado estadual do PSOL. Por quê? Porque Florianópolis é uma cidade de funcionários públicos, com várias universidades, muitos professores e estudantes, além de uma vida cultural e artística densa. Isso sem falar em um intenso processo migratório. Tudo isso contribui para uma receptividade maior às candidaturas de esquerda. No segundo turno presidencial, a vantagem de Bolsonaro sobre Lula em Florianópolis foi inferior a dez pontos percentuais. Um número que diz muito.
2028 no horizonte
E é exatamente aí que Merísio enxerga uma oportunidade. Ele também estaria de olho, considerando que Topázio Silveira Neto estará cumprindo seu segundo mandato. A renovação será inapelável. O prefeito terá sucessor próprio: Fábio Botelho, seu ex-chefe de gabinete, candidato a deputado estadual, que projeta uma eventual candidatura. Gean Loureiro também deseja retornar à Assembleia para buscar uma volta à prefeitura, mas essa volta já foi repelida pelos eleitores em situações semelhantes, como aconteceu com Ângela Amin e Dário Berger, ambos com dois mandatos como prefeitos, assim como Gean.
A virada de Florianópolis
De alguma maneira, 2028 marca uma virada com novas caras em Florianópolis. E é nesse contexto que Gelson Merísio poderia entrar como o grande candidato de esquerda.
Perde em outubro, mas já planeja onde aterrissar depois. É a política brasileira em toda a sua complexidade.
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