
Hoje é dia 30 de março. O Instituto Vinícius Ian completa 4 anos.
Deveria ser um dia apenas de comemoração. E vamos, sim, comemorar cada conquista. Mas
precisamos ser claros: ainda estamos muito longe de dizer que estamos sequer perto de algo
razoável.
Quatro anos atrás, tudo o que existia era uma dor de pai. De quem recebeu um diagnóstico e
voltou para casa sem mapa, sem rota, sem ninguém dizendo o que fazer.
Hoje, essa dor virou estrutura.
Houve portas fechadas, promessas quebradas, noites em que o cansaço quase venceu o
propósito. Mas houve, acima de tudo, decisão. Decisão de não parar. De profissionalizar. De
construir algo maior do que a nossa própria história.
Em quatro anos, saímos de uma causa pessoal para nos tornarmos uma instituição com
governança estruturada, conselho consultivo com grandes nomes da saúde, dos negócios e da
tecnologia, reconhecimento de utilidade pública municipal e estadual. Criamos a primeira sala
sensorial dentro de um shopping em Santa Catarina. Oferecemos atendimento jurídico
gratuito para famílias de todo o Brasil. Levamos centenas de cestas de Natal para mesas que
estariam vazias. Capacitamos escolas. Treinamos empresas. Acolhemos mães que não
aguentavam mais.
E nosso posicionamento é claro: nos próximos dois anos, o Instituto Vinícius Ian será uma das
instituições mais relevantes de Santa Catarina no autismo. Isso não é pretensão. É
planejamento. É compromisso público.
Mas aqui vai algo que precisa ser dito: inclusão não é só terapia. Não é só laudo. Não é só
atendimento jurídico.
Inclusão é fazer com que o autista e sua família vivam a cidade, a escola, o trabalho e o lazer
com dignidade. É mudar a cultura dos lugares. É preparar a sociedade para uma realidade que
não vai embora.
Porque o autismo não é modinha. Não é tendência que passa. É uma condição permanente.
No Brasil, o IBGE estima que 85% dos adultos autistas estão fora do mercado de trabalho
formal. Isso não é um número. É um escândalo silencioso. A esmagadora maioria das pessoas
autistas que poderiam estar produzindo, contribuindo, vivendo com autonomia, está invisível.
Está esquecida.
As escolas precisam entender que educação especial não é favor. É obrigação. Salas sensoriais,
profissionais capacitados, estrutura que faça parte da cultura escolar, não um "diferencial" de
marketing. Autismo não é diferencial. É realidade.
As empresas vão precisar se capacitar para receber não apenas funcionários que são pais de
autistas, mas os próprios autistas. Porque, a depender do nível de suporte, eles podem e
devem estar no mercado de trabalho.
E o poder público precisa parar de tratar o autismo como exceção e começar a tratá-lo como
política permanente.
É por isso que inovamos. Porque nosso papel vai além do consultório e do escritório jurídico.
Nosso papel é provocar a sociedade a se reorganizar.
E é exatamente isso que faremos no 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O
Instituto realizará uma ação simultânea em três shoppings de duas cidades: Norte Shopping e
Shopping Park Europeu, em Blumenau, e Continente Shopping, em Florianópolis. Um dia
inteiro com orientações jurídicas, terapêuticas, educacionais, médicas e nutricionais.
E mais: cuidado para quem cuida. Porque as mães, os pais e os avós que sustentam a rotina de
um autista também merecem ser vistos.
Essa ação não é um evento. É uma declaração.
Quatro anos atrás, eu era apenas um pai assustado com um diagnóstico. Hoje, o Instituto
carrego o nome do meu filho e a força de milhares de famílias que decidiram não enfrentar o
autismo sozinhas.
O Vinícius me ensinou que propósito é maior que plano. E nesses quatro anos, aprendi que
quando a dor encontra direção, ela vira movimento.
Nos vemos no dia 2 de abril. Três shoppings. Duas cidades. Um propósito: que nenhuma
família passe pelo autismo sozinha.
@institutoviniciusian
@rodrigo.gonçalves_mentor
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