
A investigação que resultou na Operação Happy Nation, deflagrada pela Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) na manhã desta terça-feira (3), é um desdobramento de apurações iniciadas em 2024 a partir de denúncias que apontam a prática de rachadinha, corrupção ativa e passiva, peculato e lavagem de capitais envolvendo um vereador de Blumenau, além de servidores da Câmara Municipal e da Prefeitura.
Segundo o delegado André Marafigo, as apurações começaram após denunúncias.
"Essa investigação teve início com a denúncia que nós recebemos de colaboradores que buscaram o Departamento de Investigações Criminais de Blumenau para informar sobre a possível ocorrência de delitos como a prática de rachadinha na Câmara Municipal de Vereadores", afirmou.
Ainda, de acordo com o delegado, os relatos apontam que servidores comissionados indicados por vereador, embora lotados na Prefeitura de Blumenau, teriam sido obrigados a repassar parte de seus salários. A apuração também envolve a suspeita de pagamento de vantagens indevidas para a viabilização de contratos públicos.
Com base nas provas reunidas ao longo da investigação, a Polícia Civil representou ao Judiciário pela expedição de mandados de busca e apreensão, que resultaram na deflagração da operação.
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Ao todo, mais de 30 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços localizados em Blumenau, Videira, Balneário Camboriú e Itapema. Entre os locais alvos da operação está a Câmara Municipal de Vereadores de Blumenau.
Questionado sobre a atuação em dois gabinetes parlamentares, Marafigo esclareceu que apenas um vereador é investigado diretamente.
"Apenas um dos vereadores é investigado, apesar de terem sido cumpridos mandados em dois gabinetes. No outro caso, uma pessoa ligada a um segundo vereador está sendo investigada também, por isso foi cumprido o mandado naquele gabinete", afirmou.
Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais, que agora serão submetidos à análise técnica.
"Conseguimos apreender vasto material probatório. Apreendemos também eletrônicos, os quais vão passar por extração junto à Polícia Científica, para a posterior análise dos policiais civis", disse o delegado.
Três pessoas foram presas em flagrante. Uma delas foi detida por posse de munições de uso permitido. Outros dois investigados foram presos em flagrante por lavagem de capitais, após a localização de grandes quantias de dinheiro mantidas em suas casas.
Segundo o delegado, foram apreendidos R$ 60 mil em espécie, além de dólares.
"Foram R$ 30 mil na casa de um dos indivíduos e, na outra, R$ 30 mil também, acondicionados de forma semelhante, além de R$ 3 mil e poucos dólares. Em uma das residências, os valores estavam no escritório. Na outra, estavam escondidos na lavação, bem escondidos, em uma lata embaixo de uma pequena lavação", acrescentou.
Os investigados alegaram que os valores teriam origem em prestação de serviços, versão que será analisada no decorrer do inquérito. Marafigo reforçou que a investigação segue e que a operação representa apenas mais uma etapa do trabalho policial.
"A investigação não para por aí. Nós agora deflagramos a operação policial, realizamos as buscas, mas depois das buscas tem todo o trabalho de análise de todo o material que foi colhido. Isso ainda vai longe", destacou.
O delegado também esclareceu que não houve pedido de prisão preventiva.
"Eu não pedi a prisão de ninguém. Eles foram presos em flagrante. Nós não cumprimos mandados de prisão hoje".
O vereador investigado é Almir Vieira (PP). Por ser militar aposentado, ele ficou sob responsabilidade do Exército Brasileiro e permanece em liberdade.
Em nota, o parlamentar informou que está à disposição das autoridades e que confia no trabalho da Justiça.
"Na manhã de hoje (03/02) foi cumprido um mandado de busca e apreensão no gabinete do vereador Almir Vieira, por determinação da Justiça.
O vereador informa que está à disposição das autoridades e confia plenamente no trabalho da Justiça, certo de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno.
Assim que houver acesso a mais informações oficiais sobre o ocorrido, estas serão divulgadas com total transparência.
Reitera, por fim, seu compromisso com a legalidade, a ética e o respeito às instituições".
Veja a entrevista com o delegado:
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