
Prodígio
Na última quinta-feira (15), no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV, exibi uma matéria com uma menina que vem arrebentando no jiu-jitsu.
Manuella Caroline Amparo, 13 anos.
Dedicada, disciplinada, focada, é daqueles talentos com um futuro promissor.
Mesmo assim, a gente sabe o quão difícil é a batalha para se tornar um atleta de ponta, com condições de viver apenas do esporte.
Trajetória
Manu começou a treinar com 6 anos.
Compete, no entanto, só há um ano e meio.
Na última temporada, traçou quatro metas:
- Ser campeã sul-americana.
- Campeã brasileira.
- Campeã da Olesc.
- Campeã do Circuito Mormaii.
Especificamente neste último evento, venceu todas as seis etapas e conquistou 12 medalhas de ouro, nos combates com ou sem kimono.
Objetivos alcançados.
Teve ainda o ouro nos Jogos da Primavera, representando a Escola Zulma Souza da Silva, na Velha Pequena.
Mundial
Manu espera repetir todos esses feitos em 2026.
Além de se destacar nos Emirados Árabes, em novembro.
A experiência em Abu Dhabi será de grande aprendizado, em todos os sentidos.
Rede de apoio
Ela só vai estar no Oriente Médio por causa do esforço dos pais e da parceria dos amigos.
Que têm ajudado a família em várias ações.
A mais recente vai ser neste sábado (17), no Churrasco da Manu, quando todo mundo pegou junto e vendeu 170 tíquetes - a meta era 100.
Limpo, vai sobrar R$ 8 mil - a viagem para o Mundial vai custar R$ 13 mil.
Representatividade
Manu não ganhou do município nenhum centavo quando foi primeira colocada em Brusque e ajudou Blumenau a ser vice-campeão no jiu-jitsu - São José ficou com o título.
Não posso concordar quando alguém, por mais jovem que seja, defenda a cidade, suba ao pódio e não receba nenhuma ajuda de custo.
Contudo, é preciso entender que em alguns casos, como este, o repasse não é feito porque a cota mensal é extremamente baixa.
Simplesmente não dá.
As prioridades são os dois treinadores (do feminino e do masculino) e os atletas que disputam os Jogos Abertos.
Critérios
Há equipes que distribuem o seu quinhão (com valores distintos, naturalmente) entre todos aqueles que participam de Olesc, Joguinhos e Jasc.
Em algumas modalidades coletivas, se o atleta vai para a Olesc e faz parte do grupo adulto, é beneficiada com uma ajuda básica de custo.
Por outro lado, se um carateca, que ficou em 3º lugar na Olesc e na 2ª colocação do Brasileiro, por exemplo, naturalmente vai optar pelo bolsa federal - que paga R$ 700 contra os R$ 300 do bolsa municipal.
Bônus
Menos mal que por conta de seu desempenho no Sul-Americano, a Manu vai ter direito ao bolsa continental.
A papelada já foi enviada.
A expectativa é que receba R$ 1 mil, a partir de junho.
Contrastes
Qualquer ajuda é sempre bem-vinda.
Mas convenhamos, poderia ser mais.
O pouco caso é histórico.
Vivemos em um país de terceiro mundo, cheio de desigualdades.
Que coloca o futebol em outro pedestal de investimento e expectativa.
Que exalta jogadores/malas e seus salários astronômicos.
Que cega torcedores/fanáticos, que se matam por causa de 22 marmanjos correndo atrás de uma bola.
Fórmula
Não tem muito o que fazer.
É preciso dedicação extrema.
Resiliência para não desistir.
Performar em alto nível.
De preferência no exterior.
Ganhar títulos.
Somar pontos no ranking.
Pegar seleção.
Aumentar a bolsa.
Pressão
É uma vida sacrificante.
Injusta, ingrata na maioria das vezes.
Por isso que muita gente não aguenta.


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