
Foi assinado, nesta segunda-feira (19), em Brasília, o decreto que institui a Nova Política de Educação a Distância (EaD) no Brasil. Entre as principais medidas está a proibição da oferta de cursos superiores de Medicina, Direito, Odontologia, Enfermagem e Psicologia na modalidade exclusivamente a distância. Esses cursos deverão ser oferecidos apenas de forma presencial, conforme determinação do novo marco regulatório.
De acordo com o Ministério da Educação (MEC), os demais cursos da área de saúde e licenciaturas ainda poderão ser ofertados em modelo presencial ou semipresencial, desde que respeitadas novas exigências de qualidade.
Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o objetivo da medida é garantir a formação adequada dos estudantes e melhorar a qualidade do ensino superior no país.
O novo decreto estabelece que os cursos EAD deverão ter pelo menos uma avaliação presencial por disciplina, a qual representará a maior parte da nota final. Também será obrigatório o controle de frequência dos alunos, mesmo em cursos a distância.
A norma prevê a criação de polos EAD com estrutura mínima obrigatória, como laboratórios, ambientes de estudo, internet e salas de coordenação. Esses polos não poderão ser compartilhados entre diferentes instituições de ensino.
Outra novidade é a criação do cargo de mediador pedagógico, que deverá ter formação compatível com o curso e vínculo formal com a instituição. Esse profissional atuará de forma diferente do tutor, cuja função se limitava a tarefas administrativas.
O decreto classifica os cursos superiores em três formatos:
Além disso, o número de alunos por professor em aulas online ao vivo será limitado a 70 estudantes por mediador pedagógico, como forma de valorizar os profissionais e garantir melhor acompanhamento.
As instituições de ensino superior terão dois anos para se adequarem às novas regras. A medida também reforça que os cursos devem proporcionar estrutura física e tecnológica adequadas, tanto nos polos quanto nas sedes das instituições.
Segundo o Censo da Educação Superior de 2023, divulgado em outubro de 2024 pelo Inep, os cursos a distância já representam 77,2% das vagas ofertadas no ensino superior, contra 22,8% dos cursos presenciais. O crescimento da modalidade entre 2018 e 2023 foi de 232%.
Na rede privada, 73% dos ingressos em 2023 foram em cursos EAD, enquanto na rede pública, a maioria dos ingressantes (85%) optou por cursos presenciais.
Ao todo, 93% da população brasileira vive em municípios que contam com estudantes matriculados em cursos de educação a distância.
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