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Dias de luta

Sacrifício, disciplina, foco, pressão

16/01/2026 às 15h53 Atualizada em 16/01/2026 às 16h12
Por: Emerson Luis
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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Prodígio

Na última quinta-feira (15), no quadro de esportes do Balanço Geral da NDTV, exibi uma matéria com uma menina que vem arrebentando no jiu-jitsu.

Manuella Caroline Amparo, 13 anos.

Dedicada, disciplinada, focada, é daqueles talentos com um futuro promissor.

Mesmo assim, a gente sabe o quão difícil é a batalha para se tornar um atleta de ponta, com condições de viver apenas do esporte.    

Trajetória

Manu começou a treinar com 6 anos.

Compete, no entanto, só há um ano e meio.

Na última temporada, traçou quatro metas:

- Ser campeã sul-americana.

- Campeã brasileira.

- Campeã da Olesc.

- Campeã do Circuito Mormaii.

Especificamente neste último evento, venceu todas as seis etapas e conquistou 12 medalhas de ouro, nos combates com ou sem kimono.

Objetivos alcançados.

Teve ainda o ouro nos Jogos da Primavera, representando a Escola Zulma Souza da Silva, na Velha Pequena.

Mundial

Manu espera repetir todos esses feitos em 2026.

Além de se destacar nos Emirados Árabes, em novembro.

A experiência em Abu Dhabi será de grande aprendizado, em todos os sentidos.

Manu foi ouro na Olesc. Foto: Reprodução/SME Blumenau 

Rede de apoio

Ela só vai estar no Oriente Médio por causa do esforço dos pais e da parceria dos amigos.

Que têm ajudado a família em várias ações. 

A mais recente vai ser neste sábado (17), no Churrasco da Manu, quando todo mundo pegou junto e vendeu 170 tíquetes - a meta era 100. 

Limpo, vai sobrar R$ 8 mil - a viagem para o Mundial vai custar R$ 13 mil. 

Representatividade

Manu não ganhou do município nenhum centavo quando foi primeira colocada em Brusque e ajudou Blumenau a ser vice-campeão no jiu-jitsu - São José ficou com o título.

Não posso concordar quando alguém, por mais jovem que seja, defenda a cidade, suba ao pódio e não receba nenhuma ajuda de custo.

Contudo, é preciso entender que em alguns casos, como este, o repasse não é feito porque a cota mensal é extremamente baixa.

Simplesmente não dá.

As prioridades são os dois treinadores (do feminino e do masculino) e os atletas que disputam os Jogos Abertos.

Critérios

Há equipes que distribuem o seu quinhão (com valores distintos, naturalmente) entre todos aqueles que participam de Olesc, Joguinhos e Jasc.

Em algumas modalidades coletivas, se o atleta vai para a Olesc e faz parte do grupo adulto, é beneficiada com uma ajuda básica de custo.

Por outro lado, se um carateca, que ficou em 3º lugar na Olesc e na 2ª colocação do Brasileiro, por exemplo, naturalmente vai optar pelo bolsa federal - que paga R$ 700 contra os R$ 300 do bolsa municipal.

Bônus

Menos mal que por conta de seu desempenho no Sul-Americano, a Manu vai ter direito ao bolsa continental.

A papelada já foi enviada.

A expectativa é que receba R$ 1 mil, a partir de junho.

Manu e os pais Jerusa e Allan. Foto: Arquivo pessoal 

Contrastes

Qualquer ajuda é sempre bem-vinda.

Mas convenhamos, poderia ser mais.

O pouco caso é histórico.

Vivemos em um país de terceiro mundo, cheio de desigualdades.

Que coloca o futebol em outro pedestal de investimento e expectativa.

Que exalta jogadores/malas e seus salários astronômicos.

Que cega torcedores/fanáticos, que se matam por causa de 22 marmanjos correndo atrás de uma bola.

Fórmula 

Não tem muito o que fazer.

É preciso dedicação extrema. 

Resiliência para não desistir.  

Performar em alto nível.

De preferência no exterior.

Ganhar títulos.

Somar pontos no ranking.

Pegar seleção.

Aumentar a bolsa.

Pressão  

É uma vida sacrificante.

Injusta, ingrata na maioria das vezes.

Por isso que muita gente não aguenta.  

Manu terá um 2026 movimentado. Foto: Arquivo pessoal 

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Emerson Luis
Sobre o blog/coluna
Jornalista com ampla experiência na cobertura esportiva, Emerson Luis assina uma coluna de opinião dedicada ao esporte no Vale do Itajaí. Com olhar crítico, linguagem direta e paixão pelo que faz, analisa os bastidores, os destaques e os desafios do cenário esportivo regional. Mais do que informar, busca provocar reflexões e valorizar os protagonistas do esporte local.
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