Carolina Fischer tem 28 anos, é gaúcha, formada em Administração, cristã e hoje mora em Blumenau, Santa Catarina. Mas essas são apenas as credenciais básicas de uma história que vai muito além de um simples deslocamento geográfico. Carolina é uma daquelas jovens que transformam experiências pessoais em ferramentas de conexão e faz isso todos os dias por meio das redes sociais. Na internet, ela compartilha um jeito simples e autêntico de se comunicar, especialmente quando fala sobre Blumenau.
Natural de Santo Augusto, ela cresceu em Horizontina, uma cidade pequena no interior do Rio Grande do Sul. A rotina ali era tranquila, mas limitada para quem sonhava em acompanhar o ritmo acelerado do mundo. Começou a trabalhar com criação de conteúdo em 2021, e o marketing, que antes era apenas uma disciplina da faculdade, logo se transformou em profissão.
Foi em 2022, durante uma campanha política em Blumenau, enquanto atuava em uma agência, que conheceu a cidade. O que era para ser um trabalho temporário de três meses acabou se tornando o início de uma mudança definitiva. Embora tenha voltado ao Rio Grande do Sul por um breve período, sentia que seu futuro estava em Santa Catarina.
A decisão de recomeçar não foi simples. Exigiu coragem, desprendimento e fé. Morar sozinha, pagar aluguel, enfrentar uma nova cidade e deixar a família para trás era desafiador. Mas Carolina afirma que sua espiritualidade foi o alicerce de tudo.
"Se não fosse minha confiança em Deus, eu não teria tido coragem. Era tudo muito novo: morar sozinha, começar uma vida do zero, mas eu sentia que era aqui que eu precisava estar, era um chamado".
Já em Blumenau, uma nova companhia inesperada também surgiu em sua vida: o Scott. A saudade das cachorrinhas que ficaram no Rio Grande do Sul, uma com o pai, outra com a irmã, pesava no coração. Foi então que surgiu a oportunidade de adotar um cãozinho que precisava de um novo lar. Scott já tinha três anos quando Carolina o acolheu, após uma família não poder mais ficar com ele. Desde então, se tornaram inseparáveis.
Foi nesse período de recomeço que as redes sociais ganharam protagonismo. Carolina criou seu perfil no TikTok com um propósito claro: registrar as mudanças, compartilhar a rotina em uma nova cidade e se conectar com outras mulheres que também estavam vivendo processos parecidos.
Os vídeos começaram de forma simples, sem grandes pretensões. Com o tempo, ela estruturou melhor o conteúdo, encontrou um formato genuíno de se apresentar e percebeu que muitas pessoas se identificavam com sua história. O público cresceu. Vieram os comentários, os abraços na rua e até os pedidos de foto.
"Eu queria documentar essa mudança. Mostrar que é possível começar do zero mesmo com medo. E mais: que a gente não precisa estar sozinha nesse processo".
A naturalidade com que compartilha o dia a dia transformou seguidores em amigas. A comunidade formada ao redor de seu perfil inspirou a criação de um grupo no WhatsApp, reunindo mulheres que também se mudaram para Blumenau em busca de recomeço. Lá, elas trocam dicas, desabafos e histórias e com frequência se encontram presencialmente. Segundo Carolina, já são seis encontros, com piqueniques no Parque Ramiro, caminhadas e cafés. Algumas participantes disseram que só conseguiram fazer amizades na cidade por causa do grupo.
"Tem mulheres que moram aqui há anos e ainda não tinham feito amizades. É lindo ver como esse espaço virou um lugar de acolhimento e apoio".
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Blumenau, para Carolina, não é apenas um endereço, é um símbolo de crescimento pessoal.
"Foi aqui que me tornei dona de casa, que aprendi a lidar com as contas, que comecei a construir a minha vida. Eu realmente não me vejo saindo daqui, a não ser que Deus me chame para outro lugar".
Ela acredita que um dos propósitos de sua mudança foi justamente esse: criar pontes entre mulheres que, como ela, decidiram recomeçar.
"Eu não planejei nada disso. Foi acontecendo naturalmente. E hoje vejo que faz parte da missão que Deus me deu aqui. Meu maior medo nunca foi mudar de cidade. Era continuar vivendo uma vida que não me fazia feliz. Se você sente que precisa mudar, vá. Vai doer, vai ser difícil, mas vale a pena. Só vive o projeto quem suporta passar pelo processo", reflete.
Hoje, quase dois anos depois desde a mudança, Carolina é mais do que uma moradora de Blumenau, ela se tornou uma espécie de "guia afetiva" para outras mulheres que, assim como ela, decidiram mudar de vida.
"Nesse grupo de amigas tem pessoas que vieram do Rio de Janeiro, São Paulo, do Amapá, Maranhão, Acre, Paraná... Tem mulheres de todos os lugares do Brasil e a maioria, com a mesma experiência que eu, que veio pra Blumenau sozinha começar uma vida nova.Tenho certeza que Deus tem um carinho especial pela cidade de Blumenau".
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