
Começar 2026 falando de educação é falar de futuro. Em Blumenau, os números já contam a urgência. Em 2025, a rede regular, pública e privada, registrou 74.554 matrículas. Destas, 1.982 eram de estudantes com Transtorno do Espectro Autista. Em 2024 eram 1.402. Crescimento de 41,36% em um único ano. Não é tendência, é realidade consolidada. Estes números são do censo escolar.
O ponto crítico está na distância entre discurso e entrega. Ainda faltam salas e rotas sensoriais, cantos de regulação, protocolos para acolher crises, comunicação alternativa, planejamento de rotina visual, avaliação funcional do comportamento, formação continuada real para professores e equipes de apoio. Faltam adaptações curriculares significativas, ajustes de metodologia e avaliação, ensino estruturado, estratégias para seletividade alimentar no ambiente escolar. E falta algo básico, atitude de acolhimento consistente do portão à sala de aula.
Engana quem pensa que é um problema exclusivo da rede pública. A rede privada também patina. Infraestrutura bonita não substitui plano pedagógico inclusivo. Em ambos os cenários a regra ainda é improviso. Quando a turma não entende o perfil sensorial do aluno, quando a escola não organiza rotina e previsibilidade, quando a comunicação não é adaptada, o que aparece como indisciplina é, na verdade, uma escola que não está pronta.
O aumento de matrículas de estudantes autistas é uma boa notícia. Mostra diagnósticos mais precisos e famílias buscando direitos. Transformar essa vitória em sofrimento cotidiano por falta de preparo é inaceitável.
Sim, a Prefeitura e o Governo do Estado têm responsabilidades diretas com as redes públicas. Precisam investir em formação, recursos e equipes multidisciplinares. Mas não podemos terceirizar tudo para o poder público. As escolas privadas têm responsabilidade pedagógica e ética. Precisam capacitar times, desenhar planos individualizados, revisar procedimentos de recreio, refeições e transporte, criar protocolos de crise, comunicar famílias com transparência. Inclusão é processo e sistema, não boa vontade ocasional.
Para as famílias, um norte prático. Formalize o diálogo, registre as necessidades sensoriais e alimentares, solicite um plano individual com objetivos, estratégias e critérios de avaliação, combine sinais e rotinas que facilitem a regulação do estudante. Inclusão começa na linguagem, continua na sala e se consolida no pátio.
Para as escolas, um convite e um lembrete. Vocês moldam a cultura do bairro. Preparar-se para acolher estudantes autistas não é gentileza, é obrigação. 2026 pede menos improviso e mais processo. Plano individual, formação contínua, comunicação transparente, ajustes realistas. Quando a escola se antecipa, o aluno aprende, a turma ganha, o professor respira e a cidade inteira evolui.
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